POV: AIRYS
— Orion é o mais velho. — comecei sentindo o olhar de Daimon pesar sobre minha pele como um toque quente. — É sua cópia. No rosto, nos olhos, na forma de andar... até na maneira de calar o que sente. Isso me assusta às vezes. Ele sente que precisa proteger os irmãos... e a mim. Sempre.
— Um verdadeiro primogênito. Forte. Formidável. — ele rosnou baixo, com orgulho evidente na voz.
— Theron é o segundo... — continuei, com um sorriso nos lábios que nasceu sozinho. — Tem o dom natural de se meter em confusão. É impossível ficar bravo com ele por muito tempo. Mas é tão protetor quanto o irmão. Quando os dois estão juntos, parecem pequenos soldados, prontos para qualquer batalha.
— Esse com certeza puxou a mãe. — Daimon rosnou com um tom rouco e provocador. Seus dedos tocaram meu queixo, me forçando a encará-lo. Seus olhos terrosos, firmes, me queimaram. E eu sorri, mesmo trêmula por dentro.
— E o caçula? — ele perguntou, a voz mais baixa, mais próxima. Quase senti o calor da respiração dele em minha boca.
Me remexi. O nome de Alec ficou preso na minha garganta. Ele não fazia ideia... e eu não sabia até onde ia o acordo entre Fenrir e a Deusa Lua. E se contar significasse entregá-los?
Mordi os lábios, sentindo a tensão crescer entre nós.
— Alec... — sussurrei, tentando manter a voz firme. — É tímido, carinhoso... gentil demais para esse mundo. Mas não queira ver quando se irrita. Ele... muda. O olhar dele vira outra coisa. Ele assusta. Até os irmãos recuam.
Daimon estreitou os olhos, atento. O rosnado que veio do peito dele foi baixo, quase imperceptível, mas me arrepiou inteira. Ele sentia a tensão em mim.
— Onde eles estão, Airys? — ele perguntou, agora mais sério, mais Alfa. — Você disse que veio buscar algo.
Engoli em seco. O ar parecia preso no peito. Não tinha mais como esconder.
— Achei que você os sentiria. Eles... tiraram o colar na escola. — soltei de uma vez, a respiração se acelerando. — Foram sequestrados por lobos.
Daimon congelou. Os músculos dele ficaram tensos sob meus dedos. Seu olhar se cravou no meu, feroz, flamejante, possessivo.
— Levaram nossos filhos. — minha voz falhou no final. — Eles os tiraram de mim.
As lágrimas escorriam quentes pelas minhas bochechas. A garganta apertada, os lábios tremendo, meu peito arfava, doía.

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