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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 37

Eduardo

A manhã entrou pesada, como se o sol tivesse se transformado em inimigo. Eduardo acordou com a cabeça latejando, os olhos ardendo, a boca seca. Não era a primeira ressaca de sua vida, mas aquela parecia diferente - como se não fosse apenas o álcool que o castigava, mas também a lembrança do que não conseguia organizar em sua mente.

Esfregou os olhos e só então percebeu onde estava: o quarto de hóspedes. O lençol tinha um perfume delicado, floral, inconfundível. Vivian. Mesmo que ela não estivesse ali, o cheiro dela impregnava nos travesseiros e, principalmente, em sua pele. Eduardo passou a mão no peito, recordando-se de um instante fugaz na madrugada: acordara por alguns segundos e a sentira nos braços. O mundo parecia ter finalmente voltado ao lugar certo, e ele adormecera outra vez, ignorando a dor insistente na testa.

Agora, no entanto, a realidade era cruel.

Levantou-se devagar, levando a mão à cabeça. Um pequeno curativo cobria o corte na testa. No reflexo do espelho no banheiro, ele notou a figura amarela sorridente estampada no adesivo. Bob Esponja. Um detalhe ridículo, infantil, mas que, de alguma forma, era um distintivo. O sinal claro de que Vivian, apesar de tudo, ainda se importava com ele.

- Merda… - murmurou para si mesmo, tocando o band-aid com cuidado.

O banho trouxe algum alívio, mas não apagou a confusão na mente. Evitou molhar o curativo, como se tivesse medo de apagar aquele rastro de cuidado. Vestiu-se com a mesma precisão de sempre: terno impecável, gravata alinhada. Ainda assim, quando se olhou no espelho, sentiu-se mais vulnerável do que em qualquer negociação que já travara.

Ao descer para o café, encontrou Dona Lúcia na copa, arrumando a mesa.

- Bom dia, senhor Eduardo. - ela cumprimentou, erguendo os olhos curiosos para o curativo colorido.

- Bom dia… - ele respondeu, seco, como de costume. Olhou em volta, mas não viu Vivian. - Minha esposa… ela está em casa?

Dona Lúcia pareceu hesitar por um instante, como se medisse as palavras.

- A senhora Vivian saiu cedo, antes mesmo do café. Avisou que não volta para o jantar.

Eduardo sentiu o estômago revirar. O tom era polido, mas a mensagem cortava como lâmina.

- E ela disse… porque? - a pergunta escapou, carregada de uma raiva que ele tentou disfarçar.

- Apenas comentou que teria compromissos no trabalho. - Dona Lúcia respondeu, voltando o olhar para a toalha como se fosse mais segura que encarar o patrão.

Eduardo cerrou o maxilar. Um nó de ciúme e fúria subiu pela garganta. A imagem de Vivian rindo ao lado do artista se impôs diante dos olhos dele.

- Entendi. - sua voz era baixa, contida, mas cada sílaba trazia o peso de um trovão prestes a explodir.

Virou-se sem comer nada, apenas apanhou a pasta e atravessou o saguão da mansão. No fundo, tudo o que queria era colocar as mãos em Matheus e arrancar a tinta do couro dele.

No escritório, o burburinho habitual corria pelos corredores, mas havia algo diferente no ar. Funcionários disfarçavam olhares curiosos, cochichos abafados, mas ninguém ousava perguntar sobre o curativo colorido na testa do vice-presidente. Eduardo manteve o semblante sério, ignorando cada olhar, embora soubesse que todos notavam.

Foi só quando Gustavo o encontrou no escritório que a zombaria foi descarada.

- Meu Deus do céu… - ele disse, jogando-se na poltrona diante da mesa de Eduardo. - O Braga, o temido magnata, o homem que arrasa corações e destrói concorrentes… com um Bob Esponja na testa. Eu vivi pra ver isso.

Eduardo levantou os olhos dos papéis que fingia ler, sem esboçar reação.

- Vai se danar, Gustavo.

- Não dá, cara. - Gustavo riu alto, balançando a cabeça. - Você não tem noção do quanto isso é maravilhoso. Aposto que ninguém acreditaria mesmo se eu mostrasse uma foto.

- Não ouse. - A voz de Eduardo saiu baixa, carregada de ameaça.

- Relaxa, não vou expor o homem que paga minhas bebidas. - Gustavo ergueu as mãos em rendição, mas ainda sorria. - Mas agora eu preciso saber. O que foi isso? - Ele apontou para o curativo.

- Você sempre disse que não se apaixonava, que sentimento era fraqueza. - Gustavo continuou. - Mas, amigo, sinto informar: isso que você sente não é hábito, não é posse. É ciúme. É desejo. É… amor.

A palavra caiu pesada, quase ofensiva. Eduardo desviou o olhar, encarando o reflexo distorcido no vidro da janela.

Por alguns segundos, o silêncio tomou conta do escritório. Apenas o som distante dos telefones e teclados preenchia o espaço.

Eduardo fechou os olhos, apoiando os dedos nas têmporas.

- Eu estou com ciúmes dela, sim. - admitiu, a voz baixa, quase um sussurro. - E talvez… talvez não seja só por hábito.

Gustavo arqueou as sobrancelhas, como se esperasse mais. Mas Eduardo se calou, encerrando a conversa com um gesto brusco.

- Já chega. Tenho trabalho a fazer.

O amigo sorriu de canto, como quem sabia que já tinha vencido a discussão.

- Tudo bem, não vou insistir. Mas pensa, Eduardo. - bateu no ombro dele antes de sair. - O pior erro não é se apaixonar. O pior erro é perceber tarde demais.

Eduardo ficou sozinho. Tentou voltar aos papéis, mas as palavras embaralhavam diante de seus olhos. A mente o traía, voltando sempre ao mesmo ponto: Vivian. O perfume dela no travesseiro. O toque delicado quando cuidou do ferimento. O calor dela ao seu lado, mesmo que por um instante roubado.

Passou o dia em silêncio, escondido atrás da máscara de homem implacável, mas por dentro era apenas um turbilhão.

No fundo, sabia que Gustavo tinha razão. Pela primeira vez, assumira pra si aquilo que sempre negara: estava com ciúmes, estava apaixonado. Traíra a única promessa que fizera a si mesmo - nunca mais amar novamente.

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