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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 154

POV: AIRYS

Fiquei paralisada por um segundo.

— Você vai me culpar quando souber do que eu te privei. — soltei, sentindo meus lábios tremerem antes mesmo de terminar a frase. A panela apitou no fundo, e aquilo foi a desculpa perfeita para me afastar. Me levantei de súbito. — Descanse. Voltarei em breve com um chá que encontrei nos armários.

Mas antes que eu alcançasse a porta, a voz dele me atingiu pelas costas. Rouca. Grave. Rasgando algo dentro de mim.

— Eu senti.

Fiquei imóvel, o corpo congelado. A cabeça baixa. O coração disparou.

— O quê? — perguntei em um sussurro, virando apenas o olhar, hesitante.

— Na cachoeira. Eu senti medo. — Ele gemeu baixo, e pelo som do esforço, soube que estava se levantando. — Angústia. Desespero. Quando te vi caindo… — Sua voz veio mais perto, arrastada, cansado e mesmo assim imponente. — Eu senti sua falta todos os dias. Ansiei te encontrar viva.

Virei o corpo depressa.

— Você vai abrir os pontos! — exclamei, indo até ele, mas Daimon foi mais rápido. Avançou com um passo pesado e me empurrou contra o batente da porta, com o corpo colado ao meu.

— Você não devia estar de pé! — reclamei, ofegante, tentando me controlar, mas sua presença se expandiu me dominando completamente.

— Preciso que você saiba. — rosnou baixo, e seu toque subiu até o meu queixo, firme, possessivo, me obrigando a olhar em seus olhos. — Senti medo. Por você. Senti algo que nunca tinha sentido. Você me desmontou naquela cachoeira. Me quebrou.

Sua respiração se misturava com a minha, quente, densa, como se o ar estivesse carregado de tudo o que não dizíamos.

— Mas... você sempre disse que era incapaz de sentir qualquer coisa. — sussurrei, tentando entender, tentando raciocinar, enquanto meu corpo inteiro respondia ao toque dele com arrepios involuntários.

— E eu era. — Ele afirmou sem hesitar. — Até te conhecer. Até você despertar o que estava morto aqui dentro.

As palavras me atingiram no peito. Meu coração pulou. Um tremor percorreu minha espinha. Ele não piscava. Não recuava. Era intenso, bruto, direto. Daimon era como um furacão. E eu estava no centro dele.

Sua mão contornou meus lábios, devagar, firme, como se estivesse gravando o formato. Depois desceu por meu pescoço em um toque que me fez arfar. Meu corpo arqueou levemente contra o dele, sem que eu conseguisse evitar. Seus olhos seguiram cada reação minha. Em silêncio. Observando. Sentindo.

Então ele segurou o colar em meu pescoço, aquele que ocultava quem eu era, e puxou com força. Ouvi o estalo do fio se rompendo. Meus cabelos se soltaram, caindo sobre os ombros em ondas platinadas.

Daimon pegou uma mecha com os dedos e levou ao nariz. Inalou profundamente. O gesto bruto, possessivo, me arrepiou da nuca até os pés.

— Você me perguntou por que eu a escolhi. — disse, ainda inalando meu cheiro como se precisasse se alimentar disso. — Na época, eu não sabia responder. Não sabia nomear.

Deixou os olhos passearem por mim com intensidade feroz. Eu estremeci.

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