Aquela pergunta tinha todo sentido para mim, mas Noah não julgou da mesma forma. Ele simplesmente abriu a porta e saiu.
— Noah!
Ele olhou como se esperasse que eu falasse qualquer coisa que o tirasse daquela situação.
— Fala, Aurora. O que quer saber de verdade?
— Quero que confie em mim, que me diga o que aconteceu desde que fui embora. Por que Suzanna estava aqui?
— Vai acreditar em mim se eu disser que não sabia que sua irmã estava aqui?
— Então quem a trouxe para cá, Noah? O que aconteceu ontem à noite?
Noah continuou afirmando que não tinha aquelas respostas e eram as únicas que me importavam.
— Quem é que trouxe a minha irmã para cá, Noah? Só me diga isso, por favor.
Ele me encarou por alguns segundos até que a voz saísse rouca.
— Meu pai.
A postura impenetrável de Noah parecia ter se tornado a de um menino.
Algo que eu nunca tinha visto e que me assustava.
— Seu pai? Ele não faria isso. Confia em mim. Me diz o que está acontecendo. Por favor.
— Você não confia em mim, Aurora. Por que eu acharia que você é digna de confiança?
Noah saiu e me deixou sozinha naquele quarto. Cheia de dúvidas e com a minha intimidade ainda úmida pelos toques dele.
Eu o amava, mas tudo remava contra ele.
Acabei dormindo sozinha, não apenas aquele dia, mas vários outros.
Os cafés da manhã apareciam.
O pão era colocado dia após dia em uma sacolinha de pano pendurada na maçaneta da porta.
O leite em uma garrafa de vidro e ovos que sempre surgiam na porta.
Eu sabia que o responsável por aquilo era Noah, mas o meu desespero era que nunca conseguia encontrá-lo.
As semanas se tornaram meses.
E na minha barriga o nosso filho já me movia de uma forma que sempre me fazia chorar.
Eu queria que Noah pudesse sentir aquilo.
Era mágico.
Resolvi esquecer a minha tristeza, comecei a organizar as coisas.
Plantava sementes e mudas, passei a buscar outras flores na mata e a conhecer o espaço.
Encontrei um casebre no meio do nada.
Abri a porta sem dificuldade, mas meu coração quase parou quando vi o que ele abrigava.
Havia diversos brinquedos, roupinhas, ursos de pelúcia. Tudo organizado com cuidado e protegido por plásticos.
Perguntei sozinha.
— Por que Noah?!
Ele estava vivendo a paternidade sozinho e eu estava apavorada.
Procurei por todos os espaços, queria saber onde ele estava. Não encontrei nada, nem mesmo um indício de que ele estava vivendo naquele lugar.
Eu estava sozinha!
Voltei para casa ainda mais assustada. Eu não sabia o que fazer.
O medo me dominou. Sentia que estava sendo seguida.
Corri sentindo o vento bater no meu rosto com uma força fria desproporcional.

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