Dez anos antes…
Eduardo
O silêncio do quarto era habitado apenas pelo ritmo suave de suas respirações.
Vivian repousava ao seu lado, o rosto sereno voltado para ele, os cabelos escuros esparramando-se sobre o travesseiro como um manto sedoso. Uma de suas mãos descansava sobre seu estômago, um gesto protetor que atravessara até mesmo as barreiras do sono.
Quando Eduardo tentou ajustar sua posição, o movimento fez com que os dedos dela deslizassem inadvertidamente para baixo, roçando um ponto que fez o ar faltar em seus pulmões.
Ele prendeu a respiração.
Seu corpo reagiu antes que a razão pudesse intervir - um impulso ancestral, puro e incontornável.
O movimento a despertou. Seus olhos se abriram, pesados de sono, e quando a compreensão chegou, um rubor suave subiu por seu rosto.
"Eduardo... você... está melhor?", sussurrou, sua voz ainda embaçada pelo repouso.
Ele tentou responder, mas as palavras morreram em seus lábios. Toda sua concentração se dissolveu diante daquele rubor, do tremor de suas pestanas, da inocência misturada à tensão que pairava no ar. Aquele simples toque, não intencional mas carregado de significado, quebrou o controle que ele mantivera por tanto tempo.
Ele se inclinou para frente como se puxado por uma força maior que sua própria vontade.
O beijo aconteceu não como uma escolha, mas como uma conclusão inevitável - o ponto final de uma sentença que vinha sendo escrita desde sua adolescência.
Vivian hesitou por um breve instante, surpresa, mas então correspondeu com a mesma urgência silenciosa que ele carregava consigo há anos.
Suas mãos encontraram sua cintura, puxando-a para mais perto, sentindo o corpo dela se moldar ao seu com uma naturalidade que o deixou sem ar. Seu coração batia com força contra as costelas, dolorido e vivo, como se quisesse escapar do peito.
"Pare", pensou.
Mas suas mãos não obedeceram.
Seus dedos subiram pelas suas costas, sentindo o tecido do vestido, o calor da pele sob o pano. Vivian soltou um suspiro, e o som destruiu os últimos vestígios de sua racionalidade.
Ele a puxou ainda mais para perto, e ela se acomodou sobre ele, seu corpo leve, seu perfume suave envolvendo seus sentidos. Tudo nele clamava por ela - a saudade, o desejo, a culpa, o amor não confessado.
Por anos, ele fingira que não sentia nada. Fingira que o primeiro beijo não o assombrava nas noites solitárias. Fingira que o que sentia era apenas gratidão ou afeto.
Mas naquele instante, todas as mentiras se desfizeram.
-Eu deveria parar - sussurrou, sua voz rouca pela emoção contida.
Vivian sorriu, aquele sorriso pequeno e torto que sempre o desarmou completamente.
Suas mãos começaram a desabotoar sua camisa, cada toque deixando um rastro de fogo em sua pele. Quando ela conseguiu, ele a ajudou a removê-la, expondo seu peito onde o coração batia visivelmente.
Vivian o observava, seus dedos traçando os contornos de seus músculos, seu toque tão leve quanto uma pena mas mais potente que qualquer tempestade.
Seus dedos tremiam levemente quando tentou puxar o vestido sobre sua cabeça.
- Espera - ela disse, sua voz um sopro.
Ele parou imediatamente, seu corpo tensionado, suas mãos cerradas como se pudesse conter através da força física o desejo que o consumia - como se isso ainda fosse possível.
Vivian deslizou para fora da cama. Seus braços moveram-se para as costas, e em alguns segundos o vestido deslizou para o chão, revelando uma lingerie delicada, adornada com pequenos corações. Era a coisa mais doce e, ao mesmo tempo, mais eroticamente inocente que ele já vira.
Ele estendeu a mão para puxá-la de volta, mas ela gentilmente o empurrou, fazendo com que caísse de costas na cama. Ela inclinou-se sobre ele, beijando suavemente seu peito, depois descendo com os lábios pelo abdômen até encontrar a linha de seu cinto.
Então ela parou, e ele pôde ver a timidez retornando aos seus olhos. Com um movimento suave, ele inverteu suas posições, ficando agora sobre ela, protegendo-a com seu corpo.
Suas mãos encontraram as costas dela, os dedos tremulando procurando o fecho do sutiã. Nos filmes parecia tão fácil, mas ele levou vários segundos - talvez porque suas mãos tremessem com a intensidade do momento. Quando finalmente conseguiu, e o sutiã se afastou, seus lábios encontraram seus seios com uma devoção que fez Vivian arquejar.
Seus gemidos suaves estavam levando-o à beira do precipício, muito antes que estivessem completamente livres das roupas que ainda os separavam. Cada som que ela fazia era uma confirmação, cada toque uma revelação - esta não era apenas paixão, era o fechamento de um ciclo, o reencontro de duas partes de uma mesma alma que vagaram separadas por tempo demais.

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