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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 75

O Le Jardin nunca testemunhara um jantar tão desconcertantemente cômico.

Eduardo havia reservado o restaurante inteiro - cada mesa, cada flor, cada vela - imaginando uma noite perfeita, íntima, onde nada nem ninguém os interromperia.

Mas o plano ruíra no instante em que Matheus apareceu. Os garçons trocavam olhares incertos, tentando entender o que acontecia. Um jantar romântico… para três?

O maître hesitava entre servir o vinho ou fugir para a cozinha.

Vivian, por sua vez, sentou-se e observou o desastre com uma serenidade quase cruel.

Enquanto degustava o pato confit que Matheus tanto elogiara, percebeu, com certo espanto, que estava se divertindo - não com a conversa, mas com o espetáculo ridículo e fascinante que se desenrolava diante dela.

Eduardo e Matheus eram como duas crianças em um playground, disputando a atenção da professora favorita com truques cada vez mais desesperados e transparentes. A única coisa que faltava era um deles empurrar o outro do balanço.

Vivian apenas observava o vinho rubro girando devagar na taça.

- Este vinho - Eduardo comentou, cheirando solenemente e depois bebendo da sua taça de água com gás como se fosse o Bordeaux de 1945 - tem notas sutis de baunilha e carvalho. Uma pena que não posso provar.

Matheus, não querendo ser superado, cortou imediatamente: - Interessante. Falando em notas, você notou o contraste cromático naquela última peça que chegou? É quase... audacioso.

- "Audacioso" é um bom adjetivo para você, Matheus - Eduardo retrucou suavemente, sem perder o sorriso polido. - Vivian, lembra quando nós bebemos aquele vinho … - Nós? - Matheus interrompeu, erguendo uma sobrancelha com ar de inocência. - Você quer dizer você e a Vivian, ou você e sua úlcera? Porque pelo que ouvi, vocês dois têm uma relação bem... íntima ultimamente.

Vivian precisou cobrir a boca com o guardanapo para disfarçar uma gargalhada que ameaçou explodir em meio ao sofisticado ambiente. A situação era tão surreal - o magnata convalescente e o artista ciumento travando uma batalha de egos através de comentários passivo-agressivos, que ela decidiu simplesmente relaxar e aproveitar o espetáculo. Era como assistir a uma partida de tênis onde ambos os jogadores insistiam em bater a bola contra a própria rede.

O ápice da comédia veio quando Matheus, determinado a provar seu valor cultural, começou a discorrer sobre a influência do movimento Art Brut na arte contemporânea, gesticulando com as mãos sobre o prato de entrada.

- A verdadeira genialidade está na autenticidade crua, não no academicismo sufacante - ele declarou, com a solenidade de um curador de museu. - Minha última série, por exemplo, explora justamente essa tensão entre...

- Fascinante mesmo - Eduardo cortou suavemente, com um sorriso que não chegava aos olhos. - Alguns acham que qualquer gota derramada sobre uma superfície é arte. - Ele fez uma pausa, observando o rosto de Matheus se contrair. - Mas é claro, o que seria da arte sem... experimentação, não é mesmo?

Vivian quase engasgou com sua água.

Quando a conta chegou, Eduardo foi mais rápido.

Pegou-a com um sorriso calmo, quase cortês, mas havia algo de vitorioso em seu olhar - como quem anuncia o fim de um jogo.

A mensagem era clara: a noite acabou pra você, Matheus.

Por dentro, um alívio discreto se espalhou. Finalmente, o intruso se retiraria, e ele ficaria a sós com Vivian - exatamente como planejara.

- Vivi - ele disse, ignorando completamente Eduardo - posso te levar para casa? Precisamos finalizar aquela análise do...

- Não precisa se preocupar, Matheus - Eduardo interveio, já com o celular na mão como um samurai desembainhando sua espada. - Já chamei um táxi para você. Deve estar chegando agora.

Matheus abriu a boca para protestar, mas Eduardo já estava de pé, segurando gentilmente - mas com uma firmeza que não admitia discussão - o braço do artista e conduzindo-o em direção à saída como um segurança removendo um convidado indesejado de uma festa.

- Mas... Vivian... - Matheus tentou, lançando um olhar de apelo desesperado por cima do ombro.

- O táxi é por minha conta, é claro - Eduardo completou, abrindo a porta do carro que, convenientemente, chegara naquele momento exato. - Boa noite, Matheus. Obrigado pela... companhia.

Antes que Matheus pudesse formular uma resposta que não fosse um grunhido de frustração, a porta do táxi se fechou e o carro partiu, deixando-o com sua pasta de documentos e uma expressão de completa derrota que teria comovido até o mais duro dos corações.

Vivian observou a cena, balançando a cabeça com um sorriso que não conseguia mais conter. - Isso foi brutalmente eficiente.

- Aprendi com o mestre - Eduardo encolheu os ombros, referindo-se ao avô com um meio-sorriso. - Às vezes, a diplomacia precisa de um... empurrãozinho estratégico.

