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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 119

POV: AIRYS

— Não me leve a mal, humana, mas é mais fácil lidar com um Alfa que está sem sexo há semanas do que com uma mulher cabeça-dura. — Ele deu uma risada sem vida. — Não que não tenha rolado algo.

— Ah, agora você vai ter que contar tudo. — Provoquei com um sorriso malicioso, abrindo a porta e deixando que ele entrasse. Nos sentamos, e a conversa tomou um rumo descontraído.

Jasper começou a descrever como arrastou Lify para um canto da sala de estratégia e a tomou como se não houvesse amanhã. Enquanto ele falava com aquele tom orgulhoso e safado, minha mente se afastou. Algo não estava certo. Havia uma inquietação que crescia dentro do meu peito. Um arrepio se arrastou pela minha pele como um aviso sutil.

Olhei pela janela, buscando algo, qualquer coisa, que justificasse aquela sensação estranha. Meus olhos se fixaram em uma silhueta à distância. Aquela postura, aquela presença... era idêntica à que vimos na montanha. A figura olhou para cima, direto na minha direção, e levou o dedo aos lábios, num gesto de silêncio.

Arfei, me levantando de supetão. Jasper ficou em silêncio imediato, a postura mudando em um segundo. Ele seguiu meu olhar com atenção de lobo treinado.

— O que foi? — perguntou, já em alerta. Farejou o ar e seu corpo enrijeceu. Seus pelos se eriçaram, os olhos se estreitaram. Sentimos a pressão no ambiente mudar. O chão vibrou levemente sob nossos pés.

— Tem algo errado. — murmurei, engolindo em seco. No instante seguinte, uma explosão do lado de fora fez os vidros tremerem.

Corri em direção ao corredor, mas Jasper foi mais rápido, me puxando com força e me posicionando atrás dele. O cheiro de fumaça invadiu o quarto, seguido de grunhidos e rosnados do lado de fora. O som de garras se chocando ecoou pelos corredores, alto demais para ser ignorado.

— Merda, estamos sendo atacados! — ele gritou, tossindo enquanto a fumaça começava a se espalhar. Seu corpo já estava parcialmente transformado, os olhos lupinos em alerta máximo.

Meu coração disparou. A sensação ruim não era apenas uma impressão. Era real. E pressentia que estava apenas começando.

Rugidos ecoaram pelo corredor, fortes e brutais, fazendo as paredes tremerem. Jasper me agarrou pelo cotovelo e me empurrou para dentro do quarto, jogando a estante contra a porta e empilhando cadeiras de forma apressada.

— Venha. — Ele ordenou, sem espaço para discussão, me puxando com força.

— Pra onde, Jasper?! — Questionei com a respiração acelerada, sentindo o pânico subir pela garganta. — Não tem como fugirmos daqui. Eu já olhei tudo! A única saída é a sacada!

A madeira da porta rangeu alto quando algo começou a forçá-la do outro lado. Cedi alguns passos para trás, sentindo meus músculos tensos e o estômago revirar.

— Por que acha que o Alfa quis manter você neste quarto? — Jasper me lançou um olhar rápido, com um sorriso malicioso no canto dos lábios. — Pensou mesmo que fosse só para esquentar a cama dele?

— Dá pra parar com essa palhaçada? — Cerrei os punhos, os olhos fixos nele, o corpo inteiro em alerta. O barulho da madeira estalando aumentou, o trinco vibrava com os golpes brutais. — Quem, em sã consciência, seria louco de atacar a cidade principal?!

— Alguém que deseja a própria morte, na certa. — Ele respondeu, já com a porta da sacada aberta, os olhos vasculhando a parede, as mãos deslizando por ela como se buscasse algo escondido.

— O que está procurando?! — A ansiedade me engasgava, a respiração vinha em arfadas, meus olhos se moviam rapidamente de um canto a outro do quarto. O som de madeira se partindo me fez travar. A cabeça de um homem surgiu pela brecha na porta arrebentada. Meu corpo congelou no lugar.

— Malik...? — Sussurrei, sem ar.

Meu coração disparou. Recuar foi instintivo. Meus pés cederam passos vacilantes para trás. A lembrança do que ele já tinha feito queimava minha mente. Não era apenas um inimigo. Era o maldito que me vendeu e destruiu de várias formas, um monstro. E ele estava ali, nos caçando como presas, presas encurraladas.

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