Eduardo
A casa noturna era uma das mais exclusivas da cidade. Portas escuras, seguranças imensos e uma fila de gente famosa tentando entrar sem convite. Eduardo não precisou esperar: os sócios o cumprimentaram na porta e abriram caminho.
Dentro, as luzes piscavam em tons de violeta, o som grave da música eletrônica fazia o chão tremer e as mesas privativas estavam tomadas de risadas, garrafas de champanhe e mulheres belíssimas. Eduardo entrou ladeado por Gustavo e dois seguranças; o resto do grupo de herdeiros já esperava.
- Finalmente! - gritou Guilherme para ser ouvido, puxando o amigo para a mesa reservada no mezanino. - O homem do momento.
Eduardo forçou um sorriso.
- Você está em todas as manchetes hoje, das revistas de economia aos posts de fofoca - disse, servindo-se de uísque.
- O que eu queria mesmo saber é como sua mulher deixou você vir beber depois daquelas fotos com a Elisa. - Alexandre Amaral, herdeiro do grupo Amaral, deixou escapar o comentário. No fundo, invejava o quanto Vivian costumava mimar o marido.
- Vivian pediu o divórcio! - Gustavo soltou de repente, já cansado de segurar a notícia.
- Ela endoidou de vez? Em sã consciência jamais faria isso - retrucou Renato, balançando a cabeça. - Ela te ama, Eduardo. Sempre amou. Todo mundo via isso.
Gustavo concordou:
- É só pirraça, cara. A volta da Elisa mexeu com ela, só isso. Ciúmes.
- Mulher ciumenta é fogo mesmo. Eu já me divorciei de duas. A próxima vou incluir no acordo pré-nupcial: se me encher, sai sem nada. - André, o escandaloso herdeiro do grupo Motta, riu alto. Seus próprios excessos o tinham afastado do conselho da família.
- Eu ainda acho difícil acreditar que ela tenha pedido o divórcio mesmo. Não é como se fosse uma grande herdeira que pudesse recusar a vida de riqueza dos Braga - disse Renato, sempre lembrado como o menos influente do grupo. Apesar de ter dinheiro para seis gerações, não se comparava ao império dos Braga. - Ela vai voltar atrás, pedindo perdão.
Eduardo girou o copo entre os dedos, em silêncio. Parte dele queria acreditar. Não, precisava acreditar.
- Vocês falam como se conhecessem Vivian melhor do que eu - disse, amargo.
- A gente conhece, sim - retrucou Lucas, que até então permanecera calado. Seu tom foi mais sério que o habitual. - Eu conheço muito bem. E sei que ela não é do tipo que j**a por interesse.
A mesa silenciou. Lucas apoiou os braços e encarou Eduardo.
- O defeito da Vivian foi ter se apaixonado por você, Eduardo. Só isso.
- Ah, pronto - ironizou Renato, rindo. - O advogado da Vivian entrou na roda.
- Não sou advogado de ninguém. Só estou dizendo o que é óbvio. Ela sempre foi honesta, sempre colocou você em primeiro lugar. Se ela foi embora, é porque você passou dos limites.



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