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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 73

Vivian

O som da porta do quarto fechando-se atrás de Vivian ecoou como um tampa de caixão sepultando um mundo de possibilidades não ditas. Ela parou por um momento no corredor, as costas contra a madeira fria, as pernas trêmulas. O ar do hospital, antes apenas antisséptico, agora parecia carregado dos fantasmas das palavras de Eduardo, pairando ao seu redor como uma névoa espessa e inescapável.

“Eu te amo, Vivian. Eu sempre te amei.”

A frase girava em sua mente, uma agulha giratória em um disco desgastado, riscando o mesmo sulco repetidamente. Cada repetição trazia consigo uma nova lembrança, um novo fragmento de dor ou de beleza, todos igualmente devastadores.

Ela começou a caminhar, seus passos ecoando no corredor vazio e silencioso. As luzes fluorescentes zuniam baixinho, uma trilha sonora sinistra para o turbilhão interno.

Ela sentiu o eco daquele desejo antigo, uma brasa adormecida que agora ameaçava se incendiar novamente.

A razão sussurrava, um farol de cautela em meio à tempestade emocional. Ele te magoou. Inúmeras vezes. Ele te rejeitou publicamente. Ele escolheu Elisa. Mas a emoção, uma força primitiva e teimosa, contra-atacava com a memória da vulnerabilidade nos olhos dele, da palidez de sua pele contra os lençóis brancos, da voz rouca confessando uma verdade que ela sempre soube, mas nunca ousou acreditar completamente.

Ela chegou à saída. O mundo lá fora continuava: carros passavam, pessoas riam, a vida seguia seu curso indiferente. Parecia um insulto, uma traição à intensidade do que acabara de acontecer naquele quarto de hospital.

Foi então que ela o viu. Gilbert Braga estava encostado em um carro preto e discreto, os braços cruzados, o olhar fixo na porta do hospital. Quando seus olhos encontraram os dela, ele se endireitou imediatamente, uma centelha de ansiosa expectativa em seu rosto outrora impenetrável.

Vivian parou, sua primeira reação sendo a de desviar, de evitar outro confronto com um Braga. Mas seus pés pareciam enraizados no chão. Ele se aproximou, seus passos medidos, seu porte ainda imponente, mas a arrogância habitual substituída por uma hesitação visível.

- Vivian - ele disse, seu tom era cauteloso, quase respeitoso.

Ela não respondeu. Apenas o encarou, permitindo que ele visse os vestígios das lágrimas em seu rosto, a confusão estampada em seus olhos.

Gilbert pareceu encolher um pouco sob seu olhar. - Ele... - a voz dele falhou por um segundo. - Ele disse o que precisava dizer?

- Sim - a resposta de Vivian saiu mais áspera do que ela pretendia. - Ele disse tudo.

Ele estudou seu rosto, e algo em seus próprios olhos pareceu se acalmar, como se uma verdade difícil tivesse sido finalmente confirmada. - E você...? - a pergunta foi um fio de voz.

- Eu preciso de tempo - ela cortou, não por maldade, mas por pura necessidade de autopreservação. - Para decidir se posso confiar novamente na própria sombra que eu projeto.

Gilbert acenou lentamente, um gesto de compreensão que ela nunca teria imaginado vindo dele. Ele olhou para o chão por um momento, como se lutando com alguma coisa, antes de erguer os olhos novamente, sua expressão séria.

- Há coisas... - ele começou, hesitantemente. - Coisas que você deve saber. Coisas das quais me envergonho.

O interesse de Vivian foi aguçado, apesar de si mesma. Ela permaneceu em silêncio, permitindo que ele continuasse.

- Eu... deixei que você fosse pintada como uma vilã - a admissão saiu com dificuldade, como se as palavras queimassem sua língua. - Depois daquela noite no hotel. Eu estava cego pela minha própria visão do que era certo para o Eduardo, para o legado da família. Cristina e... Elisa... elas me apresentaram uma narrativa. Disseram que você estava apenas interessada no dinheiro, que havia aceitado uma quantia para desaparecer.

- Eu acreditei nelas - a voz de Gilbert estava carregada de um remorso genuíno que Vivian nunca pensou testemunhar. - Eu incentivei aquela mentira. Eu o deixei acreditar que você o havia traído, que seu amor tinha um preço. - Ele fechou os olhos por um momento, uma onda de dor crua passando por seu rosto. - Foi uma das maiores injustiças que já cometi. E eu lamento. Sinceramente lamento.

As palavras caíram sobre Vivian como pedras. Não era uma surpresa completa – ela sempre suspeitara da mão de Cristina e de Elisa –, mas ouvir a confissão do próprio arquiteto de todo aquele sofrimento, ver o arrependimento genuíno em seus olhos... era avassalador. Toda a narrativa de traição e rejeição que havia moldado sua vida adulta começava a desmoronar, revelando uma verdade mais complexa e trágica: eles haviam sido vítimas de uma manipulação maquinada por pessoas em quem Eduardo confiava.

Vivian ficou em silêncio, a pergunta ecoando em sua mente. O que seu coração dizia? Ele estava em guerra consigo mesmo. Uma parte, a parte ferida e cautelosa, gritava para correr, para se proteger. A outra, a parte que nunca parara de amar o garoto do jardim, sussurrava sobre segundas chances, sobre verdades finalmente reveladas, sobre a dor genuína nos olhos de Eduardo.

Ela voltou para casa horas depois, exausta, mas com uma clareza incipiente começando a se formar no caos. No dia seguinte, tentou trabalhar. Sentou-se em sua escrivaninha na galeria, abriu o laptop, tentou mergulhar na familiaridade reconfortante de contratos e e-mails.

Era inútil.

As palavras nas telas dançavam e se embaralhavam. Toda cláusula a lembrava de um contrato quebrado, todo e-mail de um mal-entendido passado. Sua mente, sempre tão focada e afiada, estava turva, dominada por um único rosto pálido contra um travesseiro branco, por uma única voz rouca proferindo verdades há muito enterradas.

Ela passou o dia assim, flutuando entre as tentativas fúteis de trabalho, sua atenção sempre voltando para o mesmo ponto: Eduardo. Sua dor. Seu arrependimento. Seu amor.

Ao anoitecer, ela não aguentava mais. Por sorte eles estavam fechados preparando a próxima exposição. A agitação a consumia por dentro. Deixou a galeria pegou as chaves do carro e dirigiu sem destino, as ruas da cidade um fluxo de luzes e sombras. Seus pensamentos giravam em círculos cada vez mais apertados, até que, em um momento de clareza repentina e avassaladora, tudo parou.

Ela puxou o carro para o acostamento, seu coração batendo forte em seu peito. A névoa de confusão se dissipou, revelando uma verdade simples e inegável no fundo de sua alma. Ela não precisava mais pensar. Não precisava mais analisar. Ela sabia.

Ela finalmente entendia o que sentia.

E sabia, com uma certeza que a aterrorizava e a libertava ao mesmo tempo, o que tinha de fazer.

Olhando pela janela do carro para a cidade adormecendo, Vivian tomou sua decisão. O que aconteceria a seguir, ela não sabia. Se seria felicidade ou mais dor, era uma incógnita. Mas a paralisia da indecisão havia acabado. Um caminho se abria à sua frente, e ela estava pronta para caminhar por ele.

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