POV: AIRYS
— Ah, Airys… — ele riu, e o som foi cruel, provocador. — Foi você quem criou essa dúvida. Não confiava no homem ao seu lado, então deduziu que era ele quem te caçava naquela noite.
Senti meu corpo estremecer. Um tremor involuntário me percorreu.
— Poxa, Alfa… — o lobo continuou fingindo pesar. — Você não deu motivos para ela confiar em você?
— Eu vou arrancar sua língua, seu maldito. — rosnou Daimon, avançando meio passo antes de vacilar de novo. Sua testa se franziu, confusa, o olhar perdido por um instante. — Não sinto… Fenrir.
Meu estômago afundou.
— Ah, sim… — o lobo ergueu o queixo, orgulhoso de sua perversidade. — Sou culpado, confesso. O veneno na sua bebida… foi feito para silenciar o seu lobo. Um veneno que mataria qualquer outro…, mas você não é qualquer um, é o maldito Alfa Supremo, não é?
Daimon arfou, o suor descendo por sua têmpora, o maxilar tenso. Ele se manteve de pé apenas pela força bruta de sua vontade.
— O que você quer? — ele rosnou, ainda me protegendo com o corpo.
— Já disse o que quero, Alfa… — a risada do inimigo foi sombria, repulsiva, carregada de promessas torturantes. — Quero sua destruição. Quero ver seu reino em ruínas.
Então ele desviou os olhos para mim. E o que vi ali… foi pior do que ameaça. Foi posse.
— E ainda vou levar sua bela Luna comigo. — disse com a voz grave e doentia, os olhos brilhando de desejo doentio. — Vou adorar brincar de casinha com ela.
O sangue gelou nas minhas veias, mas mesmo assim, mantive o queixo erguido. Minhas mãos tremiam, sim. Meu corpo estremecia, sim. Mas não de medo. De fúria.
— O quê?! — exclamei, os olhos arregalados em choque.
Foi tudo rápido demais.
Senti o empurrão forte de Daimon me lançar para o lado no exato momento em que o lobo negro saltou. Meu corpo caiu com força contra o chão, o baque seco reverberando pelo meu crânio quando bati a lateral da cabeça. Gemi, tonta, e levei a mão à testa, tentando manter o foco. Virei o rosto, ofegante, e então vi.
A besta havia cravado os dentes no braço de Daimon.
Meu estômago revirou. O Alfa lutava para contê-lo, mas algo estava errado. Ele cambaleava, como se sua visão falhasse, como se cada movimento exigisse mais do que ele podia dar. Seus olhos me encontraram de relance, turvos, mas ainda intensos.
— Fuja! — ele rosnou, empurrando a fera com dificuldade, mesmo com os dentes do inimigo afundados em sua carne.
Tateei o chão com os dedos trêmulos, desesperada, até encontrar a adaga caída. A agarrei com força, meu coração disparado, os pulmões queimando, mas minhas pernas ainda obedeciam. Me levantei num ímpeto.
— Vá, pequena, agora! — a ordem veio carregada de dor, mas também de autoridade. O som do grunhido dele quando as garras da fera se enterraram em seu abdômen me fez estremecer. Ele riu, arfando. — Porra... isso dói mesmo.

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