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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 71

Vivian

A luz suave da galeria de arte banhava as pilhas de contratos e documentos de obras espalhados sobre a mesa de vidro, criando um contraste quase irônico com a tempestade que rugia dentro de Vivian. Seus dedos tremiam levemente ao virar mais uma página densa de cláusulas e especificações técnicas, um gesto mecânico em sua cruzada particular para garantir que nenhum detalhe, nenhuma vírgula escapasse. Ela revisava todos os contratos da galeria com uma obsessão que beirava o desespero - não poderia haver outra crise, outro erro, outra falha.

Matheus, observava-a de relance de trás de seu estudio. Ele conhecia Vivian há tempo suficiente para ler a exaustão por trás daquela fachada de determinação implacável. Nos últimos dias, desde o... incidente... entre eles, o ar na galeria permanecia carregado de uma tensão não resolvida. Ele, pisando em ovos, tentando encontrar um novo equilíbrio após sua investida romântica ter sido gentil, mas firmemente, rejeitada. Ela, imersa no trabalho.

- Vivian - sua voz foi cautelosa quando ele se aproximou, quebrando o silêncio tenso que a envolvia. - São quase oito da noite. Você está aqui desde às sete da manhã. Isto não é saudável. Vá para casa. Descanse.

Ela não respondeu imediatamente. Seus olhos permaneceram fixos no documento, como se a letra miúda pudesse de alguma forma silenciar o frio pressentimento que sentia no peito. Uma sensação estranha, opressiva, como se algo de muito errado estivesse para acontecer, ou talvez já tivesse acontecido.

- Preciso terminar esta pilha, Matheus - ela sussurrou, sua voz áspera pelo cansaço. - Não podemos correr riscos. Não de novo.

Matheus suspirou, cruzando os braços. Ele se manteve a uma distância respeitosa, consciente do novo limite entre eles. - Os riscos são gerenciados, Vivian. Você revisou cada contrato três vezes. A galeria está segura. Você... você não está. Está se consumindo.

Ela finalmente ergueu os olhos, e ele pôde ver as sombras escuras sob eles, a palidez de seu rosto normalmente radiante.

- É melhor do que... - ela começou, mas interrompeu-se, apertando a caneta com mais força. É melhor do que pensar. É melhor do que sentir aquele frio na espinha sem saber por quê.

- Melhor do que o quê? - a voz de Matheus era suave, quase um aceno. Ele sabia que se referia a mais do que o trabalho. Sabia que o fantasma de Eduardo Braga ainda assombrava os corredores da vida dela, mesmo que ela se recusasse a admitir.

Antes que ela pudesse responder, o som da porta principal da galeria se abrindo fez os dois se virarem.

Na entrada, parado sob a moldura da porta como uma figura saída de um pesadelo do passado, estava Gilbert Braga.

A visão foi tão chocante e inesperada que o pressentimento no peito de Vivian se solidificou em um bloco de gelo. Gilbert Braga, o titã de aço, o homem cuja mera presença conseguia congelar um salão inteiro, parecia... diminuído. Seu habitual terno impecável estava levemente amarrotado, seus ombros, normalmente eretos e dominadores, estavam curvados sob um peso invisível. Seu rosto, sempre uma máscara de autoridade impenetrável, estava pálido e marcado por rugas profundas de uma agitação profunda. Ele parecia, pela primeira vez desde que Vivian o conhecia, um homem velho e mortal.

Seus olhos, no entanto, ainda mantinham uma centelha daquela intensidade familiar, e eles se fixaram em Vivian com uma urgência que fez o ar sair de seus pulmões. A família Braga havia, é claro, mantido a doença de Eduardo completamente sob sigilo. A presença de Gilbert ali, naquele estado, só podia significar uma coisa: algo terrível havia acontecido.

Matheus imediatamente se moveu para ficar ligeiramente à frente de Vivian, uma postura protetora e desafiante, seu próprio desconforto momentaneamente esquecido diante daquela intrusão alarmante.

- Sr. Braga - a voz de Matheus foi gelada, cortante. - A galeria está fechada. Acredito que você não tenha um compromisso aqui.

Gilbert ignorou-o completamente. Seu olhar permaneceu travado em Vivian, ignorando os montes de papel, a mesa de trabalho, o mundo inteiro ao redor.

- Vivian - sua voz era áspera, desprovida de sua habitual arrogância, soando quase... quebrada. - Preciso falar com você. É urgente.

O peso que Vivian sentia no peito agora latejava como um coração extra, sombrio. Ela se levantou lentamente, suas pernas fracas sob o tailleur cinza.

- O que aconteceu? - ela perguntou, sua voz um pouco mais do que um sussurro.

Gilbert deu um passo à frente, e Matheus tensionou, pronto para intervir.

- É o Eduardo - ele disse, e o nome ecoou na galeria silenciosa como um golpe. - Ele... esteve muito mal. está no hospital.

- Eu preciso, Matheus - ela olhou para ele, e ele pôde ver a tormenta em seus olhos. - Para mim. Não para ele. Preciso ver com meus próprios olhos. Preciso... fechar este capítulo de uma vez por todas.

Ela não sabia se acreditava totalmente em suas próprias palavras, mas era a única justificativa que sua mente atribulada conseguia encontrar.

Gilbert acenou com a cabeça, uma onda de alívio visível em seus ombros tensos. - Obrigado - ele sussurrou, a palavra saindo com estranheza de seus lábios. - Ele está no ala leste, quarto 407.

Sem dizer mais nada, Gilbert se virou e saiu da galeria, sua figura outrora imponente parecendo menor, derrotada pelo medo de perder seu neto.

Matheus soltou um longo suspiro de frustração quando a porta se fechou. - Isso é um erro.

A viagem de carro até o hospital foi um borrão. Ela não via as ruas, não ouvia o trânsito. Quando estacionou, suas mãos estavam frias e suadas. O caminho até o quarto 407 pareceu uma jornada interminável. O cheiro de antisséptico a enjoava, trazendo à tona memórias recentes de quando esteve internada, naquela época ele não a deixou nem mesmo quando ela o expulsou.

Finalmente, ela parou diante da porta 407. A porta estava fechada, mas havia uma pequena janela retangular. Seu coração batia tão forte que ela temeu que alguém pudesse ouvir. Ela respirou fundo, tentando se preparar para o que quer que fosse que visse.

E então, ela se aproximou e olhou para dentro.

E o mundo parou.

Eduardo estava deitado na cama, lânguido e pálido contra os lençóis brancos. Seus olhos estavam fechados, suas sobrancelhas escuras um contraste marcante contra a palidez de sua pele. Tubos saíam de seus braços, conectando-o a soros e monitores que piscavam com números e gráficos que ela não entendia, mas que falavam de uma fragilidade assustadora. Uma máquina registrava o ritmo constante, mas lento, de seu coração. Bip... bip... bip...

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