Karina praticamente me arrastou até o primeiro andar. As unhas cravadas no meu pulso. Não era acidente, ela queria me ferir. Quando ela empurrou a porta de um banheiro que ficava escondido.
O cheiro de urina era tão forte que meu estômago embrulhou.
— Os banheiros estão nojentos. Lave todos até o final do dia.
Fiz o que ela pediu. Sabia que, assim que reclamasse, Noah acabaria usando aquilo para me humilhar ainda mais. Ele tinha uma espécie de prazer sórdido com isso.
Dediquei atenção a cada detalhe, não era novidade.
Eu esfregava os azulejos me lembrando da adolescência que perdi fazendo exatamente aquilo no colégio católico.
Terminei o expediente com as mãos enrugadas e a roupa manchada de cloro. Esperei Noah na garagem. Não queria ser vista por outras pessoas naquela situação.
Quando ele me viu, franziu a testa.
Se aproximou devagar e segurou uma mecha do meu cabelo. Cheirou com cuidado e olhou para a roupa de grife arruinada que cobria meu corpo.
Não reclamei nem expliquei nada. Talvez doesse menos me enganar com a ideia de que, talvez, se Noah soubesse, ele me defenderia como fez com a antiga assistente.
No carro, o mesmo silêncio de sempre até ele estender o cartão.
— Toma, eu só comprei a mais o croissant. Depois posso te pagar. Foi um presente.
Noah não olhou para mim. Respondeu olhando para o celular.
— Esse cartão é seu, Aurora. Não viu seu nome nele?
— Meu?
— É a senhora Blanc, não é? Está escrito Aurora Blanc. Então... acho que é realmente seu.
Fiquei com os lábios entreabertos tentando absorver aquela informação. Talvez o limite fosse ridículo, uma armadilha para que, assim que eu tentasse comprar alguma coisa, eu acabasse passando vergonha.
Ele era capaz disso. Guardei o cartão decidida a jamais usar.
— Obrigada.
— Silêncio, Aurora. Estou tratando de um assunto importante.
Desviei os olhos para a tela do celular. As mensagens que Noah estava trocando eram com Suzanna.
Minha irmã falava coisas doces e, a cada frase, meu marido sorria sem se preocupar em esconder aquilo de mim.
Me sentei com o corpo colado no lado oposto do banco e fiquei olhando para a rua pelo vidro blindado.
Tinham me tomado até mesmo o direito de sentir o vento no rosto. Diziam ser arriscado.
Em casa, o carro parou e Noah desceu ainda focado no celular, enquanto me deixava para trás.

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