Eduardo
Odiava cada centímetro quadrado daquela galeria. O ar cheirava a tinta fresca e pretensão, as pessoas falavam em tons muito altos sobre significados muito profundos para obras que ele considerava medianas, e em algum lugar naquele labirinto de egos inflados estava Matheus - o dono do lugar e, não por coincidência, o atual objeto do ódio mais puro que Eduardo conseguira cultivar.
Mas Vivian estava aqui. E onde Vivian estava, Eduardo estaria - mesmo que isso significasse passar duas horas sorrindo para pessoas que considerava intelectualmente desonestas enquanto elas discorriam sobre "subtextos existenciais" em borrões de tinta.
Ele foi o primeiro a chegar, um movimento calculado que fizera os paparazzi do lado de fora se agitarem como insetos em torno de uma lâmpada. Sua BMW preta estacionara precisamente às 19h, e ele desceu com aquela postura que anos de treinamento em postura e poder haviam esculpido - ombros para trás, queixo levemente erguido, olhar que prometia acesso e ameaçava destruição na mesma medida.
Matheus, vestido com uma camisa larga e desalinhada que pretendia parecer artística mas apenas parecia desleixada, foi ao seu encontro com a expressão de quem encontra um inseto em sua salada.
- Braga - disse, estendendo a mão com relutância visível. - Que surpresa.
Eduardo apertou a mão com força suficiente para lembrá-lo de seu lugar. - Matheus. A exposição está... existindo.
- Deixe-me mostrar as obras - Matheus ofereceu, tentando guiá-lo para longe da escada que levava ao mezanino onde, através do vidro fumê, Eduardo podia ver Vivian organizando papéis em cima de uma mesa, sua silhueta familiar fazendo seu coração acelerar de uma maneira que ainda o irritava.
- Esquece a minha mulher - murmurou Eduardo, a voz baixa, firme, o ciúme latejando por trás de cada palavra. - Porque, agora, eu não tenho mais medo de querer o que é meu.
Matheus manteve o sorriso profissional, mas seus olhos estreitaram. - Vivian é uma adulta que faz suas próprias escolhas, Braga. E atualmente, ela escolhe manter distância de você.
- Temporariamente - Eduardo corrigiu, seu olhar desafiador.
A tensão entre eles poderia ser cortada com uma faca que Eduardo imaginava cravando nas costas de Matheus. Mas então os outros convidados começaram a chegar, e Matheus foi arrastado pela maré de admiradores, deixando Eduardo sozinho perto da entrada, vigiando Vivian através do vidro como um falcão observando sua presa.
A noite fluía, e com ela, o desespero silencioso de Eduardo. Ele via Vivian descer as escadas, radiante em um vestido azul-cobalto - a cor que ele sempre dissera fazer seus olhos brilharem como o mar sob o sol de verão. Ela circulava entre os convidados, profissional, competente, deslumbrante. E completamente inalcançável.
Foi então que Elisa chegou.
Ela entrou como um tsunami de veludo vermelho e más intenções, seu vestido escarlate uma declaração de guerra contra a sofisticação discreta do evento. Todos os olhos se voltaram para ela - alguns com desejo, outros com desdém, alguns com fascínio.
Eduardo sentiu o estômago se contrair. Elisa era o passado que ele desesperadamente queria enterrar, o fantasma de todos seus erros de cálculo emocionais personificado em 1,70m de ambição pura.
Ela caminhou diretamente em direção a ele, ignorando todos os outros como se fossem figurantes em seu drama pessoal.
- Querido - puxou, beijando o ar perto de seu rosto. - Apoiando as artes, ou apenas apoiando... interesses particulares?
- Elisa, afaste-se - ele respondeu, a voz dura. - Não imagino que você tenha recebido um convite.
- Os verdadeiros talentos nunca precisam de convites - ela retrucou, deslizando o dedo pela lapela de seu terno em um gesto que era simultaneamente íntimo e possessivo. - Precisamos conversar.
- Não tenho tempo ou assunto a discutir com você.
Ela riu, um som artificial que fez seus dentes doerem. Então pegou o celular, mostrou a tela por exatos dois segundos - tempo suficiente para Eduardo reconhecer o cabeçalho do acordo de confidencialidade com Camilo, o documento que enterrara o incidente da peça falsa - e guardou o aparelho.
- Acho que temos - ela sussurrou. - Que tal um lugar mais tranquilo? - apontou com a cabeça em direção ao corredor dos banheiros.
Cada fibra do seu ser gritava para recusar, para mandá-la para o inferno, para chamar a segurança. Mas os olhos dela diziam que ela faria isso, que queimaria tudo - a carreira de Vivian, o IPO, sua própria reputação - só para provar que podia.
Ele a seguiu.
O banheiro feminino era absurdamente luxuoso, com mármore branco e iluminação dourada que refletia na frieza dos olhos de Elisa quando ela trancou a porta.
- O que você quer? - sua voz soou áspera.


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