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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 177

POV: AIRYS

Engoli em seco, encarando a conexão entre nós, sentindo o calor do braço de Daimon irradiar mesmo com o contato restrito.

— Achei que a marca dele já mantinha o elo. — comentei, olhando sobre o ombro para o Alfa, buscando sua reação.

— Não fizemos o ritual de companheiros. — Ele disse, a voz baixa, densa, quase animalesca. Seus olhos estavam em tom terroso escurecido, as presas ligeiramente expostas ao falar. — E você ainda não me marcou, humana.

A tensão entre nós ficou mais densa, mais íntima. Senti o calor subir pelas minhas bochechas.

— Mas... — continuou, sem desviar os olhos dos meus, havia um cintilar ousado ali. — não tenho qualquer objeção em ficar enlaçado a você.

Seu tom era carregado de promessa. Bruto. Intencional. Não havia espaço para dúvidas ali.

Sorri de canto, o coração disparando. Engoli o nervosismo e me virei para frente, respirando fundo.

— Pronta? — perguntou a irmã cega, já de pé, posicionando-se diante de mim.

Assenti com um leve movimento de cabeça. Minhas mãos suavam, o corpo inteiro em alerta.

— Sentirá como se estivesse sendo puxada bruscamente... — continuou ela, com um tom solene. — Como se sua alma estivesse sendo arrastada por dentro do próprio tempo.

Ela ergueu um pequeno relógio dourado, preso por uma corda fina. Começou a balançá-lo devagar, de um lado para o outro, o movimento hipnótico diante dos meus olhos. O som suave das engrenagens soava como um sussurro distante.

Enquanto isso, a outra irmã entoava um cântico antigo, a língua era irreconhecível, mas ressoava fundo nos meus ossos. Ela caminhava ao redor das gravuras no chão, que agora brilhavam em tons pulsantes de vermelho, dourado e azul, vibrando em ondas como se estivessem vivas, respirando magia.

Meu coração batia tão alto que parecia ecoar nas paredes.

Senti a mão de Daimon apertar a minha. Firme. Presente. Dominante.

— Concentre-se no relógio. No som do tic-tac. — ordenou a irmã cega com firmeza. — Esvazie sua mente. Não há nada e ninguém. Apenas você... seu corpo, sua alma, suas lembranças. Deixe-se guiar. Mergulhe... profundamente.

O relógio balançava de um lado para o outro diante dos meus olhos. O som era constante, hipnótico, e parecia se misturar com a voz dela, como se ambos estivessem entrando direto dentro da minha cabeça.

Comecei a sentir as pálpebras pesarem. A cabeça tombou levemente para o lado. O corpo formigava como se o sangue mudasse de ritmo, fluindo mais lento. O som ao redor começou a se distorcer, o tic-tac ficou distante, quase submerso... assim como a voz.

Eu não sentia mais o chão.

Estava caindo. Flutuando. Me dissolvendo.

As pálpebras fecharam, e eu jurei que havia se passado apenas um milésimo de segundo.

Mas quando abri os olhos novamente... não estava mais ali.

Ao meu redor, tudo era vazio. Escuro. Denso. Havia umidade no ar, um frio que entrava pelos ossos. O som isolado de gotas caindo no chão ecoava pelo espaço como uma tortura constante. Gotejo após gotejo.

Dei um passo à frente, a respiração presa. Meus pés tocaram algo líquido.

Uma poça.

Me aproximei, olhando em volta, instintivamente curvada, tentando entender onde eu estava. Inclinei o corpo, encarando a superfície da água.

Foi quando vi.

Uma loba branca.

Olhos dourados.

Me fitando do outro lado com uma intensidade animalesca.

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