Coloquei o prato sobre a mesa de centro. Noah olhou para mim e se levantou parecendo furioso.
Foi para a biblioteca e bateu a porta com força.
Olhei em volta para ter certeza de que Suzanna não estava por perto e caminhei apressada para o mesmo lugar. A cada passo eu ouvia mais nitidamente um homem que em nada se parecia com Noah.
Eu não sabia com quem ele estava falando, mas era poderoso o bastante ao ponto do meu marido chamar de “senhor”.
— Se fizer isso, você volta e assume. Eu saio.
Ele estava decidido, a voz continuava firme.
— Nunca precisei do senhor. Sabe disso.
— Se fizer qualquer coisa contra ela eu esqueço que sou seu filho!
Afastei o rosto da porta com o coração batendo ainda mais acelerado. Então era com Jordan Blanc que ele estava falando!
Meu sogro era uma lenda para todo o país. As fofocas diziam que ele comandava um império muito maior do que o Grupo Blanc e que, por isso, havia saído do país deixando Noah ainda muito jovem com a empresa.
Lembrei do homem que parecia incomodado com Suzanna no dia em que combinaram o contrato de casamento entre Noah e ela.
Provavelmente minha família era uma das poucas que já tinha recebido a visita do meu atual sogro.
As lembranças eram estranhas. Se o homem naquele dia na piscina era Jordan Blanc, então por que ele apontava para mim?
— O que faz aqui, Aurora?
Puxei o ar e as memórias sumiram. Noah estava na minha frente, a porta da biblioteca fechada, o telefone desligado.
Eu não tinha ouvido como a conversa entre ele e o pai terminou.
— Desculpa, eu... eu queria saber se gosta de panquecas.
— Mentira. O que você ouviu, Aurora?
— Nada.
Noah deu um passo em minha direção. Tentei sair pela lateral e ele colocou a mão na parede, ao lado do meu rosto. O outro lado foi exatamente igual.
— Por favor. Eu não ouvi nada. Não deveria ter feito isso.
— Não vai se separar de mim, Aurora. Entende isso?
— Entendo. Eu não disse nada, não ouvi nada.
— Pois, se ouviu, é bom que saiba que nem ele vai te livrar de mim.
Noah saiu como se eu tivesse feito algo muito ruim. Não me esperou para irmos ao escritório.
Passei quase uma hora tentando encontrar um táxi disponível e, quando cheguei ao Grupo Blanc, ele não estava lá.
Karina, como sempre, se aproximou com aquele sorriso irritante.
— Pode lançar esses contratos nessa plataforma, Aura?
— Contratos?
— Sim, basta copiar os dados e enviar no final de cada preenchimento. Deve ser capaz de fazer isso, mas fique atenta a todos os detalhes, não pode faltar nenhum.
Concordei e assisti Karina realizar o primeiro lançamento. Não era difícil e eu precisava de algo para distrair minha mente até que Noah aparecesse.
Fiz o que ela pediu e todas as outras ordens estranhas, mas, na hora do almoço, enquanto eu tentava engolir o que o refeitório afirmava ser comida, uma voz soou no alto-falante.
Assistente da Diretoria, Aura. Compareça à sala de reuniões B.
A mensagem se repetiu mais algumas vezes, todos estavam olhando na minha direção. Deixei a bandeja e subi, torcendo para que Noah tivesse chegado.
Talvez o convencesse a comprar uma flor ou algo que demonstrasse que meu pai não estava sozinho. Poderíamos levar ao hospital juntos.

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