Vivian
Chegou à mansão já passava das nove. Digitou a senha e entrou sem hesitar. O barulho vindo da cozinha a guiou até lá.
Eduardo, de costas para ela, diante do micro-ondas aberto, bufando como se travasse uma batalha perdida contra o aparelho. Na bancada, uma tigela deformada, a comida ressecada e o cheiro de plástico queimado impregnando o ar.
Foi esse caos que Vivian notou primeiro. Mas, quando ele se virou, o ar pareceu sumir de seus pulmões.
Os cabelos ainda pingavam pequenas gotas que escorriam pelo pescoço e deslizavam pelo peito largo. A toalha enrolada de forma descuidada na cintura deixava à mostra o abdômen definido, músculos rígidos, pele úmida refletindo a luz suave do ambiente. O contraste entre a bagunça e a perfeição quase arrogante do corpo dele a desarmou por um instante.
Vivian odiava aquilo - odiava a facilidade com que o corpo dela reagia. O coração acelerou, a boca secou. Por um segundo, quase esqueceu o motivo de estar ali.
Eduardo notou seu olhar preso e sorriu torto, como quem tem plena consciência do efeito que causa.
- Ainda lembra o endereço de casa? - soltou, em tom provocativo.
Vivian piscou, ainda se recuperando da visão dele praticamente nu.
- Quer olhar mais de perto? - ele provocou, inclinando-se levemente, como se tivesse certeza da resposta.No fundo, Eduardo sentia a excitação crescer. O jeito como ela molhou os lábios… já imaginava como aquela birra dela terminaria rapidinho daqui a pouco.
Mas bastou aquele ar arrogante para Vivian despertar do transe.
Ela jogou o envelope que trazia sobre a mesa.
- Estava apenas admirando como alguém que se gaba de ter um QI altíssimo não sabe nem usar um micro-ondas.
Eduardo arqueou a sobrancelha.
- Tá me chamando de burro, querida esposa?
- Vice-presidente - rebateu, no mesmo tom afiado - foi só uma observação. Mas não estou aqui pra brincar.
Ele reparou, finalmente, que ela não trazia malas.
- Onde estão suas coisas?
- Não voltei pra ficar.


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