POV: AIRYS
Agarrei seu braço com força ao ver a sombra colossal cobrir as paredes e um assovio frio e sombrio preencher o túnel.
— Presas... eu farejo suas fraquezas e medo. — A voz distorcida ecoou pelo corredor, grotesca, poderosa, inumana. Meu estômago virou.
— Vá, Airys. Eu vou segurá-lo o máximo que conseguir. — Jasper me empurrou com a lanterna. — Não olhe para trás.
— Não! Vem comigo! — Agarrei seu braço com desespero, cravando as unhas em sua pele. — Você vai morrer se ficar! Sentiu a áurea dele... é tão parecida com a do...
— Que tipo de amigo eu seria se não a protegesse? — Ele sorriu fraco, soltando meu agarro e me empurrando outra vez, me fazendo tropeçar para frente. — Além do mais, é minha chance de me provar ao Supremo. Vá!
Jasper me empurrou com mais força dessa vez, me fazendo tropeçar e segurar na parede, o olhei desesperada, não queria o perder, Jasper havia se tornado um amigo único e eu o adorava como um irmão.
— E, Airys? — Sua voz tomou um tom mais divertido
Parei, com os olhos cheios de lágrimas, o coração batendo forte, o corpo tremendo sem parar.
— O quê? — Indaguei, com a voz embargada, tentando conter o soluço.
— Se eu sobreviver... — Jasper sorriu de canto. — Você me deve uma tequila.
— Eu acho bom você não morrer. — Ameacei, engolindo seco, com os olhos fixos nele enquanto a presença atrás dele crescia. A parede foi arranhada por garras longas, arranhando o concreto com um som que fez meus pelos arrepiarem. — Por favor... não morra, seu idiota.
— Farei o meu melhor. — Notei o brilho triste em seu olhar, aquilo parecia uma despedida não um até logo.
Voltei até ele apenas para o abraçar apertado e me virei, começando a correr, sem olhar para trás, fugindo como uma covarde fraca, uma humana inútil que não tinha como proteger alguém como Jasper. Estava desesperada, seguindo o mapa. Cada passo parecia mais pesado. O ar estava frio. O medo vibrava em mim como eletricidade. Quando pisei fora, na entrada do labirinto, um grito rasgado e doloroso ecoou atrás de mim.
Minhas pernas fraquejaram, quase cedendo.
— Jasper... — Pousei a mão sobre o peito, sentindo uma dor aguda atravessar meu tórax. As lágrimas escorreram quentes pelas bochechas. — Não...
O rugido que veio em seguida fez meu corpo estremecer. Girei o rosto por instinto. A presença estava ali. Fria. Opressora. Assustadora. Sequei o rosto com as mãos trêmulas e corri. Segui em frente, tentando entender o mapa na escuridão. A lanterna tremia na minha mão. A neve caía com força, se acumulando no cabelo, nos cílios. O frio era cortante. Doía até respirar. Cada articulação gritava. O peito pesava, o ar parecia gelo entrando nos pulmões.

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