Eduardo
O sucesso do IPO do Grupo Braga deveria ter sido o ápice da carreira de Eduardo. As manchetes dos jornais econômicos celebravam a maior abertura de capital do ano, as ações haviam fechado a primeira semana com valorização recorde, e os analistas previam um crescimento exponencial. Ele deveria estar em uma festa com investidores, ou pelo menos comemorando com sua equipe no escritório. Em vez disso, estava sozinho em sua casa, encarando o closet que um dia teve um aroma agradável e alguns vestidos, sentindo-se mais vazio do que jamais imaginara possível.
A destruição de Elisa estava completa. Cada relatório que chegava confirmava isso: ela perdera o apartamento, as contas bancárias, a carreira, até mesmo os "amigos" que tanto valorizava. A vingança que ele planejara com tanto cuidado foi executada com precisão cirúrgica. Mas o sabor da vitória era de cinzas.
Seu telefone particular vibrou em seu bolso. Marcos.
- Senhor, temos uma atualização sobre a Sra. Vivian- a voz do assistente soou cautelosa através do viva-voz.
Eduardo não se moveu. - Continue.
- Ela... embarcou em um voo para Lisboa essa manhã.
O mundo parou. O som do tráfego lá embaixo, o zumbido discreto do ar condicionado, até mesmo a própria respiração de Eduardo - tudo cessou por um momento que pareceu eterno.
- Lisboa? - ele repetiu, como se a palavra fosse em um idioma estrangeiro.
- Sim, senhor. Parece que ela se inscreveu em um curso de verão em Lisboa. E tornou-se sócia do Matheus.
Cada palavra era um golpe. Portugal. Curso. Matheus. Ela estava realmente seguindo em frente. Construindo uma vida que não incluía ele. Não apenas bloqueando-o nas redes sociais, mas fisicamente se removendo de seu universo.
- Por que não me informaram antes? - a voz de Eduardo saiu estranhamente calma, perigosamente controlada.
- Estávamos com o foco em outros assuntos, senhor. Foi... negligência nossa…
Ela deixou a família e os amigos. Para fugir dele. Para escapar do que ele representava.
O desespero chegou então, não como uma onda, mas como um tsunami que arrasou todas as barreiras que ele cuidadosamente construía. A chance de explicar - de se ajoelhar, e implorar, mostrar que tudo que fizera, por mais errado que parecesse, foi para protegê-la - evaporou em um instante.
Ele olhou para o relógio. 02:17. Ela já estava em Lisboa. Fora de alcance. Fora de seu controle.
- Marcos - ele disse, sua voz agora carregada de uma urgência febril. - O próximo voo para Lisboa. Qual é?
- Senhor? - a surpresa foi evidente. - O IPO... temos reuniões com...
- O PRÓXIMO VOO PARA LISBOA! - a explosão veio com uma força que fez até ele mesmo se surpreender.
Ouviu-se o som de teclas sendo digitadas freneticamente do outro lado da linha. - Há um voo da British Airways às 06:45, com conexão em Londres. Chega em Lisboa às 17:30. Ou um da Lufthansa às...
- O primeiro. Reserva. Agora.
- Mas senhor, as reuniões de amanhã... o conselho fiscal...
- CANCELE TUDO! - ele já estava se movendo, pegando a mala, e jogando apressadamente todos os . - Tudo, Marcos. Por tempo indeterminado.
- Senhor, o IPO... o Grupo Braga...
- PODE IR TUDO PARA O INFERNO! - ele gritou, pegando a primeira mala que encontrou e começando a jogar roupas aleatoriamente na mala. - Se ela vai para Portugal, eu vou para Portugal. É simples assim.
A decisão foi tão impulsiva quanto definitiva. Enquanto ela fugia para encontrar algo, ele perseguia para não perder tudo.
- Portugal.
Um silêncio pesado do outro lado da linha. - Você está abandonando o IPO por causa dela.
- Estou indo atrás da minha esposa.
- Ex-esposa - Gilbert corrigiu. - E você acha que persegui-la como um animal acuado vai convencê-la a voltar?
- Não sei - Eduardo admitiu, sua voz perdendo um pouco da intensidade. - Só sei que não posso ficar aqui sabendo que ela está lá, pensando que eu a traí com Elisa, acreditando que tudo entre nós era uma mentira.
- Às vezes, neto - Gilbert disse, sua voz inesperadamente suave, - o amor precisa de espaço para respirar. E de tempo para curar.
- Já dei a ela espaço e tempo demais - Eduardo respondeu, olhando para o portão de embarque. - Agora é minha vez.
Desligou o telefone e caminhou em direção ao portão. Cada passo era uma renúncia - ao controle, à lógica, ao orgulho. Tudo que sempre definira Eduardo Braga estava sendo deixado para trás naquele saguão de aeroporto.
Quando o avião decolou, ele olhou pela janela enquanto, sua cidade, seu império, sua vida inteira diminuía abaixo dele. Pela primeira vez em sua vida, ele não estava no controle. Não tinha um plano. Não tinha uma estratégia.
Tudo que tinha era uma necessidade visceral, primitiva, de alcançar a mulher que amava. E uma esperança frágil de que, quando finalmente a encontrasse, ela não o mandaria de volta para o outro lado do oceano.
Enquanto o avião cruzava o Atlântico, levando-o em direção a um futuro incerto, Eduardo Braga fechou os olhos e permitiu-se, pela primeira vez, simplesmente sentir. O medo, a esperança, o arrependimento, o amor - tudo misturado em uma tempestade que finalmente quebrara os diques de seu autocontrole.
A fuga para Portugal não era sobre perseguição. Era sobre redenção. E ele faria o que fosse preciso para alcançá-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....