POV: AIRYS
— Fugir? O que ficar com você tem a ver com os meus filhos? — questionei, confusa, o coração batendo com força, descompassado. — O que fizeram com eles?! Onde estão?! Me fala, Colen, por tudo que você ainda sente! Eles devem estar apavorados!
Minha voz embargou. Meus olhos se encheram de lágrimas de novo. Um desespero sufocante me engolindo.
Avancei, agarrando a camisa dele com força.
— Por favor, eu imploro... fala onde eles estão.
Ele arregalou os olhos com minha aproximação. Por um segundo, vi a hesitação. Vi o homem que fingiu ser.
Então... ele me puxou.
Suas mãos agarraram minha cintura e me colaram contra o corpo dele com força. Ele inspirou fundo, rente ao meu pescoço, inalando meu cheiro como um louco obcecado.
— Você ainda me enlouquece... mesmo agora. — sussurrou contra minha pele, a voz rouca.
Senti um arrepio me percorrer, mas não era de desejo. Era nojo. Era medo.
— Eu sempre quis te ter assim... bem perto de mim. — Colen sussurrou, a voz baixa e rouca, carregada de uma obsessão doentia. Sua mão deslizou devagar pelo meu corpo, pressionando minha cintura com desejo possessivo. — Se você ficar comigo, posso trazê-los de volta em segurança. Só precisa me deixar te marcar... e nunca mais pensará naquele maldito Supremo.
O nojo me corroía por dentro, mas mantive o rosto firme. Não podia demonstrar fraqueza.
— Me diga onde eles estão, Colen. — ergui o queixo, obrigando meus olhos a prenderem os dele com firmeza. — E serei toda sua. Eu prometo.
Ele sorriu. Um sorriso largo, insano, como se já tivesse vencido. Os olhos brilhando com antecipação.
Tentou me beijar. Seu rosto se aproximou rápido, mas recuei instintivamente, e o vi travar, frustrado, os olhos se estreitando num rosnado furioso.
— Mentirosa! — ele gritou, a voz subindo em descontrole. — Seria tudo mais fácil se fosse minha! Mas não, você insiste em amar aquele maldito demônio do Supremo!
Ele me agarrou com força pelo braço, os dedos afundando em minha pele, marcando com brutalidade.
— Por que você não me ama como eu te amo?! Me diz! — Ele me sacudia. — O que ele tem que eu não tenho?
Minha respiração estava descompassada, o coração batendo tão forte que doía. Mas eu o encarei, firme, mesmo com o corpo tenso e os músculos em alerta.
— Quer mesmo saber? — me aproximei, sedutora, meu rosto colando no dele, os lábios roçando sua pele. Ele estremeceu. Arfou com os olhos semicerrados. — Ele é a porra do ALFA SUPREMO, seu híbrido de merda.
Antes que ele reagisse, desferi uma joelhada certeira entre suas pernas.
O grunhido de dor saiu engasgado, bruto. Ele se curvou sobre si, cambaleando.
Antes que pudesse se recuperar, ele tentou agarrar meu cabelo, mas fui mais rápida. Minha mão deslizou até a adaga escondida nas minhas costas. Puxei com firmeza.
— Filho da... — murmurei, cravando a lâmina de prata em seu ombro com força.
Colen gritou, os olhos arregalados em choque, como se não acreditasse no que estava acontecendo. A lâmina entrou fundo. O cheiro de sangue preencheu o quarto.
Empurrei-o com violência para trás. Ele caiu contra a parede, gritando, tentando arrancar a adaga do corpo.
Corri. Peguei a mochila, escalei a janela em segundos, com os músculos tremendo de adrenalina.

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