POV: AIRYS
— Como você… — murmurei, mordendo o interior da bochecha para conter o nervosismo que me consumia.
— Você ainda não aprendeu a controlar o seu cheiro. — Seus olhos estavam cravados nos meus, escuros, semicerrados, intensos. Sua respiração estava pesada, o corpo quente demais, a testa úmida, não parecia bem.
— Mas o colar… — toquei o pingente no meu pescoço com a mão livre, ainda tentando entender. — Ele deveria camuflar meu cheiro…
— Mas não o cheiro das suas emoções. — Ele sorriu de canto, predador e certo da vitória.
Seu rosto se aproximou mais uma vez. Os lábios a centímetros dos meus, e eu sentia o calor da respiração dele se misturar à minha. Meu corpo inteiro implorava por fuga ou rendição, mas minha mente estava em guerra.
Eu não podia ceder. Não agora.
Mas meu corpo… já estava entregando sinais demais.
— Bem-vinda de volta, minha Luna.
Abri e fechei a boca sem conseguir dizer nada, os olhos arregalados enquanto o coração disparava num ritmo frenético. A adaga vacilou na minha mão, o punho trêmulo denunciando o que eu tentava esconder. As lágrimas ameaçaram escapar, se acumulando na linha fina dos meus olhos.
Ofegante, encostei ainda mais na parede atrás de mim, tentando afastar a avalanche de emoções que me invadia. Raiva. Medo. Confusão.
E pior ainda… saudades.
Daimon me encarava com a mesma intensidade feroz de sempre, mas havia algo diferente no seu olhar. Ele viu. Sentiu. Sabia.
Ergueu a mão devagar, os movimentos pesados, e passou o dorso dos dedos pela minha face com um toque firme, mas carregado de algo que apertou meu peito. Fechei os olhos por um segundo, sentindo a carícia quente, dolorosa, íntima demais. Como se ele tivesse me arrancado o ar.
Quando abri os olhos, os dele continuavam ali, cravados em mim. Intensos. Terrosos. Fixos, mesmo com o suor escorrendo por sua testa e manchando sua mandíbula marcada. Seu corpo estava tenso, os braços apoiados ao lado da minha cabeça, me cercando completamente.
Sem o vermelho nas íris. Sem Fenrir.
— Daimon... você está bem? — perguntei, a voz falha, tomada pela tensão e pelo receio. Meu olhar desceu para o suor que escorria, e toquei sua bochecha com a ponta dos dedos. A pele queimava. Literalmente. — Você está com febre…
— Ou com saudades. — A provocação escapou de seus lábios num sussurro rouco, arrastado, quase íntimo demais. O sorriso torto, atrevido, carregado da mesma arrogância que fazia meu corpo reagir sem permissão. Arqueei uma sobrancelha, arfando discretamente com o calor entre nós.
— Tem algo errado. — Notei suas narinas dilatarem e os olhos cintilarem.
— Deve ter mesmo… — Provoquei de volta surpresa. — Seu senso de humor parece ter melhorado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO