Dez anos antes…
Elisa
Ela sempre soube reconhecer um bom investimento.
Alguns apostavam em ações, outros em imóveis - ela preferia apostar em pessoas.
E, desde o primeiro dia na universidade, Eduardo Braga era o mais promissor de todos.
O herdeiro do grupo Braga.
Bonito, arrogante, inacessível.
O tipo de homem que fazia as outras garotas suspirarem pelos corredores, sonhando com um olhar ou um sorriso.
Para Elisa, no entanto, ele era mais que um rosto bonito.
Era o bilhete dourado.
Filho de uma das famílias mais influentes do país, criado para comandar um império.
Um homem que não pertencia a ninguém - ainda.
Ela observou desde o primeiro dia de aula: o modo como ele andava, sempre em linha reta, como se o mundo se abrisse à sua frente; o jeito como ignorava os olhares, como se estivesse acima de tudo.
E estava.
Elisa nunca quis ser uma entre as muitas que tentavam se aproximar.
Sabia que ele desprezava o óbvio.
Enquanto as outras riam alto demais e se empoleiravam nos bancos tentando ser notadas, ela preferia observar.
Esperar.
Nos primeiros meses, manteve uma distância estratégica.
Mas cada passo era calculado.
Ela escolhia sentar-se duas fileiras atrás dele nas aulas, o suficiente para que, quando o professor fizesse uma pergunta difícil, ela pudesse responder - com segurança, com clareza - e chamar a atenção do “Braga”.
Não funcionava de imediato, claro.
Ele raramente olhava para alguém.
Mas ela notou, um dia, a maneira como o olhar dele parou sobre ela por meio segundo a mais.
O tipo de detalhe que ninguém mais perceberia, mas que para Elisa significava progresso.
Pouco a pouco, começou a tecer a teia.
Tornou-se amiga de um dos colegas de grupo de Eduardo, um garoto chamado André, que parecia adorar fofocar sobre tudo e todos.
Foi ele quem lhe contou, casualmente, que Eduardo preferia cafés fortes, que detestava perfume doce e que sempre chegava cedo às aulas de finanças, porque gostava de revisar anotações antes da turma chegar.
Elisa aproveitou cada informação.
Passou a frequentar o mesmo café, pedindo o mesmo tipo de bebida, até que os encontros “por acaso” se tornaram rotina.
No início, ele apenas acenava com a cabeça.
Depois, passou a cumprimentá-la.
Nada mais que um “bom dia”, dito em tom neutro - mas, para ela, era suficiente.
“Devagar”, ela se dizia. “O segredo é fazê-lo achar que é ele quem está se aproximando.”
Ela esperou o momento certo para dar o próximo passo.
Um dia, no fim da aula, quando Eduardo deixara cair um livro de anotações, ela foi quem se abaixou para pegá-lo.
- Cuidado - disse, com um sorriso que parecia inocente, mas não era. - Um livro desses pode valer uma fortuna nas mãos erradas.
Ele riu, um som breve, quase imperceptível, mas real.
E foi naquele instante que Elisa sentiu que tinha conseguido o primeiro avanço real.
Nos meses seguintes, os gestos se multiplicaram: um comentário inteligente durante uma discussão em sala, um elogio sutil a um trabalho bem feito, um olhar demorado nas festas.
Nada explícito.
Eduardo não tolerava insistência, e ela sabia.
Enquanto isso, observava quem mais o cercava.
Os colegas bajuladores, as garotas que fingiam interesse em economia apenas para sentar ao lado dele.
Elisa sabia que não era a única competindo por atenção - mas se considerava a única que realmente entendia o jogo.
A única que realmente a incomodava era ela. Vivian.
A sombra.
No início, Elisa nem prestou atenção.
Afinal, quem ligaria para a neta do mordomo da família Braga?
Uma menina simples, discreta demais, o tipo que se perde em meio a multidão.
Mas logo percebeu que havia algo diferente ali.
Eduardo a tratava com uma suavidade que não mostrava a ninguém mais.
Eles tinham uma conexão estranha, uma familiaridade antiga, perigosa.
E Elisa passou a observar os dois.
Cada olhar trocado, cada riso partilhado.
A forma como Vivian sempre parecia estar por perto, oferecendo ajuda, conselhos, anotações.
Era quase patético.
E, ao mesmo tempo, irritantemente eficaz.
Mesmo assim, Elisa manteve a compostura.
Sabia que o tempo trabalhava a seu favor.
Eduardo era ambicioso demais para se prender a uma garota como Vivian.
Quando chegasse o momento certo, ela seria a mulher ao lado dele - elegante, influente, impecável.
Vivian desapareceria como todas as outras.
Todos os seus planos estavam concentrados naquela festa.
O aniversário de Eduardo seria a chance de ouro.
Ela havia passado semanas se aproximando dos amigos dele, oferecendo ajuda na organização, controlando cada detalhe da noite.
Vinte.
Quando passou de meia hora e ninguém saiu do quarto, Elisa entendeu tudo.
Vivian podia parecer ingênua - mas não era.
Aquela garota sabia o que estava fazendo.
Elisa apertou o copo com tanta força que o gelo se partiu.
Dois anos de planos jogados no lixo por causa de uma ninguém.
Não era ciúme.
Era indignação.
Ela respirou fundo e se recompôs.
Ainda havia uma saída. Sempre há.
Na manhã seguinte, os rumores já circulavam.
Conseguir o contato de Cristina Braga foi ridiculamente fácil.
A madrasta de Eduardo tinha fama de ser vaidosa, controladora - e de adorar uma fofoca.
Elisa sabia que tipo de história oferecer.
Duas mensagens, três ligações e, quando finalmente se encontraram, bastaram alguns segundos para Cristina entender o poder daquelas imagens.
Eduardo, visivelmente bêbado, os braços em torno de Vivian, entrando no quarto do hotel.
Nada explícito, mas sugestivo o suficiente para incendiar reputações.
Cristina observou as fotos com um brilho frio no olhar.
- E o que exatamente você quer com isso, minha querida? - perguntou, mexendo distraidamente na xícara de café.
- Nada - respondeu Elisa, fingindo inocência. - Só achei que a senhora merecia saber. Há pessoas que esquecem o próprio lugar.
O silêncio que se seguiu foi quase doce.
Cristina sorriu, e Elisa soube que havia vencido.
O cheque veio minutos depois - dez milhões.
Um valor alto demais para uma estudante, mas irrisório perto da satisfação que sentiu ao ver o nome de Vivian sendo manchado pelas costas.
- Não se preocupe - disse Cristina, dobrando o envelope. - Eu vou cuidar dela.
Elisa fingiu hesitar, aceitando o dinheiro com um ar contido, quase digno.
Mas por dentro, vibrava.
E, naquela noite, Elisa se olhou no espelho do próprio quarto.
O cabelo impecável, o batom intacto, o cheque guardado com segurança.
Por fora, a imagem perfeita de uma jovem promissora.
Por dentro, o prazer frio de quem sabia que acabara de eliminar a concorrência.
Vivian podia ter tido uma noite com Eduardo.
Mas Elisa - Elisa tinha o futuro dele nas mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....