Eduardo
O vidro espelhado da fachada refletia a cidade chuvosa quando Eduardo empurrou a porta giratória do edifício-sede. O nó na garganta persistia desde a cafeteria. Tinha feito o que julgava necessário - mas o olhar de Vivian continuava grudado nele, como uma sombra impossível de afastar.
Respirou fundo, ajeitou a gravata e entrou no elevador. O executivo impecável estava de volta.
Gustavo apareceu minutos depois em sua sala.
- Onde você se meteu ontem? - perguntou num tom casual, mas os olhos estavam atentos. - Saiu correndo como se fosse apagar incêndio.
Eduardo relaxou na cadeira, puxando uma pasta de relatórios como se nada fosse.
- Eu te devo satisfação agora? - desviou. - Me fala dos preparativos para a abertura do capital. Quero detalhes.
Era a desculpa perfeita - e precisava acreditar nela tanto quanto queria que o resto do mundo acreditasse.
O amigo sorriu.
- Está andando bem. O marketing das doações foi um acerto. A credibilidade do Grupo subiu muito. - Fez uma pausa significativa. - É uma pena o divórcio acontecer justo agora… Vivian sempre cuidou pessoalmente dessas doações. O público adora a imagem dela. Teria sido ouro puro para a campanha.
- Na verdade… - Eduardo começou, mas o telefone interrompeu. No visor, apenas uma palavra: Avô.
Atendeu com voz firme:
- Sim, senhor.
Do outro lado, Gilbert foi direto:
- Fui informado do cancelamento do divórcio. É verdade?
- Sim - Eduardo respondeu sem hesitar. - Pelo menos até a abertura do capital. Não podemos dar margem para especulações agora.
Silêncio. Então, uma gargalhada seca.
- Finalmente usou a cabeça. Essa moça pode não ter pedigree, mas é dez vezes mais competente que você. - O tom era duro, mas, pela primeira vez, quase soava como elogio. - As doações foram um golpe de mestre. Se for esperto, segure essa mulher.
Eduardo engoliu em seco.
Eduardo recostou-se na cadeira, um sorriso de soberba surgindo.
- No fundo, ela queria esse cancelamento. Eu vi nos olhos dela. Só está magoada. Marcos me mostrou as câmeras do hotel no aniversário dela… acho que ouviu vocês falando bobagens. E você sabe como mulheres são… sensíveis.
Gustavo arqueou a sobrancelha.
- Se não me engano, quem a chamou de “insípida e sem sal” foi você.
O silêncio caiu como chumbo. Eduardo reprimiu a lembrança do último olhar de Vivian naquela manhã. Não era o olhar de alguém que voltaria fácil.
Ainda assim, tirou a carteira do bolso, pegou um cartão e o girou entre os dedos. O preto brilhava, as letras douradas estampavam um nome:
Vivian Braga.
Um sorriso frio curvou seus lábios.
- Eu tenho o antídoto para a sensibilidade dela.

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