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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 17

Vivian

O telefone tocou logo cedo. Vivian atendeu sonolenta, mas a voz do advogado do ex-marido foi como um choque.

- Senhora Braga, bom dia. Gostaria de confirmar qual seria a melhor data para comparecer ao cartório. Para formalizar o divórcio.

As palavras caíram como uma lâmina fria. Formalizar. Definitivo.

Vivian respirou fundo antes de responder:

- Estou disponível todos os dias dessa semana.

- Isso é ótimo, amanhã às 10 horas no 21º cartório, no centro, é conveniente para a Senhora?

Vivian concordou com o coração disparado. Desligou. Sentou-se na beira da cama, os olhos fixos no chão. Havia esperado por aquilo, sabia que viria, mas não estava pronta para a punhalada de vê-lo se tornando realidade.

Precisou de mais tempo que o habitual para sua rotina matinal. Não conseguiu tomar café, tinha um bolo no estômago.

Quando estava pronta pra sair viu sua imagem refletida no espelho acima da sapateira na entrada do apartamento de Alice e falou para si mesma.

- Você consegue. - Tinha uma entrevista importante e não podia se dar ao luxo de fraquejar.

O hall do Global Bank era imponente, cheio de mármore e vidro. Vivian anunciou-se à recepcionista e aguardou. Não demorou até ouvir o som de risadinhas inconfundíveis atrás de si.

- Vivi? - Elisa vinha a tira colo com um senhor de meia idade. - O que você está fazendo aqui?

Vivian endireitou os ombros.

- Tenho uma entrevista. - Ela não queria falar com a outra, mas não queria ser grosseira na frente de tantas pessoas.

Elisa arregalou os olhos, falsamente surpresa.

- Entrevista? - Ela riu, lançando um olhar cúmplice ao diretor que a acompanhava. - Se bem me lembro, o acordo com o velhote fez você sair sem nada, não foi, querida?

Vivian respondeu firme, mas sem elevar a voz:

- Eu não casei por dinheiro, Elisa.

O sorriso da atriz se alargou, como se tivesse esperado exatamente aquela deixa.

- Não mesmo? Porque, pelo que vi, você gastou anos da sua vida devotada ao Eduardo… e mesmo assim, ele nunca gostou de você. - inclinou-se para sussurrar, mas alto o suficiente para os outros ouvirem. - Dica de amiga: da próxima vez, não demonstre tanto amor. Homens não gostam de mulheres fáceis.

Vivian sentiu o golpe. Doeu.

Foram interrompidos pela recepcionista de sorriso largo para a atriz.

- Srta. o Sr. Almeida está vindo para recepcioná-la pessoalmente. - A simpatia repentina da recepcionista era um contraste gritante da apatia com que ela recebeu e entregou o cracha de visitante a ela e os outros candidatos.

Elisa gargalhou, teatral. E justo nesse momento, o diretor financeiro chegou, Vivian conhecia aquele rosto de várias matérias em revistas especializadas em economia. Era fã declarado da atriz, o rosto vermelho pela empolgação em conhecer pessoalmente.

- Diretor, está aqui é Vivian. - Elisa aproximou-se e anunciou com ar triunfante. - Veio fazer uma entrevista. Imagino que seja para estagiária… em qual área mesmo, querida?

O veneno no tom era claro. Vivian poderia ter se calado, mas não.

- Economia. - respondeu com firmeza. - A mesma universidade que você abandonou para ser atriz.

O sorriso de Elisa ficou ainda mais debochado.

Vivian respirou fundo. Seus olhos marejaram, e ela precisou de alguns segundos antes de falar:

- Encontrei a Elisa. - disse, amarga. - E como sempre, ela fez questão de me lembrar que eu… não sou suficiente. Além disso, os entrevistadores só enxergam uma economista formada com honras que passou três anos como estagiária. Eles me olham como se eu fosse… uma fraude.

Mateus se inclinou, apoiando os cotovelos na mesa. Sua voz saiu firme:

- Você não é uma fraude. Você é brilhante, Vivi. Eu sei que você sempre ficava em segundo lugar na turma porque deixava algumas questões em branco.

Ela piscou, surpresa por ele se lembrar daquilo. A lembrança veio nítida: a única vez em que ficou em primeiro lugar, vira o avô de Eduardo humilhar o neto por ter ficado em segundo. Desde então, mesmo quando podia ser a melhor, Vivian se limitava de propósito. Até na faculdade.

Ela riu sem humor.

- Eu sou patética, não é?

- Não. - Mateus interrompeu de imediato. - Isso só mostra o quão incrível você é. - Hesitou por um instante antes de continuar, quase em súplica: - Trabalhe comigo, Vivian. Eu preciso de você. Minha galeria vai afundar se você não me ajudar. - Colocou a mão sobre a dela. - Até você conseguir algo melhor, por favor… me ajude.

Mateus estava sendo dramático, mas não mentia. Administrar nunca fora seu forte.

Vivian o encarou por alguns segundos. Depois, inspirou fundo e assentiu, um sorriso pequeno iluminando seus lábios.

- Quer saber? Esse é exatamente o emprego que eu preciso. Vou transformar sua bagunça no meu case de sucesso. - estendeu a mão, divertida. - Obrigada pela oportunidade, chefe!

Mateus apertou a mão dela com uma mistura de alívio e entusiasmo, arrancando uma risada dos dois.

Depois do jantar, ele fez questão de levá-la em casa. Alice a aguardava na sala, curiosa, e Vivian lhe contou rapidamente sobre o dia. Mas, quando se trancou no quarto, a solidão pesou.

Deitada na cama, encarando o teto, pensou no telefonema do advogado naquela manhã. A assinatura do divórcio a esperava, e a simples lembrança fazia seu coração doer tanto que respirar parecia difícil. No fundo, ela apenas desejava que, depois de assinar, essa dor finalmente começasse a diminuir.

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