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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 76

Eduardo

O sol ainda não havia nascido quando Eduardo abriu os olhos para o teto familiar de seu quarto. A noite havia sido longa, insone, mas diferente das noites anteriores de agonia e arrependimento, esta foi povoada por um propósito claro e singular que queimava em seu peito com a intensidade de uma fornalha: conquistar Vivian.

E ele faria isso da única maneira que sabia - não com flores e poesias, mas com a mesma precisão cirúrgica, a mesma obsessão metódica e os mesmos recursos implacáveis que aplicava aos negócios. Se o amor era um campo de batalha, ele seria seu general. Se era um mercado, ele seria seu magnata. Se era uma ciência, ele seria seu pesquisador-chefe.

Às 6h17, ele já estava em seu escritório no 42º andar do edifício Braga, a cidade acordando lentamente sob suas janelas de vidro fumê. A luz do amanhecer banhava a sala em tons de laranja e rosa, um contraste quase poético com a frieza corporativa do ambiente.

- Marcos - ele disse no interfone, sua voz ainda áspera da noite sem dormir, mas carregada de uma energia nova. - Preciso de você. Agora.

Em menos de dois minutos, seu assistente pessoal apareceu na porta, impecável em seu terno, mas com os olhos ainda pesados de sono.

- Senhor? O senhor está bem? - O expediente mal começou, por sorte ele sempre chegava alguns minutos antes das oito.

- Estou perfeitamente bem - Eduardo respondeu, girando sua cadeira para encarar o assistente. - Reúna todas as empresas de pesquisa de mercado com as quais trabalhamos nos últimos cinco anos. Quero os dados de desempenho de cada uma - taxa de acerto, margem de erro, eficácia preditiva. Selecione a que teve o maior percentual de acerto.

Marcos piscou, processando a ordem. - Pesquisa de mercado? Senhor, o IPO é em duas semanas, nós já...

- A que teve o maior percentual de acerto, Marcos - Eduardo repetiu, sua voz baixa mas inflexível. - E urgência máxima.

O assistente hesitou por apenas um segundo antes de acenar com a cabeça. - Imediatamente, senhor.

Em menos de cinco minutos - um tempo que Eduardo notou com aprovação - Marcos estava de volta, seu tablet brilhando com dados.

- Esta empresa teve o melhor desempenho - ele relatou, deslizando os dedos na tela. - Oitenta e seis por cento de acerto em suas previsões de comportamento do consumidor nos últimos trinta e seis meses. Margem de erro de...

- Oitenta e seis por cento? - Eduardo interrompeu, franzindo a testa. - Isso é o melhor que temos?

- É excepcional para o setor, senhor. A média do mercado é de...

- Não me importo com a média do mercado - Eduardo cortou, levantando-se e caminhando até a janela. - Quero encomendar uma pesquisa com eles. Urgência máxima, orçamento ilimitado.

Marcos pegou seu tablet, dedos pairando sobre a tela. - Perfeito. Sobre o que será a pesquisa? Comportamento do investidor institucional pós-IPO? Análise da concorrência...

- Não - Eduardo virou-se, seus olhos fixos no assistente. - Quero uma pesquisa abrangente sobre como um homem conquista uma mulher. Com ênfase específica em como reconquistar a ex-mulher.

O silêncio que se seguiu foi tão profundo que Eduardo pôde ouvir o zumbido distante do ar-condicionado. Marcos baixou lentamente o tablet, seu rosto uma máscara de incredulidade pura.

- Senhor? - ele disse finalmente, a voz um pouco mais aguda que o normal. - O senhor quer... uma pesquisa sobre... conquista amorosa?

- Você ouviu perfeitamente.

- Mas... senhor... - Marcos parecia estar lutando por palavras. - Estamos a duas semanas do IPO da empresa. O senhor tem reuniões com fundos soberanos, com analistas do Goldman Sachs, com... - ele fez uma pausa dramática, - ...e o senhor quer gastar recursos com uma pesquisa sobre como conquistar uma mulher?

