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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 35

Eduardo

Do lado de fora da galeria, Elisa segurou o braço de Eduardo com uma delicadeza ensaiada. O vento da noite agitava os fios soltos de seu cabelo, e o vestido vermelho ainda chamava atenção mesmo sob a luz amarelada da rua.

- A noite está só começando - ela disse, com um sorriso insinuante. - Podemos ir a um lounge que conheço. Tem música ao vivo, bons drinques… você vai adorar.

- Não, Elisa. - Sua voz saiu firme, seca, ele puxou sem delicadeza o seu braço. - Estou cansado. Vou sair sozinho.

Ele abriu a porta do carro com um gesto frio e entrou, deixando Elisa parada na calçada com o sorriso despencando. O motorista fechou a porta atrás dele, e o carro arrancou em silêncio.

Minutos depois, em vez de ir para casa, Eduardo pediu que o deixasse em um bar discreto. O ambiente estava meio escuro, com luzes amareladas refletindo no balcão de madeira gasto pelo tempo. Havia música ambiente, mas não alta o suficiente para impedir uma boa conversa. O cheiro de uísque e madeira polida misturava-se ao som ritmado de copos sendo colocados sobre as mesas.

Eduardo pediu uma dose dupla logo que entrou. Não queria pensar, não queria lembrar da cena que queimava em sua mente: Vivian na galeria, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, o sorriso leve enquanto falava com Matheus. Não havia afetação, não havia esforço - apenas uma naturalidade que o deixava furioso. Porque aquele sorriso não era para ele.

Antes, a Vivian que conhecia teria feito uma cena. Discreta, mas presente: sempre reivindicava o lugar ao lado dele, afastando qualquer mulher que ousasse se aproximar. Mas naquela noite… nada. Nenhuma reação. Era como se ele fosse invisível.

- Você está com uma cara péssima. - A voz de Gustavo o arrancou dos próprios pensamentos. O amigo chegou atrasado, como sempre, trazendo o mesmo jeito irreverente de costume. - O que houve? Perdeu dinheiro na bolsa?

Eduardo lançou-lhe um olhar carregado, mas não respondeu de imediato. Levou o copo aos lábios, deixou o álcool queimar a garganta antes de dizer:

- Não podemos mais sair pra beber?.

Gustavo arqueou uma sobrancelha, puxou uma cadeira e se acomodou ao lado dele no balcão.

- Ah, corta essa cara. Eu te conheço há tempo suficiente pra saber que alguma coisa deu muito errado hoje.

Eduardo bufou, impaciente.

- Não é isso. É que… - parou, passando a mão pelos cabelos, nervoso. - Ela estava naquela maldita galeria como se eu não existisse. Conversando com Matheus, rindo, trabalhando como se nada mais importasse.

- A Vivian? - Gustavo pareceu confuso.

- Quem mais?

- E? - o amigo fez sinal ao garçom pedindo uma bebida. - Isso não é exatamente o que ela devia fazer? Se bem me lembro, você odiava que ela quisesse estar grudada em você o tempo todo. Agora ela está vivendo a vida dela… por que isso te incomoda?

- Não dessa forma. - Eduardo rebateu, num tom baixo, quase um desabafo. - Ela nem me olhou, Gustavo. Nem uma vez.

O amigo deu um gole no drink que acabara de chegar e soltou uma risada curta.

- E desde quando você se importa se a Vivian olha ou não pra você?

Eduardo se calou. Quis responder com a arrogância habitual, mas não encontrou palavras. Em vez disso, virou mais uma dose, tentando afogar o nó na garganta.

- Você devia ter visto… - disse, após um silêncio pesado. - Estava de risadinhas com aquele pintorzinho de quinta, todo sujo de tinta, parece que nunca toma banho.

Gustavo encostou-se no encosto da cadeira, estudando o amigo com olhos atentos.

- Isso te incomodou tanto assim?

- Não é incômodo. - Eduardo retrucou de imediato, mas a firmeza na voz não combinava com a tensão em seus ombros. - Só… não é normal.

- Não é normal pra você. - Gustavo corrigiu, tranquilo. - Está acostumado a ser o centro do mundo dela.

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