POV: DAIMON
O coração bateu com força, como se quisesse rasgar o peito. Arqueei as sobrancelhas, o ar preso nos pulmões por um segundo.
— Então não morra — murmurei, cerrando o maxilar. — Será um prazer a ver constrangida por isso. — Apertei suas mãos. — Meus guerreiros estão vindo. Aguente firme.
Jasper apertou os olhos, tremendo. Cada músculo dele se contraía com dor.
— O labirinto... — sussurrou com esforço. O ar parecia não alcançar seus pulmões. — Eu... mudei o caminho do mapa. Eles sabiam para onde estávamos indo... Eles sabiam...
— Para onde a mandou? — minha voz saiu como um trovão abafado, o maxilar travado de raiva. Se Airys não estava indo para o bunker protegido com prata... onde estava?
— O rio congelado... — ele dissera. E agora o nome do lugar martelava em minha cabeça.
Corri. O som dos meus passos ecoava entre os túneis como o prenúncio de morte. Saí dos corredores de pedra, e a neve começou a cair com força. Meus olhos buscaram o rastro, meu nariz farejava o ar gelado. Parei próximo ao labirinto, o cheiro do sangue dela me atingindo como uma lâmina no estômago.
— Maldito, a feriu... — grunhi baixo, os olhos incendiados. — Brincou com ela.
Fenrir rugiu dentro de mim.
“Ninguém toca em nossa humana.”
Rasguei tudo que havia à frente. Nenhuma árvore, nenhuma rocha, nenhuma criatura seria poupada. Não importava o obstáculo, nós o destruíamos. Eu estava em minha forma híbrida. Meus músculos explodiam sob a pele, os olhos cravados na direção do rio.
A neve se acumulava nos meus ombros, nos cabelos, mas não diminuía minha velocidade. Arfava, arfava alto, cada respiração era um rosnado bruto. Meus membros pulsavam com a energia que crescia sem controle.
“Nossa Luna. Nosso destino.” Fenrir declarou, e a certeza incendiou meu peito.
Aquele sentimento. Aquilo que nos corroía por dentro... não era apenas instinto. Era desespero. Era agonia. Estávamos ardendo. Em alerta. Em necessidade. Em fúria.
Cheguei ao rio. O gelo refletia a luz fraca da lua. E então algo se lançou contra mim. Instintivamente agarrei e o joguei ao chão. Era Symon. Coberto de sangue, o corpo dilacerado.
— Symon! — sussurrei, os olhos em chamas. Ele arfava, a pulsação fraca, quase extinta. Sangue jorrava de um corte profundo no abdômen.

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