Eduardo
Rolava de um lado para o outro na cama king-size, os lençóis embolados em torno das pernas. Essa era a primeira noite em que estava sóbrio. Desde que Vivian foi embora. O silêncio do quarto parecia zombar dele.
Fechava os olhos, mas a mente não parava. Os lençóis tinham o cheiro da lavanderia, ele estava acostumado ao cheiro dela, era suave e o acalmava. - A lembrança de Vivian sentada na doceria, os lábios tocando a colher com doçura, insistia em voltar. Ele apertou os olhos com força, mas era inútil.
- Maldição… - murmurou, socando o colchão.
Quando finalmente pegou no sono, o dia já clareava.
Na manhã seguinte, olheiras fundas denunciavam a noite em claro. Dona Lúcia, sempre pontual, serviu o café assim que ele apareceu na sala de jantar.
- Senhor Eduardo, bom dia. - a voz dela tinha uma preocupação contida.
Ele ergueu os olhos pesados.
- Dona Lúcia… compre pra mim o perfume que a Vivian usava. - disse, sem cerimônia.
Ela piscou, surpresa.
- O da senhora Vivian?
- Sim. - respondeu, seco, tentando disfarçar o embaraço.
Dona Lúcia apenas assentiu e saiu.
Na sede do Grupo Braga, o caos estava instalado. Eduardo entrou no saguão e imediatamente percebeu a movimentação anormal. Gustavo e Marcos o aguardavam na recepção, ambos tensos.
- Finalmente! - Gustavo exclamou, as mãos nos bolsos para conter a inquietação. - Eu liguei tanto pra você.
Eduardo pegou o celular no bolso do paletó. A tela preta denunciava a bateria descarregada. Resmungou:
- Deve ter acabado porque deixei tocando barulho de chuva a noite toda.
Marcos abriu a pasta de couro, direto ao ponto:
- Precisamos ir para a sala de reuniões agora. O presidente está aqui.
Eduardo parou.
- Meu avô?
- Sim, e não está de bom humor. - Marcos ajeitou os óculos. - Saiu uma matéria na Revista Econômica. Estão creditando ao Grupo Braga mais de duzentos milhões em doações sociais nos últimos anos.
Gustavo completou com um riso nervoso:
- E adivinha quem deu entrevista? A “senhora do herdeiro”. - fez aspas no ar. - Incentivando todos a doarem também.
Eduardo franziu a testa.
- Vivian. - Ele indagou incrédulo.
- Pois é. - Gustavo balançou a cabeça. - Cara, ela foi rápida mesmo, essa deve ser a vingança dela. Você quis economizar cinquenta milhões no divórcio, e ela foi lá e te ferrou bonito.
Eduardo não respondeu. Seu estômago revirava, a cabeça latejava.
Na sala de reuniões, os assistentes do presidente ficaram alinhados em silêncio. No centro, como um general prestes a declarar guerra, estava o presidente Braga. O olhar severo fez até Eduardo hesitar por um instante antes de sentar-se.
- Então é isso. - a voz do velho cortou o ar. - Uma mulher insignificante conseguiu criar um desastre desses, e você deixou.
Eduardo engoliu em seco.
Gonçalves abriu uma pasta cheia de relatórios.
- Todos os meses, a senhora Braga realiza as doações em valores exatos ao limite dedutível no imposto. Eu verifico cada centavo nas auditorias. Jamais encontrei discrepâncias.
Um silêncio incrédulo dominou o ambiente.
- Posso afirmar com convicção: se me permitem a impertinência, senhor? - Ele virou-se para Eduardo se desculpando. - A senhora como secretária é um grande desperdício. Ela é uma economista fabulosa.
Eduardo sentiu o rosto esquentar. O avô olhou para ele com algo entre desprezo e surpresa.
- E como, diabos, ela fazia essas doações? - o presidente perguntou.
Gonçalves ajeitou mais uma vez os óculos, com naturalidade:
- Usando o cartão corporativo, senhor.
O impacto da revelação percorreu a espinha de Eduardo, com a voz mais baixa que pretendia, questionou:
- E… o que foi computado como gasto pessoal dela nesse cartão?
- Não preciso nem consultar as faturas - O diretor falou empolgado - Zero
A palavra ecoou como um soco no estômago de Eduardo. O ar parecia rarefeito, e, pela primeira vez, ele não conseguiu erguer os olhos para encarar ninguém. A palavra ainda ecoava dentro dele:
Zero.
Ele não conseguia mais ouvir o que estavam dizendo ao seu redor levantou-se quase mecanicamente. As pernas pareciam de chumbo enquanto caminhava até sua sala. Assim que a porta se fechou, ele desabou na poltrona, soltando um suspiro longo, a cabeça pendendo para trás.
O peito dele doía de uma forma estranha, incômoda. Não era raiva. Não era orgulho ferido. Era algo que nunca quis admitir: culpa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....