POV: AIRYS
Ele ergueu o corpo, a sombra dele cobrindo tudo ao redor. As garras cravadas no gelo. Os olhos incandescentes, fixos em mim.
— Uma humana incompleta. — rosnou com ferocidade, preparando-se para o salto.
Eu não consegui reagir. Não consegui correr. Não desviei. Meu corpo paralisou. Meus olhos se fecharam com força, esperando o fim. O coração parecia prestes a se partir. A dor não era só física. Era o tipo de dor que destroça a alma.
Foi então que ouvi. Um grunhido alto. De dor. Meu corpo ainda estava inteiro. Não era o meu grito.
Meus olhos se abriram em choque. Arfei. Estremeci. Minha mão trêmula tocou meu peito, confusa. Eu ainda estava viva.
Ergui o olhar e vi Symon à minha frente. Seu corpo estava ferido de forma horrível. Uma mão estava atravessava em seu abdômen. O sangue caía em gotas sobre a fina camada de gelo. O rosto dele estava pálido, os olhos se apagando lentamente.
— Airys, fuja... — ele virou o rosto, a boca cheia de sangue, os lábios tremendo. — Ele... não é o Alfa...
Antes que eu pudesse entender o que ele queria dizer, o corpo dele foi arremessado com brutalidade. Um som seco cortou o ar, e logo um rugido poderoso, feroz e dominante, ecoou ao redor. A criatura diante de mim se virou, focinho erguido, alerta.
Vários lobos surgiram, cercando o local. A tensão aumentou. A fera negra se manteve firme, olhos famintos, rosnando para todos. Me arrastei para trás quando outro estalo veio do gelo. Pulei para uma pedra próxima, os olhos atentos ao rompimento da superfície e às águas agitadas sob a camada fina.
A neblina aumentou. A neve caía mais pesada, misturada à chuva. O vento uivava, cortando minha pele, fazendo meus cabelos chicotearem meu rosto. O frio doía nos ossos. Minha respiração era difícil, pesada, cada inspiração um esforço.
A cena era um caos. Lobos sendo despedaçados sem misericórdia pela criatura sombria. Foi quando, no meio do combate, vi uma figura nua e ferida emergir. Daimon. Em sua forma humana. Cambaleava, tocando a cabeça onde um corte profundo escorria sangue. Os olhos terrosos encontraram os meus.
Fiquei sem fôlego. O que aquilo significava? Se ele estava ali, em forma humana, então... quem ou o que estava me caçando?
Antes que pudesse reagir, senti algo atingir minhas costas com força. As garras se cravaram em minha pele, e fui lançada com violência. Um grito de dor escapou da minha garganta. O gelo cedeu, e eu caí na água gelada. Arfando, virei o rosto e vi minha irmã em sua meia forma lupina. Ela sorria.
Um sorriso de satisfação cruel. Ela havia me empurrado.
Minha queda parecia lenta, mas implacável. Os flocos de neve tocavam meu rosto como agulhas congeladas, cada um trazendo uma dor fina e incômoda. Ao meu redor, a batalha se desfocava, como se o mundo estivesse em pausa. O cheiro forte de sangue se misturava à fumaça e à umidade densa da tempestade. Relâmpagos riscavam o céu, iluminando por instantes o caos, para logo mergulhá-lo de volta na escuridão pesada.
Uma lágrima quente escorreu pelo canto do meu olho, rasgando o gelo da minha pele. Virei o rosto com esforço, como se cada movimento exigisse o pouco de força que me restava. E então o vi.
Daimon.
Cruel, feroz, dominante até o último fio de controle. Um erro que meu coração insistia em manter. O erro que me fazia sangrar por dentro. A dor latejava no fundo do peito ao perceber naquele instante, mesmo em meio ao caos, que eu o amava. Tinha me entregado, confiado... de novo no homem errado. Na fera errada.
“Achamos que seria diferente, foi intenso demais, real demais.” Minha mente grunhiu em dor e tristeza, como se eu chorasse por dentro e transbordasse por fora.
Daimon grito em minha direção, o som quase sobre humano. Era desesperado, instintivo. Ele corria em na minha direção, derrubando qualquer um que se colocasse a sua frente, como se pudesse impedir o inevitável. Mas já era tarde demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO