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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 66

Dez anos antes…

Vivian

O tempo deixou de existir naquele quarto.

Era como se o mundo inteiro tivesse ficado do lado de fora, suspenso.

Ali, só havia o som das respirações entrelaçadas, enchendo o espaço com uma cadência que parecia ter o próprio pulso.

O gosto dele, o perfume misturado ao dela, o roçar de peles e o som abafado dos corações - tudo se fundia.

Cada sentido estava desperto, vívido demais, como se a realidade tivesse se tornado algo palpável, quente, vivo.

As mãos dele a puxaram para mais perto, e Vivian não resistiu.

Deixou-se guiar, perdida no calor do toque, no contraste entre a força e a delicadeza que ele usava ao segurá-la.

Podia sentir o coração dele bater acelerado, em compasso com o seu, e por um instante soube - sem precisar de palavras - que nada fora em vão.

Naquele breve fragmento de eternidade, nos braços dele, tudo fazia sentido.

Os pensamentos dela se dissolveram como névoa.

Não havia passado, nem futuro - apenas o agora.

O calor da pele dele, o toque que parecia prometer e pedir ao mesmo tempo, o olhar intenso que a despia mais do que qualquer gesto poderia.

Vivian sentia o corpo responder antes mesmo de entender o que sentia.

Era como se tudo o que havia guardado - o medo, a dúvida, o desejo contido por anos - viesse à tona de uma só vez.

E, no meio desse turbilhão, havia ternura.

Um cuidado silencioso no modo como ele a tocava, como se temesse quebrá-la.

Ela fechou os olhos, deixando que o instante a envolvesse.

O mundo poderia ruir lá fora, e ela não se importaria.

Eduardo murmurou algo contra os lábios dela - uma desculpa, talvez um aviso - mas ela apenas balançou a cabeça, sem querer ouvir.

- Não para… - sussurrou, sem reconhecer a própria voz.

Ele a olhou com uma mistura de ternura e rendição.

E então o beijo se aprofundou.

As mãos dele percorriam seu corpo com uma reverência que a fez estremecer.

Nada era apressado.

Cada toque parecia uma descoberta.

Quando os lábios dele tocaram sua pele, ela prendeu a respiração.

Um arrepio percorreu sua nuca, e o mundo inteiro pareceu se reduzir àquele toque.

As emoções se misturavam - medo, desejo, ternura e algo ainda mais profundo, uma espécie de reconhecimento.

Vivian não sabia o que viria depois.

Mas não havia bilhete. Nem um recado.

O relógio marcava quase dez da manhã.

Do lado de fora, o som distante do hotel voltava à rotina - passos, portas batendo, um aspirador de pó.

Tudo parecia continuar, como se nada tivesse acontecido.

Vivian passou os dedos pelos lençóis amarrotados, tentando prender o instante que escapava por entre os dedos.

Podia jurar que ainda sentia o toque dele, o peso do olhar, o calor do corpo.

Mas agora, tudo o que restava era o silêncio.

Respirou fundo, tentando recompor-se.

Não havia lágrimas, nem raiva - apenas uma espécie de vazio calmo, como o intervalo entre uma onda e outra.

Ela se levantou, vestiu-se em silêncio e foi até a janela.

O céu estava limpo, um azul quase cruel.

Por um instante, pensou em procurá-lo, em perguntar onde ele estava, o que aquilo significava.

Mas algo dentro dela - talvez orgulho, talvez medo - a fez ficar quieta.

Encostou a testa no vidro frio e fechou os olhos.

Não sabia se o que viveram tinha sido um erro ou uma promessa.

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