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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 16

Eduardo

Rolava de um lado para o outro na cama king-size, os lençóis embolados em torno das pernas. Essa era a primeira noite em que estava sóbrio. Desde que Vivian foi embora. O silêncio do quarto parecia zombar dele.

Fechava os olhos, mas a mente não parava. Os lençóis tinham o cheiro da lavanderia, ele estava acostumado ao cheiro dela, era suave e o acalmava. - A lembrança de Vivian sentada na doceria, os lábios tocando a colher com doçura, insistia em voltar. Ele apertou os olhos com força, mas era inútil.

- Maldição… - murmurou, socando o colchão.

Quando finalmente pegou no sono, o dia já clareava.

Na manhã seguinte, olheiras fundas denunciavam a noite em claro. Dona Lúcia, sempre pontual, serviu o café assim que ele apareceu na sala de jantar.

- Senhor Eduardo, bom dia. - a voz dela tinha uma preocupação contida.

Ele ergueu os olhos pesados.

- Dona Lúcia… compre pra mim o perfume que a Vivian usava. - disse, sem cerimônia.

Ela piscou, surpresa.

- O da senhora Vivian?

- Sim. - respondeu, seco, tentando disfarçar o embaraço.

Dona Lúcia apenas assentiu e saiu.

Na sede do Grupo Braga, o caos estava instalado. Eduardo entrou no saguão e imediatamente percebeu a movimentação anormal. Gustavo e Marcos o aguardavam na recepção, ambos tensos.

- Finalmente! - Gustavo exclamou, as mãos nos bolsos para conter a inquietação. - Eu liguei tanto pra você.

Eduardo pegou o celular no bolso do paletó. A tela preta denunciava a bateria descarregada. Resmungou:

- Deve ter acabado porque deixei tocando barulho de chuva a noite toda.

Marcos abriu a pasta de couro, direto ao ponto:

- Precisamos ir para a sala de reuniões agora. O presidente está aqui.

Eduardo parou.

- Meu avô?

- Sim, e não está de bom humor. - Marcos ajeitou os óculos. - Saiu uma matéria na Revista Econômica. Estão creditando ao Grupo Braga mais de duzentos milhões em doações sociais nos últimos anos.

Gustavo completou com um riso nervoso:

- E adivinha quem deu entrevista? A “senhora do herdeiro”. - fez aspas no ar. - Incentivando todos a doarem também.

Eduardo franziu a testa.

- Vivian. - Ele indagou incrédulo.

- Pois é. - Gustavo balançou a cabeça. - Cara, ela foi rápida mesmo, essa deve ser a vingança dela. Você quis economizar cinquenta milhões no divórcio, e ela foi lá e te ferrou bonito.

Eduardo não respondeu. Seu estômago revirava, a cabeça latejava.

Na sala de reuniões, os assistentes do presidente ficaram alinhados em silêncio. No centro, como um general prestes a declarar guerra, estava o presidente Braga. O olhar severo fez até Eduardo hesitar por um instante antes de sentar-se.

- Então é isso. - a voz do velho cortou o ar. - Uma mulher insignificante conseguiu criar um desastre desses, e você deixou.

Eduardo engoliu em seco.

Gonçalves abriu uma pasta cheia de relatórios.

- Todos os meses, a senhora Braga realiza as doações em valores exatos ao limite dedutível no imposto. Eu verifico cada centavo nas auditorias. Jamais encontrei discrepâncias.

Um silêncio incrédulo dominou o ambiente.

- Posso afirmar com convicção: se me permitem a impertinência, senhor? - Ele virou-se para Eduardo se desculpando. - A senhora como secretária é um grande desperdício. Ela é uma economista fabulosa.

Eduardo sentiu o rosto esquentar. O avô olhou para ele com algo entre desprezo e surpresa.

- E como, diabos, ela fazia essas doações? - o presidente perguntou.

Gonçalves ajeitou mais uma vez os óculos, com naturalidade:

- Usando o cartão corporativo, senhor.

O impacto da revelação percorreu a espinha de Eduardo, com a voz mais baixa que pretendia, questionou:

- E… o que foi computado como gasto pessoal dela nesse cartão?

- Não preciso nem consultar as faturas - O diretor falou empolgado - Zero

A palavra ecoou como um soco no estômago de Eduardo. O ar parecia rarefeito, e, pela primeira vez, ele não conseguiu erguer os olhos para encarar ninguém. A palavra ainda ecoava dentro dele:

Zero.

Ele não conseguia mais ouvir o que estavam dizendo ao seu redor levantou-se quase mecanicamente. As pernas pareciam de chumbo enquanto caminhava até sua sala. Assim que a porta se fechou, ele desabou na poltrona, soltando um suspiro longo, a cabeça pendendo para trás.

O peito dele doía de uma forma estranha, incômoda. Não era raiva. Não era orgulho ferido. Era algo que nunca quis admitir: culpa.

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