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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 151

POV: AIRYS

— Como você… — murmurei, mordendo o interior da bochecha para conter o nervosismo que me consumia.

— Você ainda não aprendeu a controlar o seu cheiro. — Seus olhos estavam cravados nos meus, escuros, semicerrados, intensos. Sua respiração estava pesada, o corpo quente demais, a testa úmida, não parecia bem.

— Mas o colar… — toquei o pingente no meu pescoço com a mão livre, ainda tentando entender. — Ele deveria camuflar meu cheiro…

— Mas não o cheiro das suas emoções. — Ele sorriu de canto, predador e certo da vitória.

Seu rosto se aproximou mais uma vez. Os lábios a centímetros dos meus, e eu sentia o calor da respiração dele se misturar à minha. Meu corpo inteiro implorava por fuga ou rendição, mas minha mente estava em guerra.

Eu não podia ceder. Não agora.

Mas meu corpo… já estava entregando sinais demais.

— Bem-vinda de volta, minha Luna.

Abri e fechei a boca sem conseguir dizer nada, os olhos arregalados enquanto o coração disparava num ritmo frenético. A adaga vacilou na minha mão, o punho trêmulo denunciando o que eu tentava esconder. As lágrimas ameaçaram escapar, se acumulando na linha fina dos meus olhos.

Ofegante, encostei ainda mais na parede atrás de mim, tentando afastar a avalanche de emoções que me invadia. Raiva. Medo. Confusão.

E pior ainda… saudades.

Daimon me encarava com a mesma intensidade feroz de sempre, mas havia algo diferente no seu olhar. Ele viu. Sentiu. Sabia.

Ergueu a mão devagar, os movimentos pesados, e passou o dorso dos dedos pela minha face com um toque firme, mas carregado de algo que apertou meu peito. Fechei os olhos por um segundo, sentindo a carícia quente, dolorosa, íntima demais. Como se ele tivesse me arrancado o ar.

Quando abri os olhos, os dele continuavam ali, cravados em mim. Intensos. Terrosos. Fixos, mesmo com o suor escorrendo por sua testa e manchando sua mandíbula marcada. Seu corpo estava tenso, os braços apoiados ao lado da minha cabeça, me cercando completamente.

Sem o vermelho nas íris. Sem Fenrir.

— Daimon... você está bem? — perguntei, a voz falha, tomada pela tensão e pelo receio. Meu olhar desceu para o suor que escorria, e toquei sua bochecha com a ponta dos dedos. A pele queimava. Literalmente. — Você está com febre…

— Ou com saudades. — A provocação escapou de seus lábios num sussurro rouco, arrastado, quase íntimo demais. O sorriso torto, atrevido, carregado da mesma arrogância que fazia meu corpo reagir sem permissão. Arqueei uma sobrancelha, arfando discretamente com o calor entre nós.

— Tem algo errado. — Notei suas narinas dilatarem e os olhos cintilarem.

— Deve ter mesmo… — Provoquei de volta surpresa. — Seu senso de humor parece ter melhorado.

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