Eduardo
O BMW serpenteava pelas estradas secundárias nos arredores de Madri, cada curva fechada levando Eduardo mais fundo em um pesadelo que sua mente sequer conseguia processar completamente. As palavras de Gilbert ainda ecoavam em seus ouvidos, cada sílaba uma faca torcida em suas entranhas.
"Ela está investigando o esquema de falsificação... Camilo faz parte disso... nossos homens a perderam de vista perto de um armazém abandonado..."
Seus dedos apertavam o volante com tanta força que as juntas branquearam. Como pôde ser tão cego? Todos os sinais estavam lá - a obsessão de Vivian com documentos, sua cautela excessiva, as perguntas evasivas sobre seu trabalho. Ela estava tentando protegê-lo, limpando a bagunça que ele mesmo ajudara a criar ao fazer aquele acordo com Camilo.
O GPS indicou que faltavam apenas dois quilômetros para o destino. Foi quando seus faróis iluminaram uma van preta estacionada em um ponto discreto à beira da estrada. Dois homens saíram, vestidos com roupas escuras e práticas - a equipe de Gilbert.
Eduardo estacionou atrás da van, seu corpo ainda tremendo de adrenalina e medo. Um dos homens se aproximou - alto, cabelo cortado rente, olhos que já tinham visto coisas que a maioria das pessoas nem imaginava.
- Senhor Braga? - sua voz era calma, profissional. - Sou Ernesto, chefe da equipe de segurança do seu avô. Precisamos que você nos escute antes de fazermos qualquer movimento.
- Onde ela está? - a pergunta saiu como um rosnado.
Ernesto trocou um olhar com seu companheiro antes de responder. - Acreditamos que ela está no armazém a cerca de quinhentos metros daqui. Mas temos informações preocupantes.
- Que tipo de informações?
- Camilo não está agindo sozinho - o outro agente explicou, abrindo um tablet com imagens de satélite. - Ele faz parte de uma rede maior de falsificação de arte. E eles sabem quem Vivian é - fez uma pausa significativa - e sua presença aqui.
Eduardo sentiu o estômago embrulhar. - Como eles descobriram?
- A senhora Vivian estava se infiltrando no esquema há semanas. Ela conseguiu provas suficientes para incriminar não apenas Camilo, mas vários galeristas e colecionadores importantes da Europa. Quando eles descobriram que ela estava trabalhando com... bem, com o Grupo Braga, perceberam que tinham algo muito valioso em mãos.
- Meu Deus - Eduardo respirou fundo, passando a mão pelo rosto. - Ela fez tudo isso sozinha?
- Não exatamente - Ernesto corrigiu. - Seu avô estava fornecendo os recursos necessários. Ele... - o agente hesitou.
A revelação deveria tê-lo surpreendido, mas naquele momento, tudo que Eduardo conseguia pensar era em Vivian. Vivian presa, assustada, possivelmente machucada...
- Precisamos ir - ele disse, voltando para o carro.
- Senhor Braga, espere - Ernesto bloqueou seu caminho. - Temos um plano. Eles estão exigindo resgate.
- Quanto?
- Cem milhões de euros.
O valor era astronômico, mas Eduardo nem hesitou. - Diga a eles que terão. Mas quero falar com Vivian primeiro.
- É exatamente isso que vamos fazer - Ernesto explicou. - Mas precisamos fazer isso com cuidado. Eles têm pelo menos seis homens armados lá dentro. E pelo que nossas fontes indicam, eles não pretendem libertá-la mesmo após o pagamento.
O sangue gelou nas veias de Eduardo. - O que?
- Eles veem isso como uma oportunidade de eliminar testemunhas e ganhar uma quantia significativa - o outro agente completou. - É por isso que não podemos simplesmente pagar e esperar que cumpram o acordo.
Eduardo olhou na direção do armazém, sua determinação se solidificando. - Então vamos mudar o plano.
- Senhor?
- Eles me querem? Eles podem me ter - ele disse, sua voz estranhamente calma. - Mas Vivian sai primeiro.
Ernesto estudou seu rosto por um momento antes de acenar gravemente. - Entendido. Vamos ajustar a estratégia.
Os minutos seguintes foram gastos em um planejamento frenético. Dois outros agentes chegaram - um especialista em negociações e outro em táticas de resgate. Enquanto discutiam abordagens, Eduardo mal conseguia prestar atenção. Tudo que importava era chegar até Vivian.
- Vamos fazer o seguinte - Ernesto explicou. - Você vai se entregar em troca dela. Nós ficaremos posicionados nos pontos estratégicos. No momento em que Vivian estiver segura, daremos o sinal para a investida.
- E se eles não cumprirem? - Eduardo perguntou.
- Então teremos que confiar em nossa capacidade de intervenção - Ernesto respondeu, mostrando a arma discretamente presa em seu coldre.
Eduardo assentiu, seu coração batendo forte. Ele nunca se sentira tão impotente em sua vida. Todo seu dinheiro, todo seu poder - nada disso importava agora. A única coisa que contava era conseguir Vivian fora dali, sã e salva.
Aproximaram-se do armazém a pé, usando a escuridão e a vegetação como cobertura. O lugar era ainda mais sinistro de perto - paredes de concreto deterioradas, janelas quebradas, um silêncio agourento que parecia esconder segredos terríveis.
Ernesto fez um gesto com a mão, e os agentes se espalharam, tomando suas posições. Eduardo ficou com o negociador, um homem de meia-idade chamado Rafael que parecia incrivelmente calmo dada a situação.
- Lembre-se - Rafael sussurrou, - mantenha a calma. Eles vão tentar provocá-lo, intimidá-lo. Não deixe que isso aconteça. Seu único objetivo é garantir a segurança da Vivian.
Eduardo acenou, suas mãos suadas. Ele podia sentir o peso da responsabilidade - um erro seu poderia custar a vida de Vivian.
Quando chegaram à entrada principal, dois homens armados os esperavam. Um deles - que Eduardo reconheceu como um dos capangas de Camilo - fez um gesto brusco.
- Só ele - apontou para Eduardo. - O outro fica aqui.
Rafael começou a protestar, mas Eduardo o interrompeu. - Está bem. Sozinho.
Ele ergueu as mãos em sinal de rendição enquanto era revistado rapidamente. As mãos ásperas do capanga encontraram seu telefone e o jogaram no chão, esmagando-o com o pé.
- Vamos - o homem o empurrou para dentro.
O interior do armazém era ainda pior do que o exterior. O ar estava pesado com o cheiro de mofo, tinta e algo mais - medo. Pilhas de caixas e telas cobertas se alinhavam nas paredes, testemunhas silenciosas do esquema que Vivian tentara expor.
E então ele a viu.
Vivian estava sentada em uma cadeira de metal no centro do espaço aberto, as mãos amarradas atrás das costas. Seu rosto estava pálido, havia um corte superficial em sua bochecha, mas quando seus olhos encontraram os dele, ele viu mais raiva do que medo em seu olhar.
- Eduardo, não! - ela gritou quando o viu. - O que você está fazendo aqui?
- Vim te buscar - ele respondeu, sua voz ecoando no espaço vazio.


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