POV: AIRYS
— Imagino que o Conselho esteja reunido com os outros Alfas. — ele comentou, sem suavidade, com preguiça.
— Na verdade, senhor… — Symon coçou a cabeça, visivelmente desconfortável. — Estão todos aqui na cidade. Os conduzi ao salão central de julgamentos. Também levei o prisioneiro capturado na montanha para o interrogatório.
— Lobos sem companheiras… a fome se acumula. — rosnou Daimon com desprezo, e sua voz carregava uma selvageria que me fez rir, escondendo o rosto em seu peito. O Beta fingiu não escutar, mantendo os olhos fixos no chão.
— Daimon, estão tentando eliminar esta geração de lobos. — falei, tocando seu tórax com uma das mãos, sentindo os músculos rígidos sob meus dedos. — Primeiro os filhotes, agora as Lunas. Sem elas, não há novos sucessores.
Ele se virou para mim rosnando baixo, até que sua áurea se expandiu ficando assassina e perigosa. Tocando meu queixo, Daimon acariciou o ponto ali com o polegar. Pela primeira vez, o vi me olhar com uma ternura desconcertante e um brilho suave de admiração em seus olhos intensos e terrosos.
— Muito astuta, coelhinha. — murmurou, e então depositou um beijo demorado em minha testa. Quando se afastou, suas mãos me empurraram suavemente em direção ao quarto. — Jasper ficará de guarda aqui na porta. Não saia até que eu retorne.
— Mas o que vou fazer trancada aqui? — resmunguei, bufando com impaciência. — Me deixe ajudar de alguma forma.
— Pequena, preserve suas energias. — ele piscou, malicioso, sem esconder o que suas palavras insinuavam. Symon pigarreou, desconfortável, desviando o olhar.
— Beta, é notável que a Deusa não lhe concedeu uma companheira hoje. — provocou Daimon, com sarcasmo evidente.
— Acho que ela previa que era necessário estar em alerta, meu rei. — respondeu Symon, constrangido. — O aguardo no saguão.
Assim que o beta se retirou, Daimon me olhou novamente. Seu rosto endurecido, os olhos agora frios e calculistas, com Fenrir ao fundo de suas íris.
— Airys, nem todos os Alfas dos quatro pilares aprovam uma Luna humana. — seu tom se tornou cortante. — Sinto que há líderes envolvidos com o inimigo, e esta jogada foi para se infiltrarem aqui. No menor sinal de problemas, Jasper a tirará da cidade para um local seguro.
— Se sabe disso, por que os permitiu virem aqui? — questionei, buscando seus olhos, sentindo o medo se misturar à indignação. — Não era mais fácil fechar a cidade?
— Sou o Alfa Supremo. Não viro as costas para o meu povo. — sua resposta veio em um rosnado imponente, a voz vibrando autoridade. — Nem todos são culpados.
— Compreendo. — suspirei pesado. Quando ele se afastou para ir embora, segurei seu pulso, forçando-o a me encarar. — Tenha cuidado.
Daimon não respondeu, mas seus olhos disseram tudo. Havia fogo ali. Fúria contida. E algo mais… uma promessa silenciosa de que, se alguém ousasse tocar em mim, ele queimaria o mundo inteiro antes que tocassem em mim.
— Pequena, o que falei sobre confiança? — Ele voltou de súbito, me puxando com brutalidade controlada, colando nossos corpos. Seus olhos captaram cada nuance da minha hesitação. Em seguida, capturou meus lábios com um beijo profundo, possessivo, exigente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO