POV: AIRYS
— Que pergunta peculiar. — Ela olhou em volta, depois sussurrou próximo ao meu ouvido. — Sim, eu sou humana. E também sei que o que te atacou... não foi um urso. Foi algo muito mais selvagem.
Arregalei os olhos, o estômago se revirando.
Ela sabia. Mas como?
— Como você... — balbuciei, nervosa, estremecendo ainda mais.
— Querida, minha base fica entre as fronteiras. Tem ideia de quantos pacientes recebo por aqui? De quantas espécies diferentes? — Jack disse animada, rindo com leveza. — Olha, pela forma como te encontramos, sei que você estava em perigo real. Quero que saiba que está segura aqui. Mas precisamos conversar sobre suas condições... e eu preciso saber quem estava atrás de você, para que eu possa garantir sua segurança.
— Você não teme os lobos? — perguntei, confusa. Toda essa naturalidade me deixava atônita.
— Ah, querida... convivo com um meio-irmão híbrido, e minha irmã é Lupina. — Jaqueline suspirou com um sorriso. — O que eu temo é que eles roubem a mistura do jantar antes que eu consiga comer.
Soltei uma risada fraca, interrompida por uma pontada de dor nas costelas. Estremeci.
— Aí... — resmunguei, respirando devagar.
— Desculpa por isso. Dizem que sou uma palhaça, não devia te fazer rir. — Ela tentou manter o bom humor, mas sua voz carregava uma hesitação sutil.
— Por quanto tempo fiquei apagada? — perguntei, franzindo o cenho ao notar a expressão dela mudar. Havia algo que ela não queria dizer de imediato.
— Por longos meses. — A resposta veio com um peso inesperado. Minha expressão de surpresa foi imediata. Meus pulmões pareciam não encontrar ar suficiente. Comecei a ofegar.
— Ei, calma. Respira comigo. — Jaqueline se aproximou, apoiando as mãos nos meus ombros, me ancorando. — Seu corpo precisava desse tempo para se recuperar. Você sobreviveu a uma caçada e a uma queda em um rio congelado. Francamente? Alguém lá em cima gosta muito de você!
— Não tenho tanta certeza disso... — murmurei, com tristeza, estremecendo outra vez.
— Claro que sim, você não só sobreviveu como os seus bebês também. — Jack apertou minha mão com firmeza, tentando transmitir segurança. Em seguida, puxou a prancheta e, ao erguer os olhos para mim, seu rosto mudou. Ela travou, notando meu estado. O sangue esvaziou do meu rosto, minha respiração falhou, os lábios tremeram. O estômago se contorceu de pânico. Eu a encarei, imóvel, enquanto o mundo girava ao meu redor.
— Aí, caramba... você não sabia... — murmurou em choque.
— O que você acabou de dizer, doutora? — Minha voz saiu fraca, trêmula. Levei a mão à boca, como se pudesse impedir que aquilo fosse real. — Eu... eu... estou grávida? Eu vou ter um bebê?
— Na verdade, querida... — Jack soltou um longo suspiro e se levantou devagar, pegando a pequena mesa com rodinhas. Sobre ela havia um aparelho portátil de ultrassom. Ela posicionou ao meu lado e me olhou com seriedade, mas também com uma delicadeza que me desconcertou. — Acho melhor te mostrar.
Me movi devagar, os músculos ainda doíam e tremiam. Me deitei, encostando a cabeça no travesseiro com o coração acelerado. Minhas mãos hesitaram ao levantar a camisa. Toquei a própria barriga, como se aquilo ainda fosse um delírio. Meus dedos estavam frios. A pele, sensível.
"Como eu podia estar grávida?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO