POV: DAIMON
Avancei. Rápido demais para que Nero reagisse. Ele apenas arregalou os olhos antes do impacto. Meu joelho atingiu seu estômago com força suficiente para tirar o ar dos pulmões dele. Ele se curvou, arfando. Fechei o punho e atingi o topo da cabeça dele com brutalidade, afundando seu rosto no chão. O som dos ossos dele encontrando a pedra foi seco. Ele gritou. Antes que pudesse tentar se mover, meu pé o encontrou mais uma vez, chutando-o com força o suficiente para arremessá-lo contra uma das colunas. A estrutura quebrou com o peso do corpo dele, caindo em pedaços.
Me virei com o peito arfando, a respiração pesada, o sangue latejando nas têmporas. Minha visão ainda estava turva pelos efeitos da maldita magia, mas o cheiro denunciava tudo. Kael. O traidor. Sentia o medo dele, o suor frio, a hesitação.
Ele avançou. Idiota. Brandou contra mim com força, mas Stephan se colocou no caminho, o punho cerrado, socando Kael direto no queixo e o jogando no chão com um baque.
— Supremo, sua mansão foi atacada. — A voz de Stephan era firme, urgente. Apontou com a cabeça na direção das portas escancaradas onde Symon, ferido, ainda lutava para proteger o acesso. — Proteja sua Luna. Cuidamos desses vermes.
— Nero é meu! — Hazim urrou, enlouquecido, consumido pela dor e pela perda. — Ele é só meu!
Não respondi. Apenas sorri. Um sorriso frio, distorcido, sem humor. Meus músculos se expandiram quando Fenrir se ergueu em minha pele, exigindo espaço. A fera rosnava dentro de mim, exigindo sangue, exigindo Airys. Minhas garras se estenderam, os olhos queimavam.
Saltei pelos escombros do salão, derrubando com brutalidade cada inimigo que tentava me deter. Eu os rasgava sem hesitar, não havia tempo, não havia piedade. Meus pés tocaram o chão firme do lado de fora e corri. Corria com os pulmões em chamas, os olhos fixos em um único destino.
Minha casa.
Quando alcancei o topo da colina, estacionei, o coração batendo com violência. Meus olhos se arregalaram.
Minha mansão estava em chamas.
O telhado desabava aos poucos, o calor das labaredas ondulava o ar ao redor, o estalo da madeira quebrando era engolido pelo rugido do fogo. O cheiro de fumaça e sangue me atingiu misturado no ar. Cerrei os punhos, um arrepio percorreu minha espinha.
— AIRYS! — Meu rugido ecoou tão alto que rachou o silêncio ao redor.
Escalei a parede externa sem hesitar, agarrando cada fresta da pedra até alcançar a sacada do meu quarto. As chamas já haviam tomado conta de tudo. O calor batia contra minha pele como uma onda violenta. O suor escorria do meu rosto. Meus pés tocaram a varanda e empurrei os escombros da porta até conseguir entrar.
Vi um vulto entre a fumaça. Malik.
Ele segurava a pedra de rubi. O último fragmento... o fragmento que era dela.
Minha voz saiu como um trovão.
— Onde está minha Luna?
— Ah, Alfa... que bom que se juntou à festa. — Malik gargalhou como um psicótico. — Ela nunca foi sua. Apenas a emprestei para ser usada.
— Eu deveria ter arrancado sua língua e os dois braços ao invés de um. — grunhi, o peito subindo e descendo com violência.
Malik levou a mão até o local onde faltava seu braço, cerrando os olhos em fúria.
— Você vai pagar por isso. Por tudo que fez conosco! — ele gritou, sorrindo ao olhar sobre meus ombros. Senti uma presença poderosa atrás de mim. Fria. Maligna. — Você vai cair, Supremo. Vai perder tudo o que construiu.

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