Vivian
Entrou em casa tarde da noite, os saltos nas mãos, os pés doloridos. O sucesso da noite ainda parecia ecoar nos corredores silenciosos da mansão. O salão da galeria havia ficado lotado, colecionadores disputando cada escultura com arremates ousados, jornalistas ávidos anotando cada detalhe, e os jornais já prometendo manchetes para a manhã seguinte. Até mesmo o famoso e recluso Brete Duarte, que raramente aceitava se expor, havia deixado a noite com um discreto sorriso no rosto.
Matheus estava radiante, e, no fundo, Vivian também. Ainda assim, ao atravessar a porta de casa, percebeu como a adrenalina cedia lugar a um peso no peito.
Largou a bolsa sobre a poltrona, suspirou fundo e se deixou cair no sofá. O brilho do evento não apagava a lembrança incômoda: Eduardo e Elisa.
Fechou os olhos por um instante, tentando afastar aquela imagem. Por que ainda me importo? - pensou, irritada consigo mesma. Passara a noite fingindo que não via Elisa se pendurando no marido, que não percebia o olhar fixo de Eduardo atravessando a multidão, sempre a procurando como se tentasse prendê-la sem ao menos tocá-la. Fingiu com maestria… mas, por dentro, o ciúme queimava como brasas escondidas sob cinzas.
- Ridículo - murmurou para si mesma, levando a mão à testa. - Quando é que você vai criar vergonha na cara, Vivian?
Subiu para o quarto de hóspedes com passos lentos. Tomou um banho rápido, deixou a água morna escorrer pelo corpo cansado, vestiu uma camisola leve e, exausta, apagou assim que encostou a cabeça no travesseiro.
Não soube quanto tempo depois, mas acordou com um estrondo: a porta batendo contra a parede.
- Vivian… - a voz arrastada, pastosa, ecoou no quarto.
Ela se sentou assustada. Eduardo estava ali, apoiado no batente da porta. O terno amarrotado, a gravata solta, os cabelos despenteados. O cheiro forte de uísque dominava o ar antes mesmo dele dar um passo.
- Eduardo? O que você está fazendo aqui? - perguntou, a voz baixa, mas firme.
Ele riu, um riso sem alegria, tropeçando alguns passos para dentro.
- Você… você não pode amar aquele sujinho - apontou o dedo trêmulo, os olhos vermelhos. - O artista, o maltrapilho… ele não é pra você.
Vivian apertou os lábios, incrédula.
- Pelo amor de Deus, você está bêbado - levantou-se depressa, tentando mantê-lo afastado. - Volta para o seu quarto, vai descansar.
- Não… - ele avançou, cambaleante, tentando se aproximar. - Você sempre foi minha, Vivian. Sempre…
E, de repente, se jogou sobre a cama, caindo pesado.
- Vem deitar… eu não consigo dormir sem você - murmurou, tentando puxá-la para perto.
- Sai daqui, Eduardo! - exclamou, empurrando-o com firmeza.
O empurrão não foi forte, mas ele perdeu o equilíbrio. Cambaleou e caiu no tapete, a cabeça batendo contra a quina da mesinha de canto.
- Eduardo! - Vivian se ajoelhou depressa ao lado dele. Um corte pequeno, mas sangrando, abria-se na testa.
Correu até o banheiro, pegou o kit de primeiros socorros e voltou. Eduardo gemia baixo, as lágrimas se misturando ao sangue.
- Você está bem? Consegue me ouvir? - perguntou, pressionando uma gaze contra o ferimento.
Ele a segurou pelo pulso, os olhos marejados.
- Não me abandona também… - sussurrou.
Vivian sentiu o coração apertar. Aquele não era o homem arrogante, frio e controlador que ela conhecia. Era um menino ferido, perdido, implorando por algo que nem ele sabia explicar.
Vivian sentiu o coração vacilar. Era como se, por um instante, estivesse diante do Eduardo de antes, aquele menino vulnerável e fofo.
Ele riu baixinho, a respiração entrecortada, enquanto examinava distraído a caixa de curativos ainda nas mãos dela.
- Você… sabe que eu sou sério… e me põe um desenho ridículo na testa.
Vivian arqueou uma sobrancelha.
- Não reclame. Podia ser da Dora Aventureira.
Apesar do corte, ele soltou uma gargalhada curta, sincera. Vivian aproveitou o momento para ajudá-lo a subir na cama. Ele pesava como uma montanha, e cada esforço dela arrancava um resmungo dele. Assim que se ajeitou, Eduardo a puxou para mais perto.
Ela tentou resistir, mas os braços pesados dele envolveram sua cintura com força. Quando percebeu, já estava deitada ao lado dele, o corpo colado ao dele, o cheiro de álcool misturado ao perfume caro impregnando o ar.
O corpo dele tremia levemente.
- Não me deixa, Vivi… - repetiu, como um mantra, até que a respiração começou a desacelerar.
Vivian ficou imóvel, ouvindo o coração dele bater contra seu ombro. Cada fibra dela gritava que deveria empurrá-lo, levantar-se e fugir. Mas algo mais forte a mantinha ali, presa naquele abraço que, apesar de tudo, ainda lhe parecia perigosamente familiar.
Ela fechou os olhos, tentando se convencer de que era apenas cansaço, apenas compaixão. Mas o calor que se espalhava por sua pele dizia outra coisa.
E, no silêncio da madrugada, entre feridas, lembranças e um estranho conforto, os dois adormeceram juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....