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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 67

Dez anos antes…

Elisa

Ela sempre soube reconhecer um bom investimento.

Alguns apostavam em ações, outros em imóveis - ela preferia apostar em pessoas.

E, desde o primeiro dia na universidade, Eduardo Braga era o mais promissor de todos.

O herdeiro do grupo Braga.

Bonito, arrogante, inacessível.

O tipo de homem que fazia as outras garotas suspirarem pelos corredores, sonhando com um olhar ou um sorriso.

Para Elisa, no entanto, ele era mais que um rosto bonito.

Era o bilhete dourado.

Filho de uma das famílias mais influentes do país, criado para comandar um império.

Um homem que não pertencia a ninguém - ainda.

Ela observou desde o primeiro dia de aula: o modo como ele andava, sempre em linha reta, como se o mundo se abrisse à sua frente; o jeito como ignorava os olhares, como se estivesse acima de tudo.

E estava.

Elisa nunca quis ser uma entre as muitas que tentavam se aproximar.

Sabia que ele desprezava o óbvio.

Enquanto as outras riam alto demais e se empoleiravam nos bancos tentando ser notadas, ela preferia observar.

Esperar.

Nos primeiros meses, manteve uma distância estratégica.

Mas cada passo era calculado.

Ela escolhia sentar-se duas fileiras atrás dele nas aulas, o suficiente para que, quando o professor fizesse uma pergunta difícil, ela pudesse responder - com segurança, com clareza - e chamar a atenção do “Braga”.

Não funcionava de imediato, claro.

Ele raramente olhava para alguém.

Mas ela notou, um dia, a maneira como o olhar dele parou sobre ela por meio segundo a mais.

O tipo de detalhe que ninguém mais perceberia, mas que para Elisa significava progresso.

Pouco a pouco, começou a tecer a teia.

Tornou-se amiga de um dos colegas de grupo de Eduardo, um garoto chamado André, que parecia adorar fofocar sobre tudo e todos.

Foi ele quem lhe contou, casualmente, que Eduardo preferia cafés fortes, que detestava perfume doce e que sempre chegava cedo às aulas de finanças, porque gostava de revisar anotações antes da turma chegar.

Elisa aproveitou cada informação.

Passou a frequentar o mesmo café, pedindo o mesmo tipo de bebida, até que os encontros “por acaso” se tornaram rotina.

No início, ele apenas acenava com a cabeça.

Depois, passou a cumprimentá-la.

Nada mais que um “bom dia”, dito em tom neutro - mas, para ela, era suficiente.

“Devagar”, ela se dizia. “O segredo é fazê-lo achar que é ele quem está se aproximando.”

Ela esperou o momento certo para dar o próximo passo.

Um dia, no fim da aula, quando Eduardo deixara cair um livro de anotações, ela foi quem se abaixou para pegá-lo.

- Cuidado - disse, com um sorriso que parecia inocente, mas não era. - Um livro desses pode valer uma fortuna nas mãos erradas.

Ele riu, um som breve, quase imperceptível, mas real.

E foi naquele instante que Elisa sentiu que tinha conseguido o primeiro avanço real.

Nos meses seguintes, os gestos se multiplicaram: um comentário inteligente durante uma discussão em sala, um elogio sutil a um trabalho bem feito, um olhar demorado nas festas.

Nada explícito.

Eduardo não tolerava insistência, e ela sabia.

Enquanto isso, observava quem mais o cercava.

Os colegas bajuladores, as garotas que fingiam interesse em economia apenas para sentar ao lado dele.

Elisa sabia que não era a única competindo por atenção - mas se considerava a única que realmente entendia o jogo.

A única que realmente a incomodava era ela. Vivian.

A sombra.

No início, Elisa nem prestou atenção.

Afinal, quem ligaria para a neta do mordomo da família Braga?

Uma menina simples, discreta demais, o tipo que se perde em meio a multidão.

Mas logo percebeu que havia algo diferente ali.

Eduardo a tratava com uma suavidade que não mostrava a ninguém mais.

Eles tinham uma conexão estranha, uma familiaridade antiga, perigosa.

E Elisa passou a observar os dois.

Cada olhar trocado, cada riso partilhado.

A forma como Vivian sempre parecia estar por perto, oferecendo ajuda, conselhos, anotações.

Era quase patético.

E, ao mesmo tempo, irritantemente eficaz.

Mesmo assim, Elisa manteve a compostura.

Sabia que o tempo trabalhava a seu favor.

Eduardo era ambicioso demais para se prender a uma garota como Vivian.

Quando chegasse o momento certo, ela seria a mulher ao lado dele - elegante, influente, impecável.

Vivian desapareceria como todas as outras.

Todos os seus planos estavam concentrados naquela festa.

O aniversário de Eduardo seria a chance de ouro.

Ela havia passado semanas se aproximando dos amigos dele, oferecendo ajuda na organização, controlando cada detalhe da noite.

Vinte.

Quando passou de meia hora e ninguém saiu do quarto, Elisa entendeu tudo.

Vivian podia parecer ingênua - mas não era.

Aquela garota sabia o que estava fazendo.

Elisa apertou o copo com tanta força que o gelo se partiu.

Dois anos de planos jogados no lixo por causa de uma ninguém.

Não era ciúme.

Era indignação.

Ela respirou fundo e se recompôs.

Ainda havia uma saída. Sempre há.

Na manhã seguinte, os rumores já circulavam.

Conseguir o contato de Cristina Braga foi ridiculamente fácil.

A madrasta de Eduardo tinha fama de ser vaidosa, controladora - e de adorar uma fofoca.

Elisa sabia que tipo de história oferecer.

Duas mensagens, três ligações e, quando finalmente se encontraram, bastaram alguns segundos para Cristina entender o poder daquelas imagens.

Eduardo, visivelmente bêbado, os braços em torno de Vivian, entrando no quarto do hotel.

Nada explícito, mas sugestivo o suficiente para incendiar reputações.

Cristina observou as fotos com um brilho frio no olhar.

- E o que exatamente você quer com isso, minha querida? - perguntou, mexendo distraidamente na xícara de café.

- Nada - respondeu Elisa, fingindo inocência. - Só achei que a senhora merecia saber. Há pessoas que esquecem o próprio lugar.

O silêncio que se seguiu foi quase doce.

Cristina sorriu, e Elisa soube que havia vencido.

O cheque veio minutos depois - dez milhões.

Um valor alto demais para uma estudante, mas irrisório perto da satisfação que sentiu ao ver o nome de Vivian sendo manchado pelas costas.

- Não se preocupe - disse Cristina, dobrando o envelope. - Eu vou cuidar dela.

Elisa fingiu hesitar, aceitando o dinheiro com um ar contido, quase digno.

Mas por dentro, vibrava.

E, naquela noite, Elisa se olhou no espelho do próprio quarto.

O cabelo impecável, o batom intacto, o cheque guardado com segurança.

Por fora, a imagem perfeita de uma jovem promissora.

Por dentro, o prazer frio de quem sabia que acabara de eliminar a concorrência.

Vivian podia ter tido uma noite com Eduardo.

Mas Elisa - Elisa tinha o futuro dele nas mãos.

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