POV: AIRYS
Senti um arrepio correr pelo meu braço.
— Filhos... os esperados... — murmurou quase para si mesma.
— Da Linha do Destino? — A cega exclamou, surpresa. Ela veio até mim com uma urgência contida, pousando uma mão suave sobre meu pulso e a outra, com extrema delicadeza, em minha barriga. Seus dedos tremiam levemente.
— Trigêmeos... — sussurrou com os lábios entreabertos. — Formidáveis...
Minhas pernas fraquejaram por um segundo.
— Os levaram. — murmurei, sentindo a dor tomar forma no meu peito. Arfei. Um aperto fundo tomou conta do meu coração, como se o vazio ecoasse ainda mais agora que estava sendo reconhecido. — Eles os tiraram de mim.
A irmã cega se aproximou mais, e suas mãos quentes tocaram meu rosto com uma ternura que me desmontou por dentro. Meus olhos se encheram, mas segurei o choro com todas as forças.
— Sinto muito, filha. — Ela sussurrou, acariciando minha pele como se curasse uma ferida invisível. — Nenhuma mãe deveria passar por isso.
Fechei os olhos por um instante, apenas respirando.
— Não se preocupe... — continuou. — Ajudaremos vocês.
— Há magia envolvida. — A voz de Daimon saiu mais áspera que o normal, Feroz com raiva contida. Seus punhos estavam cerrados, os músculos dos braços tensionados, o maxilar travado. — Não consigo sentir nossos filhotes.
O silêncio que se formou foi quase sufocante. Vi o quanto aquilo o corroía por dentro.
— Precisamos forçar o despertar dos seus sentidos. — completou com firmeza, como se já tivesse decidido.
— Você quer usar o elo materno para isso. — murmurou a irmã de olhos celestiais, franzindo a testa com preocupação. — Mas sabe os riscos, Alfa... Ela pode não voltar de lá.
— Lá onde? — interrompi, dando um passo à frente, meu peito se contraindo. — Por que parecem tão receosos com esse teste? Se for pra lutar, eu luto. Se precisar correr, eu corro. O que esse tem de tão diferente?
A irmã cega se adiantou, a voz mais baixa, mas firme:
— Vamos mandar você para o passado das suas próprias memórias. Direto ao limbo. À fonte onde tudo começou... e onde tudo foi quebrado.
Engoli em seco. Meu corpo gelou.
— Mas... — ela continuou, — você pode ser afetada. Atacada. Ferida. Morta. E o mais perigoso: pode ser quebrada emocionalmente. Lá, nada é só lembrança. Tudo é real. Tudo dói.
— Por quê? — perguntei em voz mais baixa, sentindo as palmas das minhas mãos começarem a suar. As pontas dos dedos tremiam, e o frio repentino não vinha do clima.
Foi quando senti.
Sua presença.
Daimon se posicionou às minhas costas, o corpo colado ao meu. Sua mão pousou firme na minha cintura, o calor de sua pele atravessando o tecido. Encostei de leve no peito dele, buscando algum equilíbrio que eu fingia ter. Seu cheiro forte e quente me envolveu por inteiro.

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