POV: AIRYS
Um riso baixo, rouco e carregado de perigo escapou de sua garganta, vibrando como um trovão abafado entre nós. Abaixei a cabeça, os olhos fixos no seu rosto marcado, respiração pesada, quase descompassada. Seus dedos estavam pressionados contra a ferida que voltava a sangrar.
— Sente-se, preciso ver isso. — murmurei firme, tentando manter o controle, mesmo com o coração disparado e os olhos ainda marejados. Respirei fundo, limpando o rosto com um gesto raivoso. Me aproximei com a intenção de ajudá-lo... só que ele não me deu chance.
Em um segundo, fui puxada com brutalidade e envolta por seus braços fortes, presos como correntes em volta de mim. Meu corpo foi arrastado para o dele com uma facilidade animalesca. Senti o ar sair dos pulmões no impacto. Ele afundou o rosto nos meus cabelos, respirando fundo, como se quisesse me consumir só pelo cheiro.
— Airys... respira. — Ele ordenou, a voz rouca, grossa, quente como pecado.
Sua mão subiu devagar pelas minhas costas, firme, possessiva, até agarrar minha nuca. Suas pernas se afastaram, abrindo espaço, e meu corpo deslizou no meio das coxas dele, ficando exatamente onde ele queria: encaixada, colada, tremendo.
Eu era pequena demais perto dele. Quase dois metros de brutalidade, ombros largos, músculos tensos sob a pele quente. Ele poderia me partir ao meio se quisesse. E talvez parte de mim desejasse isso.
Tentei me afastar, mas ele me manteve cativa. Gemi baixo, sentindo o peito colado ao dele, o calor, o cheiro viril, cru, dominador. Afundei o rosto em seu pescoço, arfando, e deixei o choro vir. Um soluço preso escapou, e depois outro. Chorei como nunca. Medo. Dor. Ódio. Culpa. Tudo explodiu ali, no abraço de um monstro que se tornava meu único refúgio.
Meus braços subiram por instinto, enroscando em seu pescoço. O cheiro terroso e masculino de Daimon invadiu meu nariz, fazendo meu ventre pulsar. Fechei os olhos. Não havia mais lógica. Apenas ele. Apenas aquele calor. Apenas aquele toque. E mesmo sem perceber, minha respiração foi desacelerando... O desespero recuando.
— Eu não te odeio. — Ele sussurrou de repente, a voz grave roçando na minha orelha, fazendo um arrepio violento correr pela minha espinha.
Soltei um suspiro trêmulo, o corpo inteiro estremecendo contra o dele. Sua mão grande afagava meus fios com uma delicadeza que não combinava com a força do seu aperto. A outra me prendia contra o peito largo, firme, protetor... perigoso.
— Falhei com você, pequena. Como companheiro. Como Alfa. — continuou, o tom denso, carregado de algo que parecia pesar na alma dele.
— O quê...? — sussurrei, a voz fraca. Levantei o rosto devagar, fitando seu tom terroso intenso.
Ele negou com a cabeça, roçando o nariz no meu com um carinho bruto, que contrastava com o aperto firme que deu na lateral do meu quadril. Seu toque foi direto, autoritário, como quem lembra quem está no controle.

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