POV: AIRYS
Com esforço, conseguimos nos afastar do salão, indo em direção à floresta. Vi, de relance, Stephan se levantar, ferido, porém firme, agarrando dois lobos que vinham atrás de nós e nos dando tempo para escapar. O caos se espalhava por toda parte, convidados em pânico, gritos, rugidos, corpos se transformando em pleno ar, correndo, lutando. O céu desabou de vez.
Relâmpagos romperam o céu escuro, e a chuva intensa caiu com força, misturada à neve fina que começou a se formar. O frio queimava a pele, mas eu mal sentia, a adrenalina tomava conta.
Nos escondemos atrás de uma árvore larga, entre rochas cobertas de musgo. Daimon se encostou no tronco, arfando, tentando manter-se em pé. Ajeitei seu corpo ali, firme, e me abaixei ao lado dele.
— Fica quieto. — sussurrei, a respiração acelerada, e comecei a raspar musgos ao redor com as mãos nuas. Meus dedos tremiam, mas continuei. Apliquei com cuidado sobre sua ferida aberta, o sangue quente escorrendo por entre meus dedos. Quando pressionei, ele gemeu baixo, a cabeça tombando para trás, os dentes cerrados.
— Desculpa. — murmurei, ofegante. — Mas não podemos deixar rastros. Eles podem seguir pelo cheiro de sangue.
Rasguei um pedaço do meu vestido, os olhos fixos nele o tempo todo, e envolvi algumas folhas e plantas no tecido. Improvisei um curativo apertado, pressionando contra o ferimento. Ele grunhiu de dor, os músculos contraindo sob meu toque. Seu corpo tremia, talvez pelo frio, ou dor, tensão. Ou talvez por causa de nós.
— Isso vai segurar... até acharmos um lugar seguro...
Antes que eu terminasse, ele me calou. Sua mão grande, áspera, quente, tampou minha boca com firmeza. Me virei para protestar, mas ele me empurrou com o corpo contra o tronco da árvore, colando-se a mim. Senti sua respiração quente no meu rosto, os olhos fixos nos meus. Estávamos tão próximos que consegui sentir os batimentos do coração dele acelerados, descompassados, misturados aos meus. Sua pele ardia mesmo sob a chuva fria. Tremores percorriam seu corpo.
Ele fez um gesto com o dedo indicador nos lábios, me pedindo silêncio.
Foi então que ouvi: passos leves, respiração ofegante... um lobo nos rastreava.
Daimon deslizou a mão até a minha cintura. Quando seus dedos tocaram a pele exposta da minha barriga, apenas por um segundo, minha coluna enrijeceu e um arrepio forte percorreu minha espinha. Ele pegou a adaga presa ali, e o toque, mesmo breve, me tirou o ar por um instante. Meu corpo reagiu sem controle, estremeci.
Seus olhos escureceram, as pupilas dilatadas, e ele arqueou a sobrancelha com um meio sorriso provocador.
O som de garras se aproximando quebrou o momento.
A besta surgiu entre as árvores.
Daimon não hesitou.
Com um movimento preciso e brutal, ergueu a adaga e a cravou com força na cabeça do inimigo assim que ele se aproximou. Um estalo surdo, um baque no chão, e o silêncio voltou.
Tampei a boca com as mãos, o grito preso na garganta. Meus olhos arregalados, o corpo tremendo. Ele ainda estava ali, firme, selvagem, dominador, mesmo ferido, mesmo no limite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO