Vivian
O bar tinha luzes suaves e paredes de tijolinhos, o tipo de ambiente que convidava à intimidade sem formalidades. Alice abriu caminho animada, puxando Vivian pela mão.
- Vem, eles já chegaram! - disse, quase saltitando.
No fundo, uma sala reservada guardava risadas e vozes conhecidas. Vivian hesitou na porta. Fazia mais de três anos que não participava de nada assim. Suas saídas tinham se limitado a jantares de negócios, recepções geladas ou eventos em que cada gesto era avaliado como se fosse parte de uma performance.
Agora, diante daqueles rostos iluminados de expectativa, sentiu o estômago se contrair.
- Gente, olha quem eu trouxe! - anunciou Alice, teatral.
Vivian foi imediatamente cercada. Abraços, exclamações, perguntas atropeladas. O calor humano a fez sorrir sem perceber. Não havia flashes de câmeras, nem olhares críticos. Apenas amigos - alguns que não via desde o ensino médio.
- Vivian? - uma voz tímida se destacou. Era Mateus, um antigo colega de turma. Tinham dividido livros, provas e a ansiedade de serem bolsistas em uma escola de elite. Agora, ele parecia outro: barba curta, roupas manchadas de tinta e um brilho entusiasmado nos olhos.
- Faz quanto tempo? Você continua linda.
- Obrigada… - ela riu, ainda envergonhada. - E você é o nosso grande Van Gogh.
A conversa deslizou fácil. Entre uma piada e outra, Vivian se pegou rindo alto, como não fazia há tempos.
Em certo momento, Mateus pigarreou, como se reunisse coragem.
- Ouvi você comentar que tá… procurando emprego?
Vivian assentiu.
- É, chegou a hora de recomeçar.
- Olha, eu não sei se seria do seu interesse… - ele coçou a nuca, visivelmente sem graça. - Eu abri uma galeria. Dou espaço pra artistas periféricos, gente que nunca teria chance em galerias grandes. Mas sou um péssimo administrador. - riu de si mesmo. - Preciso desesperadamente de alguém que entenda de organização, finanças… essas coisas que você sempre dominou. O salário não é nada comparado ao que você merece, mas… - hesitou, respirando fundo - por enquanto só posso pagar dez mil.
Vivian arregalou os olhos. Aquilo era o triplo do que recebia no Grupo Braga. E, mais do que números, vinha carregado de respeito. Reconhecimento.
- Mateus, eu… obrigada. Não vou te responder agora, mas prometo pensar com carinho.
- Hora da surpresa! - a voz de Alice a puxou de volta ao presente. A amiga entrou com uma faixa brilhante, ajudada por dois rapazes.
Em letras douradas lia-se: “Feliz Divórcio!”
Vivian cobriu a boca, chocada, e logo a gargalhada explodiu. Uma risada limpa, leve, que arrancou aplausos.
- Vocês são loucos! - disse, quase sem ar.
- Loucos por você, amiga - retrucou Alice, erguendo a taça. - E essa é a primeira de muitas comemorações da sua nova vida.
Os copos tilintaram no brinde coletivo. Vivian ergueu o seu, sentindo as lágrimas arderem. Mas, desta vez, eram lágrimas de libertação.
Pela primeira vez em muito tempo, não havia medo de errar. Não havia correntes invisíveis. Apenas amigos, música e um futuro em aberto diante dela.
E, no fundo do coração, uma certeza nascia: ela não precisava, melhor que isso ela não queria mais mendigar o amor de ninguém.

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