POV: AIRYS
Engoli em seco, tentando me manter firme. Mas meu corpo tremia. Meus dedos estavam dormentes do frio e do pavor. O enorme lobo se posicionou para o ataque. Seus ombros abaixaram, as patas avançaram devagar, o focinho repuxado revelava as presas com uma ameaça silenciosa. O som de suas garras arranhando o chão ecoava como uma sentença.
— Eu... — Minha voz falhou. Minha garganta estava seca, meus joelhos vacilaram. Forcei o ar para dentro dos pulmões e me pus de pé cambaleando, com o coração batendo tão rápido que doía. — Eu sou sua Luna, Daimon. Por favor... controle sua fera...
Por um segundo, eu acreditei que aquilo o alcançaria. Por um segundo, tive esperança.
Mas a fera apenas riu de novo.
A risada veio de dentro do peito, profunda, distorcida, desumana. Vibrou pelo ambiente, ecoou nas paredes, me atingiu como uma explosão. Aquela não era uma risada comum. Era a risada de alguém que perdeu completamente o controle ou talvez, de alguém que nunca quis controlar nada.
Seus olhos se cravaram nos meus. E nesse momento eu soube que ele não estava mais ali. Não como eu o conhecia. O que olhava para mim era algo mais sombrio. Algo que não hesitaria em me despedaçar.
Olhos assassinos. Frios. Vazios. Nenhum traço de reconhecimento, nenhum resquício de sentimento. Apenas crueldade.
Minha pele se arrepiou. Um arrepio seco, instintivo. Meus pulmões travaram, como se respirar fosse perigoso. Meus pés recuaram por conta própria.
“Fuja!”, minha mente gritou num impulso de autopreservação.
Mas meu corpo ainda congelava com a lembrança de sua voz, de seu toque, da promessa que ele fez. Do homem que dizia que não pretendi me machucar.
Agora ele me caçava.
E eu precisava correr.
Antes que fosse tarde demais.
Corri sem olhar para trás, o som das patas pesadas batendo contra o chão me fazia perder o ritmo. O ar queimava nos pulmões, minha garganta arranhava, seca. O hálito quente da criatura roçava minhas costas, tão próximo que podia sentir o calor úmido dele bater contra minha pele. As presas cortavam o vento atrás de mim, perigosamente perto. Ele podia me alcançar... mas não fazia. Estava me perseguindo como uma presa. Brincando comigo.
Meus pés tropeçavam nas pedras, nos galhos, mas eu não parava. A neve começava a se acumular, tornando o terreno escorregadio. Passei entre árvores, galhos cortando meu rosto e braços. Minha camisa se prendeu, rasgou com um estalo seco, expondo minha pele ao frio cortante. Senti a ardência de cortes abertos e o sangue quente escorrendo pelas minhas costas.
De repente, as garras me atingiram.
Um golpe brutal atravessou minhas costas. Gritei alto, meu corpo foi lançado para frente com força. O impacto me fez rolar pelo chão até parar sobre uma superfície dura. Tentei me levantar, gemendo, sentindo cada músculo protestar, mas o som de algo trincando sob mim me fez congelar.
Olhei para baixo, com os olhos arregalados. Estava sobre um rio congelado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO