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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 81

Eduardo

Sentia a presença de Vivian como um olhar constante, ainda que invisível, mesmo quando ela estava em outro cômodo. Durante todo o evento, sua busca foi incessante - um farol em meio à tempestade de sorrisos falsos e conversas vazias. Ele procurava seus olhos com a urgência de um homem se afogando procurando por terra firme, mas Vivian, com a precisão cruel de quem conhecia todos os seus movimentos, evitava seu olhar de maneira metódica, calculada.

Cada vez que ele tentava se aproximar, ela se virava para conversar com alguém, desaparecia atrás de uma coluna, subia as escadas para o mezanino. Era uma dança de evasão coreografada com a maestria de quem praticara os passos por anos. Eduardo sentia a rejeição como uma série de pequenos cortes - não profundos o suficiente para matar, mas suficientes para sangrar lentamente sua esperança.

Elisa, percebendo sua vulnerabilidade, grudara ao seu lado como uma segunda pele, uma pulga insistente que ele não conseguia sacudir. Seu perfume pesado e doce - algo com baunilha e âmbar - enchia suas narinas, um contraste agressivo com o aroma leve e floral que Vivian sempre usara e que ele ainda conseguia detectar no ar quando ela passava por perto.

- Querido, você parece tenso - Elisa falou, enlaçando o braço dele com possessividade.

Ele não respondeu, retirou com firmeza as mãos dela do seu braço, como se ela estivesse contaminada.

Seus olhos ainda fixos em Vivian, que ria com um casal de colecionadores do outro lado da sala. O som da risada dela - genuína, despreocupada - doía mais do que qualquer insulto que Elisa pudesse inventar.

Sua mente rodava em loops infinitos, cada cenário mais desesperador que o anterior. A cabeça latejava com a pressão de decisões impossíveis. Como explicar a Vivian o que acontecera no banheiro sem colocar tudo a perder? Como proteger ela da tempestade que se aproximava sem que ela sequer soubesse que estava em perigo?

Quando o anúncio do lance ecoou pela galeria - "oito milhões e quinhentos mil reais pelo Sr. Eduardo Braga!" - ele sentiu o estômago embrulhar. Os aplausos soaram como zombaria. Cada olhar de admiração ou inveja era uma facada.

Elisa deslizou para o centro do salão como uma serpente, seu vestido vermelho uma mancha de sangue no cenário elegante. - Obrigada, querido! - gritou, soprando um beijo em sua direção.

Ele permaneceu imóvel, suas mãos trêmulas enfiadas nos bolsos. Quando um dos assistentes de Matheus trouxe a peça - "Despertar do Inconsciente", uma tela enorme de cores violentas e formas distorcidas que supostamente representava "a fragmentação da psique moderna" - Eduardo a pegou como se estivesse segurando sua própria sentença de morte.

- Para você - disse para Elisa, entregando a tela com uma frieza que escondia o turbilhão interno. - Como combinado.

Seus olhos procuraram Vivian instintivamente, esperando ver raiva, decepção, dor. Mas ela não olhava para ele. Seu perfil estava voltado, conversando animadamente com Alice, como se a cena que se desenrolava não a afetasse minimamente.

Foi pior. Muito pior.

Alice, por outro lado, parecia um cão de guarda prestes a atacar. Seus olhos faiscavam de ódio puro, e ele podia quase sentir o calor de seu desprezo mesmo à distância. Ela sussurrava algo no ouvido de Vivian, uma mão protetora nas costas da amiga, seu corpo posicionado como um escudo humano entre Vivian e o resto do mundo - entre Vivian e ele.

Assim que a transação foi formalizada e Elisa posou para fotos com a peça como um troféu, Eduardo virou-se e saiu. Não havia mais razão para ficar. Cada segundo naquele espaço era tortura, cada olhar que não era de Vivian era um desperdício de tempo.

Na calçada, a brisa noturna gelada o atingiu como um choque. Ele respirou fundo, o ar poluído da cidade parecendo mais puro que a atmosfera asfixiante da galeria. Antes mesmo de alcançar seu carro, já estava com o telefone no ouvido.

- Marcos - disse quando o assistente atendeu. - Acorde quem precisar acordar. Reunião de emergência no escritório em trinta minutos.

- Senhor? São quase dez da noite. O IPO...

- Não é sobre o IPO - Eduardo cortou, sua voz mais áspera do que pretendia. - É sobre neutralizar uma ameaça. A Elisa conseguiu documentos confidenciais. Quero saber como, quem ajudou, e quero todas as opções para contê-la. Ontem.

Enquanto ouvia Marcos tentar processar a informação, seus olhos se fecharam por um momento. Ah, Elisa ia pagar. Iria pagar muito caro por tê-lo chantageado usando Vivian como moeda de troca. Ele faria com que ela se arrependesse do dia em que decidiu transformar seu amor em uma arma.

- Senhor? - a voz de Marcos soou cautelosa. - Que tipo de documentos?

- O acordo com Camilo. Ela tem uma cópia.

Um silêncio pesado do outro lado da linha. - Entendido. Trinta minutos.

Ele desligou, suas mãos cerradas com tanta força que as unhas marcavam a palma. Estava prestes a abrir a porta do carro quando uma voz familiar cortou a noite como uma lâmina.

- Braga!

Era Alice, e seu nome soava como um insulto na boca dela. Ela estava parada a alguns metros de distância, os braços cruzados, os olhos faiscando com um ódio tão puro que quase o impressionou. Pela primeira vez desde que a conhecera - desde aqueles dias distantes na escola quando ela era apenas a amiga barulhenta de Vivian - ele realmente gostou daquela garota.

- Você tem uma puta cara de pau - ela cuspiu, avançando em sua direção. - Aparecer aqui, comprar a peça principal para aquela... aquela... e ainda achar que pode...

- Alice - ele interrompeu, sua voz surpreendentemente calma. - Eu não posso explicar agora.

- Claro que não pode! - ela riu, um som amargo e descrente. - Nunca pode, pode? Sempre desculpas, sempre justificativas. Bem, chega. Nunca mais se aproxime dela, entendeu? Se eu ver você a menos de cinquenta metros da Vivian, eu...

Oitenta e um 1

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