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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 18

Eduardo

Ainda não havia conseguido retomar o fôlego desde que deixara a reunião de forma abrupta. As paredes frias da sala o cercavam quando a porta se abriu com um estrondo seco.

- O que foi aquilo? - a voz grave ecoou, fazendo Eduardo se enrijecer na cadeira.

O avô entrou, imponente, cada passo marcado pela segurança de quem construíra um império com as próprias mãos. Os cabelos brancos não diminuíam sua presença intimidadora; pelo contrário.

- Abandonar uma reunião daquela forma? - encarou o neto com desdém. - E mais… ouvi dizer que sua mulher se demitiu. - Uma sobrancelha arqueou. - É isso? Resolveram ter filhos?

Eduardo soltou uma risada curta, amarga.

- Não, vô. Ela pediu o divórcio.

O velho o fitou com incredulidade.

- Por que você decidiu se divorciar?

- Não fui eu. - Eduardo respirou fundo, buscando firmeza. - Foi ela.

- Ela deu um motivo? - o velho passou a mão pelo queixo, pensativo.

- Não disse nada. Só saiu de casa e deixou o acordo.

- Não faz sentido. Vai te processar?

- Eu tinha pedido pra cancelar a indenização dos cinquenta milhões, mas vou falar com o advogado. - Admitiu, sabendo que fora mesquinho.

O velho pegou o telefone.

- Em cinco minutos na sala do vice-presidente.

Eduardo não sabia para quem a ordem fora cuspida, nem teve chance de perguntar. O patriarca assumiu o assento dele na mesa e trovejou:

- Marcos!

O assistente, parado perto da porta, quase tropeçou ao se aproximar.

- S… sim, senhor.

- Traga o plano de negócios em que vocês estão trabalhando. Agora.

Marcos gaguejou um “já, já vou” e saiu praticamente correndo, quase derrubando a pasta que carregava. Eduardo sentiu pena do rapaz - mesmo sendo neto, entendia o quão sufocante era estar diante daquele homem.

Minutos depois, Marcos retornou, ofegante, com duas pastas nas mãos. Entregou-as ao patriarca com uma reverência desajeitada.

O velho abriu os documentos e, com a calma de um predador, analisou cada dado. Rabiscou anotações rápidas, sem levantar a cabeça:

- Encontre outros fornecedores para as fibras naturais. Você concentrou demais num só.

- Sim, senhor. - Eduardo respondeu automaticamente, desviando o olhar para Marcos, que já registrava tudo no tablet.

Uma batida na porta. O avô fechou as pastas, tirou os óculos com um gesto firme e disse:

- Entre.

O advogado entrou, mas antes que pudesse falar, foi cortado:

- Por que não me avisou que o contrato pré-nupcial do meu neto foi alterado?

O homem pigarreou, ajeitando os óculos.

- Não foi alterado, senhor. Aqui está… exatamente como o senhor redigiu.

- Houve alguma solicitação de alteração? - os olhos do velho eram navalhas.

- Não, senhor. Já marcamos para amanhã, às dez.

Eduardo tomou a pasta das mãos do advogado, reconheceu o envelope, mas estranhou as páginas. Folheou rápido, o coração acelerando ao notar cláusulas que não lembrava de ter aprovado.

- Esse não é o acordo que eu pedi. - murmurou, a voz tensa.

- É o que eu redigi. - o avô respondeu com calma cortante. E, como quem encerrava o assunto, levantou-se e saiu, deixando Eduardo atônito.

O advogado pediu licença para ir, mas Eduardo ergueu a mão.

- Espere. O que significa isso?

- Senhor, achei que já soubesse. - o advogado hesitou. - Seu avô assinou este acordo com sua esposa na noite anterior ao casamento.

Eduardo balançou a cabeça, inquieto.

- Não. Deve ter algum plano. Todo mundo tem. Até minha mãe - Acrescentou pra ele mesmo.

Gustavo foi mais cauteloso.

- Sempre fiquei na dúvida… mas, desde o ensino médio, a Vivian corre atrás de você. E vocês se conhecem desde a infância. Não é impossível que seja amor de verdade?.

As palavras despertaram uma memória.

O pequeno Dudu, de oito anos, sendo deixado na portaria da mansão pela mãe. Ela não chorou, não tremeu; apenas apertou seus ombros.

- Você é um homenzinho agora. Seu pai vai cuidar de você.

O mordomo o recebeu com um sorriso caloroso.

- Minha neta vem brincar com você mais tarde. Ela tem a sua idade.

Naquela tarde, enquanto se escondia atrás de uma pilastra, uma voz suave o chamou:

- Você quer brincar?

Era Vivian, com um rabo de cavalo torto, dentes separados, joelhos ralados e um galo na testa. Eduardo hesitou, retraído. Mas ela não esperou resposta: puxou sua mão e o arrastou para a sombra de uma árvore enorme.

- Se ficar sozinho, vai ficar triste. Eu não vou deixar.

- Ei, ei! - Gustavo estalou os dedos, trazendo-o de volta. - Preciso que decida. Qual comunicado vamos soltar?

Eduardo encarou os papéis. Empurrou-os de volta para o amigo.

- Escolhe você.

Agarrou o envelope do divórcio e saiu sem olhar para trás.

Gustavo o seguiu com os olhos e murmurou:

- Esse idiota descobriu agora que é apaixonado pela mulher…

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