Vivian chegou ao cartório com o coração pesado, preparada para dar fim, de uma vez por todas, ao elo que a prendia a Eduardo. Mas, ao empurrar a porta de vidro, estacou. Ele estava lá. De terno escuro impecável, a gravata ligeiramente afrouxada, emanava uma presença que parecia dominar o ambiente. Não imaginou que ele iria pessoalmente.
O olhar dele a encontrou de imediato, frio e calculado, mas havia algo mais - uma tensão mal disfarçada. E, no instante em que seus olhos pousaram nela, Eduardo perdeu o fôlego. Vivian estava mais bonita do que ele lembrava. O cabelo solto caía em ondas sobre os ombros, a pele parecia ainda mais luminosa sob a luz dura do cartório. E então veio o perfume. Suave, delicado, inconfundível. Um cheiro que atravessou sua couraça como uma lâmina fina. Só então percebeu o quanto havia sentido falta daquilo. O frasco que Dona Lúcia lhe comprara imitava debilmente aquele cheiro, mas agora ele compreendia: não era a fragrância, era a pele dela que tornava tudo único. Eduardo respirou fundo, forçando-se a recuperar o controle, erguendo novamente a fachada de frieza.
- Precisamos conversar. - A voz de Eduardo soou firme, mas baixa, carregada de um peso que fez o estômago dela revirar. - Acompanhe-me.
Antes que pudesse contestar, ele já caminhava em direção ao carro, certo de que ela o seguiria.
O motorista já aguardava junto ao carro. Abrindo a porta traseira e, após um breve instante de hesitação, Vivian entrou. Eduardo a seguiu, acomodando-se ao lado dela.
O silêncio no trajeto foi espesso, sufocante. Vivian mantinha as mãos entrelaçadas no colo, tão rígida que mal respirava. Eduardo, de olhar fixo na janela, parecia tranquilo por fora, mas por dentro travava uma batalha.
Se eu quero descobrir o que ela realmente pretende, preciso mantê-la ao meu lado. De qualquer forma, até agora, Vivian sempre foi uma esposa exemplar. Por que diabos eu deveria me divorciar?
Vivian, por sua vez, não conseguia acalmar o coração. O silêncio dele só piorava. Será que ele vai pedir perdão? Será que… ainda existe uma chance? Aquele homem que sempre lhe foi um bloco de gelo agora parecia derreter em pequenas rachaduras, e ela se pegava sonhando, contra a própria vontade, com a possibilidade de reconciliação.
Quando finalmente estacionaram diante de uma cafeteria discreta, Vivian já estava à beira de explodir de expectativa e nervosismo.
Sentaram-se frente a frente. Eduardo pediu um café preto pra ele e um chá gelado pra esposa. Tirou do paletó um envelope pardo e o colocou sobre a mesa, deslizando-o até Vivian.
Ela reconheceu de imediato. Seu estômago se contraiu.
- Esse… - Era o mesmo envelope que deixei sobre a nossa cama a alguns dias. - A voz saiu hesitante. - O que isso significa?
Eduardo a fitou por longos segundos antes de responder.
- Significa que, se quiser assinar o divórcio hoje, vai ter que pagar a multa.
Vivian engasgou com o gole de chá que tentava engolir.
- Multa? - tossiu, incrédula. - Do que você está falando?
Ele se inclinou para a frente, os olhos fixos nela.
- Não lembra? Você assinou esse acordo com o meu avô. - Eduardo falou com algum ressentimento - Se eu não concordar com o divórcio, você tem que me pagar cem milhões. Não esqueceu dessa cláusula, não é?
Ela tossiu engasgando com o chá.
- Por que… por que você não concorda com o divórcio? - A voz saiu trêmula, carregada de uma esperança frágil, quase infantil.Eduardo poderia ter finalmente reconhecido que sentia algo por ela?.
- Não é conveniente para o Grupo que eu me divorcie agora. Vamos abrir o capital em breve. Um escândalo seria um marketing desfavorável. - Ele respondeu a primeira coisa que lhe veio à mente porque ele não sabia nem como explicar pra si mesmo o motivo.

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