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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 77

Vivian

O ritmo na galeria havia acelerado para um frenesi quase insano nos dias que antecediam a nova exposição. "Ecos do Inconsciente: Uma Jornada Através da Arte Contemporânea" era o projeto mais ambicioso que Vivian já trabalhara, e ela estava imersa nele corpo e alma - ou, mais precisamente, mente e papelada.

Enquanto Matheus e Tomas se deleitavam com a curadoria, discutindo a disposição ideal das peças e a narrativa visual que guiaria os visitantes através das salas, Vivian estava enterrada em contratos, certificados de autenticidade, documentos de procedência e apólices de seguro. O incidente com a peça falsa deixou nela uma cicatriz profunda, uma cautela que beirava a paranoia. Ela não apenas revisava cada documento - ela os estudava, pesquisava históricos de leilões, verificava procedências cruzadas, como se cada assinatura, cada carimbo, escondesse uma potencial fraude.

- Vivi, você está vendo a luz do dia? - Matheus perguntou uma tarde, encontrando-a em seu pequeno escritório, cercada por pilhas de pastas que pareciam ameaçar engoli-la viva.

- Estou vendo certificados de autenticidade - ela respondeu sem erguer os olhos, sua caneta destacando-se contra o papel. - É quase a mesma coisa.

- Você precisa respirar. A exposição está incrível. Tomas encontrou uma peça de um artista emergente que é simplesmente...

- Já verifiquei a documentação do artista emergente? - ela interrompeu. - Histórico de exposições, procedência dos materiais, certificado do ateliê?

Matheus suspirou, recuando. - Eu cuido disso. Você precisa confiar em nós às vezes.

Era isso que a assustava - a confiança. Ela confiara cegamente antes, e quase colocou tudo a perder. Agora, cada documento era um campo minado potencial, cada assinatura uma possível armadilha. Enquanto Matheus respirava arte, Vivian respirava burocracia - e descobria, para sua própria surpresa, que tinha talento para isso. Havia uma lógica, uma previsibilidade nos documentos que a acalmava. Diferente das pessoas, os papéis não mentiam - ou pelo menos, quando mentiam, deixavam pistas.

Foi em uma dessas raras pausas forçadas - quando sua visão começou a embaçar de tanto olhar para letras miúdas - que ela decidiu fugir para sua cafeteria preferida, um lugar aconchegante a algumas quadras da galeria que servia o melhor café com avelã da cidade.

E lá, sentado em sua mesa favorita perto da janela, estava Eduardo.

- Vivian - ele disse, erguendo a xícara como se sua presença fosse a coisa mais natural do mundo. - Que coincidência.

Poderia ser realmente uma coincidência. Mas algo na postura relaxada demais dele, na maneira como ele não parecia surpreso, a fez suspeitar.

- Eduardo - ela cumprimentou, mantendo a distância. - O que você está fazendo aqui? Você nunca faz pausas fora do seu escritório.

- Mudança de ares - ele encolheu os ombros, gesto descontraído que não combinava com o homem que ela conhecia. - O médico recomendou que eu fizesse pausas mais frequentes. Menos estresse, mais... chás.

Ela acabou se sentando com ele, a conversa fluiu de maneira estranhamente fácil - sobre a galeria, sobre sua saúde, sobre tudo menos o elefante na sala que era seu relacionamento passado e sua declaração recente. Quando ela saiu, vinte minutos depois, sentiu-se levemente desequilibrada. Era a primeira vez que eles conversavam sem a sombra da dor ou da expectativa.

Dois dias depois, enquanto dava uma pequena caminhada após um dia particularmente exaustivo, ela o viu novamente - desta vez no pequeno parque perto de seu prédio, passeando com um adorável golden retriever que puxava a coleira com entusiasmo juvenil.

- Eduardo? - ela chamou, incapaz de conter sua surpresa.

Ele se virou, uma expressão genuinamente surpresa em seu rosto que quase a convenceu. - Vivian! Olá.

- O que você está fazendo aqui? - ela perguntou, enquanto o cachorro cheirava seus sapatos com interesse.

- Estou fazendo um favor para um amigo - ele explicou, acariciando a cabeça do animal. - Passeando com o Bono.

- Bono? - ela repetiu, arqueando uma sobrancelha. - Que amigo?

Eduardo parou, e por uma fração de segundo ela viu o pânico nos olhos dele antes que a máscara de controle retornasse.

- É... - ele começou, depois parou. - Você não o conhece.

- Tente - ela insistiu, cruzando os braços.

Ele abriu a boca, fechou, depois abriu novamente. - É complicado.

- Complicado como? Ele é um agente secreto? Um membro da realeza incógnito?

- Algo assim - ele murmurou, claramente desconfortável.

Vivian não pressionou, mas a semente da dúvida estava plantada. Ela conhecia Eduardo - o homem que tinha um assistente para lidar com suas tarefas mais mundanas, que considerava passear com o próprio cachorro uma perda de tempo produtivo. Passear com o cachorro de um "amigo" era tão fora do personagem que beirava o absurdo.

Nos dias que se seguiram, as "coincidências" continuaram. Ela o encontrou em sua livraria preferida "Precisando de leitura leve, por recomendação médica", no mercado de orgânicos que ela frequentava "Experimentando uma nova dieta".

Mas foram os presentes que realmente a fizeram suspeitar.

Setenta e sete 1

Setenta e sete 2

Setenta e sete 3

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