POV: AIRYS
As imagens invadiram minha mente com violência. O túnel. Jasper. O labirinto. Eu ajoelhada, implorando para que ele não fizesse aquilo. O som do meu próprio grito. Seu olhar antes de tudo desmoronar.
Meu corpo inteiro começou a tremer. Choro preso na garganta, soluços sem voz. O desespero era sufocante. Me curvei sobre os joelhos, os ombros estremecendo a cada respiração.
O toque dele ainda estava gravado na minha pele, assim como sua marca em meu ombro. A força das mãos, o domínio, os beijos possessivos, a forma como me fazia gemer com um simples toque. Eu o odiava..., mas meu corpo o desejava, meu coração o amava.
E agora, dentro de mim... três corações batiam. Três vidas que ele deixou marcadas em mim. Três filhos de um homem que me destruiu e que eu ainda... ansiava. Por mais que tentasse negar.
O desespero crescia como uma chama fora de controle. Eu estava presa a ele. Ao meu predador. Ao meu carrasco. E, de alguma forma, ao único homem que fez meu corpo e alma arderem de forma tão completa.
Jaqueline permaneceu em silêncio, observando meu colapso. A expressão no rosto dela era um misto de pena e impotência.
— Ele vai vir atrás de mim — sussurrei com os olhos fechados, o rosto coberto de lágrimas.
— Não sei o que fazer, como posso ter essas crianças e as proteger se nem ao menos consigo me proteger? — O medo me sufocava, me esmagava por dentro.
Jaqueline se aproximou, me virou com delicadeza e tocou meu rosto com carinho. Pegou minha mão e a pousou sobre minha barriga.
— Feche os olhos — ordenou suavemente. Hesitei, mas obedeci. — É muita coisa para absorver, muita dor para processar. Então, neste momento, só quero que sinta. Sinta a vida que pulsa em você. Esses pequenos grãos que você manteve seguros mesmo quando tudo desabava ao seu redor. Não importa o que aconteça, Airys, você é forte o suficiente para amá-los e protegê-los.
— Eu não sei como fazer isso sozinha... — sussurrei num fio de voz. — São três bebês...
— Que tal uma amiga? — Abri os olhos e a encarei, surpresa.
— Por que você me ajudaria? Mal me conhece. Não sabe de quem estou fugindo. — Minha voz estava cansada, trêmula, tomada pelo medo.
— Isso é verdade — ela disse, tocando a ponta do meu nariz e me ajudando a me sentar com cuidado. — Mas esse é o meu jeito Jack de ser. Por que acha que instalei uma base justamente entre as fronteiras? Todo mundo merece uma segunda chance. Até você, Airys.
Assenti com os olhos marejados, tocando novamente minha barriga. O volume já era visível. Estava ali. Real. Palpável.
— Grávida de trigêmeos... do Alfa Supremo... — murmurei, mordendo o lábio por dentro.
Como Daimon reagiria se soubesse que eu carregava seus filhos? Que seria pai?
"Por que isso importa?" minha mente sussurrou com amargura. "Ele nos rejeitou. Como todos os outros. Esses filhotes são apenas nossos. Não podemos deixar que ele descubra. Não podemos arriscar."
— É oficial... estou triplamente ferrada — resmunguei com sarcasmo, deixando escapar uma risada nervosa. — Uma simples humana... grávida do Lycan mais poderoso e instável que existe.

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