POV: AIRYS
E sorriu.
Aquele maldito sorriso de canto, arrogante, presunçoso. O mesmo de sempre. Como se soubesse exatamente o que causava em mim. Como se fosse dono de cada suspiro, de cada tremor.
Sim, ele sempre foi assim. Sempre me desmontou sem precisar de força. Só com o olhar. Só com a presença. Só com um toque.
Mas eu não estava ali para me render.
Ou estava?
Engoli em seco ao ser conduzida para o centro do salão. Sua mão se firmou em minha cintura com força, em um aperto possessivo e autoritário que me arrancou um leve arquejo. Meus olhos correram o salão com um misto de surpresa e alerta. Todos nos observavam. Mas o calor do corpo dele se colando ao meu me tirou do foco. Estava perto demais. Intencionalmente próximo. Sufocante.
Senti seu hálito quente roçar minha pele, provocando pequenas cócegas na lateral do rosto, e estremeci. Seus dedos entrelaçaram os meus com firmeza. A conexão era direta, incômoda, intensa. Um calor subiu pelos meus braços, fazendo meu corpo inteiro formigar.
Respirei fundo. Precisava me concentrar.
Ele é o inimigo. Nada mais.
Repeti em silêncio, tentando me proteger de mim mesma.
Mas então ele falou.
A voz dele desceu, grave e rouca, atingindo meus sentidos como um golpe certeiro. Meus joelhos fraquejaram por um instante.
— Não me teme, pequena?
O som daquele apelido familiar cortou qualquer resistência que eu ainda mantinha. Meu corpo enrijeceu. Aquele maldito apelido. Ele só me chamava assim. Desde o início. Desde quando... desde antes de tudo desmoronar.
Será que ele sabia?
Será que já havia me reconhecido?
Não. Impossível. Eu estava mascarada. Meus traços ocultos. Meu cheiro disfarçado. Ele não podia saber.
Endireitei a postura, puxando o controle de volta com toda a força que me restava. Minha voz saiu firme, mesmo que por dentro tudo estivesse desmoronando.
— Eu deveria o temer?
Meus olhos encontraram os dele, e por um segundo vi o brilho de algo mais profundo, como se ele soubesse, como se estivesse me testando.
— Depende. — Ele respondeu, girando meu corpo com um movimento ágil e seguro.
Antes que eu pudesse reagir, fui puxada de volta, colidindo contra o seu peito forte. Um impacto quente, sólido. Minha mão pousou ali, sentindo a firmeza de seus músculos, o calor pulsante. A vibração do seu coração sob minha palma era forte, quase ritmada com a minha. Arfei, sem conseguir conter a reação. Meus dedos tremiam.
A mão dele subiu pelas minhas costas lentamente, com uma carícia que mais parecia uma ameaça silenciosa. O toque era quente, direto, como se soubesse exatamente onde me atingir. Meus músculos reagiram com um leve espasmo involuntário. Um arrepio violento percorreu minha espinha.
Seus olhos não deixavam os meus por um segundo sequer. Ele me encarava com intensidade, como se pudesse me despir por dentro, como se estivesse lendo cada pensamento, cada memória.
Eu queria odiá-lo.

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