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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 136

POV: DAIMON

Não conseguia farejá-la. Seu cheiro não atravessava o ar, não marcava território, não provocava minha pele como antes. Mas havia algo... uma sensação sutil, quase imperceptível, que insistia em vibrar sob minha pele, suas emoções. Discretas, escondidas, como se fossem protegidas por alguma força desconhecida, mas ainda ali. Vivas.

— Alfa, tem certeza de que ela está viva? — Symon surgiu logo atrás, a respiração ofegante, os olhos atentos, farejando o ar ao nosso redor. — Sobreviver àquela queda, à correnteza e ao gelo... seria um milagre.

Rosnei baixo, as presas arrastando no ar gelado.

— A Deusa a queria tanto quanto Fenrir. — Minha voz saiu grave, carregada de frustração e instinto. — Há algo ocultando sua presença. Algo forte. É por isso que não a senti. É como se seu cheiro não existisse mais neste plano.

Symon estreitou os olhos, a tensão marcando cada músculo.

— Isso explica o aumento no número de lobos e bruxas ao nosso redor... — ele rosnou, virando-se em posição de combate. — Estamos perto.

A presença deles se intensificou. Inimigos surgiam das sombras entre as árvores, cercando-nos em um silêncio predatório. Senti o estalo dos ossos se alongando, as garras surgindo dos dedos, o calor da fúria me corroendo por dentro. Então vi ele. Um lobo negro, imenso, olhos vermelhos em brasa, deslizou entre os demais com uma postura arrogante. Sentou-se com calma, desafiador, os olhos cravados em mim.

Estalei o pescoço, abrindo as costelas, permitindo que Fenrir se aproximasse da superfície, que sua presença sangrenta e voraz escorresse por cada célula do meu corpo. Um rugido escapou da minha garganta, ameaçador, ancestral.

— Você! — Avancei dois passos, as garras prontas. — Mostre sua verdadeira forma, seu maldito covarde.

O lobo riu. Uma risada seca, provocativa, carregada de sarcasmo.

— Covarde? — respondeu com desdém. — Não sou eu que ataco os indefesos. Não sou eu que oprimo meu próprio povo. Alfa Supremo... Você está cavando a própria cova. Seu povo te abandonou porque já não consegue confiar em você.

Arqueei a sobrancelha, o olhar ardente.

— Hunf, e acham que vão confiar em você? — Rosnei, a voz grave reverberando como trovão. Meus pés afundaram na terra encharcada quando liberei mais da força de Fenrir. O solo estremeceu sob meu peso, rachando em resposta à raiva que fervia em mim. — Você assassinou filhotes, caçou Lunas indefesas e lançou esta guerra ao caos.

— Eu fiz isso? — O desgraçado riu alto, zombeteiro, exibindo as presas afiadas como se estivesse em um jogo. — Até onde todos enxergam, eu sou você, Alfa. O monstro desgovernado. O Fenrir ancestral fora de controle. Um pesadelo de carne e fúria que precisa ser contido antes que destrua tudo.

Minha mandíbula se contraiu com tanta força que senti o estalo. Estalei a língua com desprezo, tombando a cabeça para o lado, em provocação.

— Seu plano é deplorável. — Rosnei com preguiça e desprezo. — Acha mesmo que isso vai funcionar? Eles já me temiam muito antes de você surgir da sombra como um rato covarde.

Ele se ergueu com uma postura que exalava desprezo. Seus olhos, vermelhos como brasas, me fitaram com puro deleite.

— E quantos tiveram coragem de se levantar contra o seu rei, hein? — Ele sorriu doentio. — Quantos ousaram desafiá-lo? Está sozinho, Supremo. Continua o mesmo tolo cego, se afogando na própria arrogância.

Meu sangue rugia em cada veia, pulsando como se meu corpo fosse prestes a explodir.

— Quem é você, de verdade? — O rugido saiu bruto, quebrando o ar. Meus olhos arderam com fúria ao dar mais um passo adiante, sentindo o campo vibrar com o poder crescente de Fenrir sob minha pele. Os inimigos se moveram, instintivamente, tentando o proteger.

— Sou o seu pior pesadelo. — Sua voz arranhava os tímpanos. Os olhos se estreitaram com uma fome doentia. — Mas nosso confronto ainda não é agora, Supremo. Ainda não tirei tudo de você... Ainda não vi você sangrar do jeito que quero.

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