Eduardo
Eduardo acordou com uma dor de cabeça insuportável. A ressaca do dia anterior latejava em suas têmporas, lembrando-o de cada gole maldito que não deveria ter tomado. Sentou-se à beira da cama, passou as mãos pelo rosto e respirou fundo.
- Bom dia, senhor - disse o assistente, já posicionado próximo à mesa do café, tentando manter a voz firme. - O senhor pediu que eu viesse cedo.
Eduardo afundou-se na cadeira diante da mesa farta, mas o apetite havia desaparecido. Faltava o caldo nutritivo pós-ressaca - aquele que ele nem precisaria pedir, porque sabia que era Vivian quem fazia. Tomou um gole amargo de café e foi direto ao assunto:
- Quero que o advogado encontre uma solução jurídica para que Vivian saia de mãos abanando. - Sua voz era cortante. - Ela não merece nada.
- Sim, senhor, irei imediatamente.
O assistente saiu e, no corredor, cruzou com Gustavo, que vinha entrando.
- Bom dia, chefão. Dona Lúcia, pode me arrumar uma xícara? - o amigo pediu, já se sentando à mesa sem convite. - E aí, como você está?
- De ressaca… Dona Lúcia, me arruma um remédio pra dor de cabeça - acrescentou Eduardo, aproveitando a ida da empregada.
- Já decidiu o que vai fazer a respeito do divórcio? - Gustavo insistiu. - Eu realmente achava que Vivian não iria adiante, mas…
- Não me interessa. - Eduardo o interrompeu, batendo a xícara no pires com força. - Já pedi ao advogado que encontre uma forma de deixá-la sair sem nada.
- Você é muito cruel. - Gustavo falou entre uma mastigada e outra.
- Esqueceu o quanto ela já gastou no cartão corporativo nos últimos anos? Deve ter uma boa reserva.
- É, mas você nunca ligou pro dinheiro que ela gastava.
- Essa história de comemorar o divórcio… - Eduardo cerrou os dentes, a raiva crescendo. - Ela está tentando me humilhar.
Gustavo apenas assentiu. Sabia que, quando Eduardo estava em guerra, ninguém saía ileso.
Na empresa, Eduardo chegou cuspindo ordens. Cada funcionário que o via ao longe desviava o olhar, como se o simples contato visual fosse perigoso. O ambiente respirava medo.
No meio da manhã, a dor de cabeça voltou com força. Ele tentou se concentrar nos relatórios, mas não conseguia. O telefone da secretária tocava insistentemente, aumentando sua irritação.
Foi nesse momento que Elisa entrou em sua sala, impecável como sempre, acompanhada de Gustavo.
- Vamos almoçar fora, Eduardo. - Ela sorriu, como se fosse a dona do espaço.
Ele massageou as têmporas.
- Não. - A voz saiu baixa, mas ríspida. - Não estou com humor.
Gustavo ergueu uma sobrancelha, mas se calou. Sabia que, quando o amigo estava assim, o melhor era esperar a tempestade passar.
O telefone voltou a tocar. O som repetitivo parecia uma agulha metálica fincando sua cabeça. Eduardo se levantou, exasperado.
- Onde diabos estão todos nesta empresa? - resmungou, arrancando o telefone do gancho ao passar pela mesa da secretaria.


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