Eduardo
Do lado de fora da galeria, Elisa segurou o braço de Eduardo com uma delicadeza ensaiada. O vento da noite agitava os fios soltos de seu cabelo, e o vestido vermelho ainda chamava atenção mesmo sob a luz amarelada da rua.
- A noite está só começando - ela disse, com um sorriso insinuante. - Podemos ir a um lounge que conheço. Tem música ao vivo, bons drinques… você vai adorar.
- Não, Elisa. - Sua voz saiu firme, seca, ele puxou sem delicadeza o seu braço. - Estou cansado. Vou sair sozinho.
Ele abriu a porta do carro com um gesto frio e entrou, deixando Elisa parada na calçada com o sorriso despencando. O motorista fechou a porta atrás dele, e o carro arrancou em silêncio.
Minutos depois, em vez de ir para casa, Eduardo pediu que o deixasse em um bar discreto. O ambiente estava meio escuro, com luzes amareladas refletindo no balcão de madeira gasto pelo tempo. Havia música ambiente, mas não alta o suficiente para impedir uma boa conversa. O cheiro de uísque e madeira polida misturava-se ao som ritmado de copos sendo colocados sobre as mesas.
Eduardo pediu uma dose dupla logo que entrou. Não queria pensar, não queria lembrar da cena que queimava em sua mente: Vivian na galeria, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, o sorriso leve enquanto falava com Matheus. Não havia afetação, não havia esforço - apenas uma naturalidade que o deixava furioso. Porque aquele sorriso não era para ele.
Antes, a Vivian que conhecia teria feito uma cena. Discreta, mas presente: sempre reivindicava o lugar ao lado dele, afastando qualquer mulher que ousasse se aproximar. Mas naquela noite… nada. Nenhuma reação. Era como se ele fosse invisível.
- Você está com uma cara péssima. - A voz de Gustavo o arrancou dos próprios pensamentos. O amigo chegou atrasado, como sempre, trazendo o mesmo jeito irreverente de costume. - O que houve? Perdeu dinheiro na bolsa?
Eduardo lançou-lhe um olhar carregado, mas não respondeu de imediato. Levou o copo aos lábios, deixou o álcool queimar a garganta antes de dizer:
- Não podemos mais sair pra beber?.
Gustavo arqueou uma sobrancelha, puxou uma cadeira e se acomodou ao lado dele no balcão.
- Ah, corta essa cara. Eu te conheço há tempo suficiente pra saber que alguma coisa deu muito errado hoje.
Eduardo bufou, impaciente.
- Não é isso. É que… - parou, passando a mão pelos cabelos, nervoso. - Ela estava naquela maldita galeria como se eu não existisse. Conversando com Matheus, rindo, trabalhando como se nada mais importasse.
- A Vivian? - Gustavo pareceu confuso.
- Quem mais?
- E? - o amigo fez sinal ao garçom pedindo uma bebida. - Isso não é exatamente o que ela devia fazer? Se bem me lembro, você odiava que ela quisesse estar grudada em você o tempo todo. Agora ela está vivendo a vida dela… por que isso te incomoda?
- Não dessa forma. - Eduardo rebateu, num tom baixo, quase um desabafo. - Ela nem me olhou, Gustavo. Nem uma vez.
O amigo deu um gole no drink que acabara de chegar e soltou uma risada curta.
- E desde quando você se importa se a Vivian olha ou não pra você?
Eduardo se calou. Quis responder com a arrogância habitual, mas não encontrou palavras. Em vez disso, virou mais uma dose, tentando afogar o nó na garganta.
- Você devia ter visto… - disse, após um silêncio pesado. - Estava de risadinhas com aquele pintorzinho de quinta, todo sujo de tinta, parece que nunca toma banho.
Gustavo encostou-se no encosto da cadeira, estudando o amigo com olhos atentos.
- Isso te incomodou tanto assim?
- Não é incômodo. - Eduardo retrucou de imediato, mas a firmeza na voz não combinava com a tensão em seus ombros. - Só… não é normal.
- Não é normal pra você. - Gustavo corrigiu, tranquilo. - Está acostumado a ser o centro do mundo dela.
- Pode? - Gustavo inclinou-se novamente, sério. - Ou vai tentar resolver do jeito de sempre, sufocando cada emoção? Porque, se for assim, esquece. Deixa a Vivian em paz.
Eduardo não respondeu. O silêncio entre os dois foi pesado, quebrado apenas pelo tilintar de copos ao redor.
Gustavo tomou outro gole, depois deu-lhe um tapa no ombro.
- Aceita logo, meu amigo. Você está ferrado. Apaixonado e atrasado.
Eduardo virou a última dose de uma vez, o álcool queimando como a raiva que sentia - de Vivian, de Elisa, mas principalmente de si mesmo.
De volta à mansão, o silêncio era sufocante, quebrado apenas pelo som distante do relógio antigo no corredor. Eduardo tirou o paletó e o jogou sobre a poltrona, sem se importar. Caminhou até a varanda, onde a noite parecia mais escura do que nunca, e acendeu um cigarro, mesmo sem ser um fumante assíduo. Precisava de algo para ocupar as mãos, para distrair o turbilhão de pensamentos.
As palavras de Gustavo ainda ecoavam em sua mente: “Você está apaixonado… e atrasado.”
Ele soltou a fumaça devagar, encarando o vazio. Apaixonado. A palavra soava quase como uma ofensa, um peso que nunca quis carregar. Sempre soube que sentimentos eram fraquezas, correntes que prendiam os homens e os tornavam vulneráveis. E, no entanto, ali estava ele - vulnerável, perdido, irritado com o simples fato de que Vivian não havia lhe dirigido um olhar naquela noite.
Quando foi que perdi o controle?
Esmagou o cigarro no cinzeiro, o peito pesado.
E se Gustavo estiver certo?
E se for tarde demais?
A pergunta ecoou em sua mente enquanto voltava para dentro. A mansão parecia fria, ainda que luxuosa. As paredes, os móveis, tudo estava no lugar… exceto ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....