- Não qualquer mulher - Eduardo corrigiu, voltando para sua cadeira. - Vivian.

Nesse momento, a porta do escritório se abriu e Gustavo entrou, carregando uma pasta grossa.

- O plano de marketing final para o IPO - ele anunciou, colocando a pasta na mesa. - Precisamos da sua aprovação até... - ele parou, percebendo a tensão no ar. - O que aconteceu?

- O senhor Braga - Marcos disse, sua voz carregada de desespero contido, - quer encomendar uma pesquisa de mercado sobre como reconquistar a Sra. Vivian.

Gustavo congelou, sua expressão mudando de profissional para completamente perplexo. - Você está brincando?.

- Eu nunca brinco sobre negócios - Eduardo respondeu calmamente. - E isso é um negócio de vital importância.

Marcos balançou a cabeça, esquecendo momentaneamente o protocolo. - Com todo respeito, senhor, o senhor parece ter virado um cérebro apaixonado. E no pior momento possível!

Eduardo ergueu uma sobrancelha, um gesto que normalmente faria qualquer funcionário recuar. - Você está se tornando muito íntimo, Marcos.

Marcos apenas balançou a cabeça e saiu, fechando a porta atrás de si com um clique suave.

Gustavo, que observara toda a troca em silêncio, aproximou-se da mesa.

- Trocaram suas fraldas? - ele perguntou, um sorriso brincalhão nos lábios.

Eduardo ignorou a pergunta, pegando a pasta do IPO. - Vamos revisar esse plano de marketing. - Sua voz estava de volta ao tom de negócios, o empresário implacável que todos conheciam. - Precisamos ajustar a projeção de crescimento no quarto trimestre.

Gustavo observou seu amigo enquanto ele mergulhava nos números, seu rosto uma máscara de concentração profissional. Era fascinante, pensou ele, como o mesmo homem que acabara de ordenar uma pesquisa de mercado sobre conquista amorosa com a urgência de um desastre iminente agora analisava planilhas financeiras com a calma precisa de um cirurgião.

- Você realmente acha que vai funcionar? - Gustavo perguntou depois de um tempo, enquanto Eduardo fazia anotações nas margens do relatório.

Eduardo não ergueu os olhos. - O que?

- A pesquisa. As estratégias. Conquistar a Vivian como se fosse uma aquisição corporativa.

Finalmente, Eduardo olhou para cima, seus olhos sérios. - Não estou tratando como uma aquisição corporativa, Gustavo. Estou tratando como o projeto mais importante da minha vida. E eu não falho em projetos importantes.

- Mas amor não é um projeto, Eduardo. Não tem métricas de sucesso, não tem KPIs, não tem projeções de ROI.

- Tudo na vida pode ser medido e otimizado - Eduardo respondeu, voltando aos documentos. - Inclusive o amor. Especialmente o amor.

Fez uma pausa breve, como quem percebe tarde demais o peso do que disse, e completou com um meio sorriso cansado: - E é a única coisa que eu sei fazer... então…

Gustavo balançou a cabeça, mas não discutiu. Ele conhecia Eduardo tempo suficiente para saber que, uma vez que ele decidia algo, não havia força na terra que pudesse detê-lo. E se Eduardo Braga decidira que conquistaria Vivian Laurent através de dados e estratégia, então é isso que ele faria.

Enquanto revisavam os detalhes do IPO, a mente de Eduardo já trabalhava em múltiplas frentes - cálculos financeiros se misturando com teorias psicológicas, projeções de mercado se entrelaçando com estratégias românticas. Ele não era mais apenas um CEO preparando sua empresa para a bolsa de valores; era um general se preparando para a batalha mais importante de sua vida.

E como qualquer general que se preze, ele faria o que fosse necessário para vencer - mesmo que isso significasse contratar os melhores pesquisadores do mundo para decifrar o código do próprio coração.

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