POV: AIRYS
— Não perguntei se precisava. — Sua voz era firme, arrogante. Aquele tom de quem manda, de quem protege como bem entende, de quem não negocia.
Seguimos em silêncio por mais de uma hora até encontrarmos a estrada coberta pela neblina fina. Descemos por uma trilha estreita até avistar uma pequena cidade adormecida entre as árvores, algo fora do que eu conhecia. Franzi o cenho. Nunca havia estado ali.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, Daimon entrelaçou nossos dedos e me puxou com força.
Meu corpo girou no impulso e foi pressionado com firmeza contra uma parede fria de pedra. Seu corpo colou ao meu. O peso, o calor, sua força me cercando por completo. A respiração dele bateu quente e densa contra minha boca.
Fiquei sem ar.
— O que está fazendo? — sussurrei, sentindo sua respiração quente roçar minha pele, que já formigava com o simples toque.
— Não podemos nos dar ao luxo de chamar atenção. — Ele respondeu baixo, a voz densa e firme, roçando contra minha boca. — Pelo menos por agora... é melhor evitar uma pilha de corpos.
O hálito dele acariciou minha bochecha, quente e provocante, arrancando um leve arfar dos meus lábios. Meu peito roçou contra o dele, e no mesmo instante, um rosnado profundo vibrou em sua garganta, ecoando direto no meu ventre.
— Pequena... controla o seu cheiro e suas reações. — ordenou por entre as presas, com um tom carregado de domínio.
— Eu não... — gaguejei, desviando os olhos, pressionando os lábios. — Eu gosto do seu cheiro... e do seu calor. Não sei o que acontece comigo.
A vergonha subiu no meu rosto como fogo. Senti as bochechas queimarem só por ter admitido aquilo em voz alta. Mas o silêncio dele não ajudou em nada. Só o senti se mover.
Seu nariz deslizou pelo meu pescoço. Inspirou profundamente, como se quisesse gravar meu cheiro na memória. Arfei. Suas mãos apertaram minha cintura com mais força. Seus lábios subiram até a ponta da minha orelha... e então veio a mordida. Rápida. Precisa. Quente.
— Saberá em breve. — sussurrou, a voz mais grave e rouca do que antes. — Sei que é difícil conter os impulsos..., mas se não se concentrar, vou ter que devorar você aqui mesmo... nesse beco frio.
Um arrepio brutal percorreu meu corpo inteiro. As pernas amoleceram.
— Mesmo? — a pergunta escapou antes que eu pudesse impedir.
A resposta não veio com palavras. Veio com o olhar que ele me lançou. Aquele olhar carregado de promessas perigosas. Meu corpo reagiu sem permissão, a pele arrepiou, os mamilos endureceram sob a roupa, e meu ventre pulsou de desejo.
“Seria tão bom...” minha mente gemeu por dentro, e a onda de excitação espalhou choques elétricos pelos pontos mais sensíveis do meu corpo.
Onde eu estava com a cabeça? Por que não conseguia me concentrar? Cada célula do meu corpo parecia vibrar de dentro para fora. Me sentia como os Lupinos na época do acasalamento: tomada por um impulso instintivo, bruto, primitivo. Desejo puro. Cru. Incontrolável.
— Pequena! — O rosnado de Daimon soou mais forte, um comando. Uma advertência.

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