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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 74

Eduardo

A luz do entardecer entrava suavemente pela janela do apartamento de Eduardo, a vida normal que ele estava lentamente reaprendendo a viver. Duas semanas haviam se passado desde sua alta do hospital, e sua rotina agora era uma versão pálida e dietética de sua antiga existência.

Seu pai, um homem usualmente mais presente em conferências internacionais do que na sala de estar, aparecia todos os dias pontualmente às sete da noite, carregando uma garrafa térmica de canja feita por seu chef pessoal. A cena era surreal: Pedro Braga, supervisionando o filho para garantir que ele comesse cada colher daquela sopa insossa como se o destino do mundo dependesse disso.

- Está tudo bem, pai. Já sou grande - Eduardo tentou protestar no terceiro dia.

- Pela sua última performance digestiva, discordo veementemente - Pedro retrucou, com a seriedade de um cirurgião cardíaco. - Agora come. Tem cenoura ralada. A nutricionista disse que cenoura é bom.

Gustavo, por sua vez, era uma presença constante e reconfortante. Sua lealdade se manifestava não em palavras melosas, mas em atos práticos: aparecia com filmes trash que jurou que iam "curar a alma através do mau gosto", ocupava a poltrona oposta em silêncio companheiro e, uma vez, passou três horas reorganizando a biblioteca de Eduardo "para dar um novo fluxo de energia ao ambiente".

- Você está parecendo meu feng shui pessoal - Eduardo comentou, deitado no sofá.

- Chama-se amizade, seu idiota. E para de reclamar, seu sistema de classificação por cor era criminoso.

Mas o ápice da comédia negra que sua vida havia se tornado foi a visita de Lucas.

Ele chegou como um furacão de otimismo inadequado, vestindo uma camisa havaiana que ofendia a visão mesmo em um dia nublado, carregando uma caixa de chás medicinais de cheiro duvidoso.

- Olá, paciente! - anunciou, abrindo os braços. - Trouxe o kit sobrevivência do pós-quase-morte! Chá de boldo, de camomila, de funcho... tudo que você precisa para não voltar a cuspir suas próprias entranhas.

Eduardo aceitou a caixa com um sorriso torto. - Obrigado, Lucas. Muito... prestativo.

- Prestativo nada! É puro interesse! Quem vai ser meu parceiro para descer caipirinhas e admirar a paisagem humana se você se transformar em um inválido gástrico? - Lucas se jogou na poltrona, examinando Eduardo com um olhar crítico. - Então me conta, como está a vida do menino Jesus? Já pode transformar água em Pepto-Bismol?

- Estou melhor, Lucas. Muito melhor.

- Bom, porque pelo seu histórico recente, a situação é tensa. Vamos recapitular: não bebe... - ele levantou um dedo.

- Por ordens médicas.

- Não fuma... - segundo dedo.

- Também por ordens médicas.

Lucas fez uma pausa dramática, ergueu um terceiro dedo e olhou em volta, baixando a voz para um sussurro conspiratório: - E, pelos meus cálculos, também não fode.

Eduardo gemeu e enterrou o rosto em uma almofada. - Deus, Lucas. Há limites.

- O que? Estou preocupado com o seu bem-estar integral! Um homem tem necessidades! - ele se inclinou para frente, sua brincadeira dando lugar a uma curiosidade genuína. - Falando nisso... e a Vivian? Como a minha deusa reagiu ao saber que o seu mortal favorito quase foi de arrasta?

O sorriso de Eduardo se apagou. A menção do nome dela doía com uma intensidade que rivalizava com a úlcera. - Ela... ela...

- Ela? - Lucas insistiu, seus olhos escaneando o rosto do amigo. - Nada de visita furtiva? Nenhum bilhete de "sinto muito por sua úlcera, beijos"?

- Ela esteve no hospital. Uma vez. - Eduardo olhou pela janela.

Lucas assobiou baixo. - Puta merda, Braga. Já me contaram que você se declarou no leito de morte. Que romântico e patético ao mesmo tempo. - Ele balançou a cabeça, mas sua expressão era de solidariedade. - Olha, ela está muito ocupada com a exposição nova da galeria... acho que ela está tão atolada de trabalho que mal tem tempo de respirar. Tá um fuá do cacete. Provavelmente por isso...

- Você não precisa mentir para me fazer sentir melhor, Lucas - Eduardo interrompeu, suave. - Eu sei que ela está me evitando. E ela tem todo o direito.

Lucas ficou em silêncio por um momento, depois soltou um suspiro. - Verdade. Mas, ei, pelo menos você está vivo para ser um idiota arrependido. É um progresso.

Apesar da dor, da fraqueza e da ausência de Vivian, uma determinação teimosa começou a crescer em Eduardo. Ele não podia mudar o passado, mas podia tentar construir um futuro diferente. E isso começava com gestos. Pequenos, significativos, e assustadoramente fora de seu repertório habitual.

Foi assim que, em uma tarde de quarta-feira, ainda pálido e alguns quilos mais magro, ele se encontrou parado do lado de fora da galeria, seu coração batendo em ritmo de samba-enredo no peito. No banco do passageiro de sua BMW repousavam duas coisas que representavam seu novo e desajeitado eu: um buquê impecável de tulipas vermelhas e uma pequena caixa embrulhada em papel prateado.

Enquanto esperava, uma realização o atingiu com a força de um pequeno raio: esta era a primeira vez. A primeira vez que ele esperava por ela. Durante anos, fora Vivian quem esperara. Nos corredores da escola, no fim do expediente, em casa, sua vida um eterno esperar por migalhas de sua atenção. O peso dessa inversão era imenso e profundamente constrangedora.

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