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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 149

POV: AIRYS

Me encarei no espelho mais uma vez. O corpo tremia, mesmo que eu tentasse manter o controle. As mãos suavam, e o ar parecia denso demais para os meus pulmões. Suspirei, longa e profundamente, tentando me centrar, enquanto finalizava a maquiagem com dedos trêmulos. Ajustei o colar firme em meu pescoço. Ele não podia me reconhecer. Ninguém podia. Não agora.

Eu precisava me infiltrar. Precisava descobrir onde estavam os meus filhos. Precisava saber o que ele fez com eles.

A simples ideia de me aproximar de Daimon Fenrir fazia minha pele arrepiar. A lembrança do seu olhar dominador, do seu toque feroz, me deixava dividida entre o medo e o desejo. Um desejo maldito que eu odiava sentir, mas que ainda latejava, vivo, em algum canto obscuro do meu peito.

O baile estava prestes a começar. Um evento como aquele, mesmo em tempos de guerra, era uma afronta. Mas ele sempre gostou de provocar. Sabia o perigo que rondava, e mesmo assim se colocava à frente como se nada pudesse tocá-lo. Arrogante. Intocável. Imponente.

Mordi os lábios, tentando abafar o nervosismo. O reflexo que me encarava usava uma máscara negra, envolta em mistério. Ajustei-a cuidadosamente no rosto. Nada podia sair errado. Eu precisava ser mais forte que o pânico que começava a se formar em minha garganta.

— Você está bem... — murmurei para mim mesma, a voz tensa. O coração martelava no peito, cada batida descompassada ecoando nos meus ouvidos. — Vai dar tudo certo. Você consegue. Precisa conseguir.

“E se ele nos reconhecer?”, minha mente sussurrou, cruel. A incerteza me invadiu como um golpe no estômago.

— Isso não importa agora. — sussurrei áspera, entre dentes. — Precisamos saber se ele está com os nossos filhos.

Um arrepio percorreu minha espinha. Fechei os olhos por um instante. O rosto dele voltou à minha mente como uma maldição. Aqueles olhos selvagens, o jeito como dominava qualquer espaço com apenas um movimento, a maneira como me fazia sentir tão viva e tão à mercê dele ao mesmo tempo. Suspirei novamente, sentindo o corpo estremecer.

Não. Não agora. Não era hora de ceder.

Me encarei pela última vez. A maquiagem improvisada não era perfeita, mas escondia o suficiente. O colar escondido, a máscara, o vestido simples que roubava a atenção pelo corte justo... Tudo estava como deveria estar.

Saí do banheiro daquele posto de combustível e caminhei em direção à cidade de Tal’Dorei, sentindo a pressão crescer a cada passo. O frio da noite não explicava os calafrios que me percorriam. Eu estava de volta às terras Lupinas. Um lugar que havia deixado cicatrizes demais para que eu o chamasse de lar..., mas que ainda me puxava para dentro, como se eu nunca tivesse saído.

O salão se erguia à minha frente, majestoso, à beira da zona neutra. Alto, arrogante, como ele. Observei a fachada reluzente por um instante. Respirei fundo, ergui o queixo e desci do carro. Precisava manter a pose. Controlar meus impulsos. Cada gesto precisava ser medido, elegante, seguro. Eu não podia levantar suspeitas.

Entreguei o convite na entrada com um leve tremor nos dedos. O papel era roubado, tomado de Jaqueline. Eu não sabia como ela tinha conseguido aquilo, mas agora era meu passe para o inferno. Um inferno onde Daimon Fenrir estaria à espreita... e eu prestes a enfrentá-lo.

Caminhei devagar pelo salão, os olhos atentos a cada detalhe, a cada movimento. Meu corpo permanecia em alerta, mesmo que meu semblante aparentasse tranquilidade. Olhei ao redor, avaliando os rostos mascarados, tentando reconhecer algo, qualquer sinal que me guiasse até meus filhos.

No canto oposto, duas figuras me chamaram a atenção. Seus traços, mesmo sob as sombras, me pareceram familiares. Passei próxima o suficiente para ouvir algo enquanto eles se viravam de costas.

— O plano precisa ser perfeito. Tem certeza de que ele é um aliado e fará sua parte?

Minha respiração prendeu por um instante. Malik? Meu pai? Aquelas vozes... Seriam eles? De quem estavam falando? O que estavam tramando?

Engoli em seco, mas segui adiante. Não podia me desviar. Não agora. Não importava o que eles estivessem tramando, aquele não era o meu foco. Eu estava ali por um único motivo. E só sairia com respostas.

Mordi a parte interna da boca ao sentir meu estômago revirar.

Foi quando o vi.

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