No carro de volta - ele tinha dispensado o motorista, talvez em um último esforço para criar intimidade -, o clima era diferente. O silêncio não era mais tenso ou carregado da energia competitiva do jantar, mas contemplativo. Vivian olhava pela janela, o rosto iluminado pelas luzes da cidade que passavam como estrelas cadentes, uma paz estranha tomando conta dela. A comédia do jantar dera lugar a uma seriedade que ambos sentiam se aproximando.

Quando Eduardo parou em frente ao seu condomínio, o ritual foi quase cerimonial. Ele saiu, contornou o carro e abriu a porta do passageiro para ela - um gesto que era ao mesmo tempo antiquado e profundamente comovente vindo dele. Quando ele se dirigiu para a entrada principal como se esperasse ser convidado a subir, Vivian o chamou.

- Eduardo.

Ele parou, virando-se com uma expressão que tentava parecer casual, mas que não conseguia esconder uma centelha de esperança.

Vivian abriu a caixa com cuidado, as mãos levemente trêmulas. Lá dentro, repousando em veludo azul-marinho, estava um relógio de pulso de uma marca suíça lendária. O mostrador em esmalte branco parecia brilhar com luz própria, os ponteiros de ouro finamente trabalhados, a pulseira de couro de crocodilo marrom-escuro - era uma peça de beleza clássica e discreta que falava de séculos de artesanato e tradição.

- Eduardo - ela sussurrou, os olhos arregalados de incredulidade - isso... isso deve custar mais que meu apartamento.

- O preço não importa - ele disse, seus olhos sérios fixos nela com uma intensidade que fez seu coração acelerar apesar de si mesma. - Eu quis te dar este relógio porque... - ele engoliu em seco, procurando as palavras certas, - porque eu espero que nossa relação possa melhorar com o tempo. Como um relógio bem cuidado que marca as horas com precisão cada vez maior.

Ele fez uma pausa, respirando fundo como um homem se preparando para um mergulho profundo.

- Eu sei que sou egoísta por ainda querer estar na sua vida. Por ainda esperar por você, depois de tudo. Mas a verdade é que eu realmente não sei viver sem você. Não o homem que sou agora, pelo menos. Você tem razão - nós encerramos um ciclo. Um ciclo que eu estraguei tantas vezes, com meu orgulho, minha arrogância, meu medo. Mas eu... - sua voz quebrou ligeiramente, - eu espero poder merecer, em algum momento, fazer parte da sua nova vida. Quando você estiver pronta. Se você estiver pronta.

Vivian olhou para o relógio, depois para Eduardo, e pela primeira vez naquela noite, suas expressões estavam em perfeita sincronia - ambos reconhecendo a dor agridoce de um fim, mas também a possibilidade tênue, frágil como um fio de teia de aranha, de um novo começo em seus próprios termos.

- Obrigada, Eduardo - ela disse suavemente, fechando a caixa com um clique suave.

Ela se levantou, e ele não tentou detê-la. Não houve abraço, não houve beijo de despedida, não houve promessas vazias. Apenas o reconhecimento silencioso de que um capítulo havia terminado.

- Boa noite, Eduardo.

- Boa noite, Vivian.

Ele a observou caminhar em direção ao prédio, sua silhueta tornando-se cada vez menor até desaparecer atrás das portas de vidro que se fecharam com um som abafado. O punhal ainda estava cravado em seu peito, mas de alguma forma, a dor era diferente daquela que ele sentira antes. Era uma dor limpa, merecida, quase purificadora. A dor de finalmente entender o preço completo de suas ações, e a dor humilde de esperar por um perdão que talvez nunca viesse, em termos que ele não podia controlar.

Dentro do elevador, Vivian segurava a caixa do relógio contra o peito, sentindo o leve peso do objeto caro através do papel e do veludo. Para sua surpresa, seu coração estava leve, como se alguém tivesse removido uma pedra que ela carregava por tanto tempo que nem mesmo percebia mais seu peso. O fardo que ela carregara por mais de uma década - o peso do ressentimento, da esperança não correspondida, da dúvida constante sobre seu próprio valor - finalmente se fora. Ela havia dito sua verdade. Ela havia estabelecido seus limites sem raiva, sem amargura, mas com uma clareza que era em si mesma libertadora.

E pela primeira vez, ela estava seguindo em frente não como uma fuga, não por raiva ou desespero, mas por amor próprio - um conceito que sempre soara abstrato até aquele momento, mas que agora sentia tão concretamente quanto o chão sob seus pés.

O relógio na caixa marcaria as horas de sua nova vida - uma vida que seria apenas dela, pelo tempo que fosse necessário. E, quem sabe, talvez um dia ele pudesse marcar o momento em que seu caminho encontraria o de mais alguém - não como sombra e sol, mas como duas pessoas completas, inteiras por si mesmas, como iguais.

Mas por enquanto, era suficiente respirar fundo e sentir o alívio libertador de ter fechado uma porta sem rancor. O futuro era uma página em branco, e pela primeira vez em muito, muito tempo, ela estava ansiosa para começar a escrever sozinha.

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